Tadej Pogacar é comparado a Eddy Merckx e gera debate sobre domínio “não está fazendo nenhum favor ao esporte”
Tadej Pogacar continua sendo o nome mais comentado no mundo do ciclismo. Suas vitórias após longos ataques são impressionantes, mas, segundo parte da imprensa belga, essa superioridade tem reduzido a emoção das provas e o entusiasmo do público.
Muitos observadores têm comparado o atual domínio do esloveno à hegemonia de Eddy Merckx, considerado o maior ciclista da história, e questionam se esse cenário pode estar prejudicando o apelo popular do esporte.

“Tanto domínio não está fazendo nenhum favor ao esporte”
“Eu entendo por que as pessoas se sentem assim hoje em dia”, declarou o jornalista Karl Vannieuwkerke ao Sporza.
“Olha, eu sou fã e tenho o maior respeito por Tadej Pogacar, o atleta e o homem, que não deveria se importar com o que eu digo, mas temos que ser honestos e ousar admitir que tanto domínio não está fazendo nenhum favor ao esporte.”

“É preciso competição nos esportes, sem essa tensão, a chama se apaga”
Vannieuwkerke destacou ainda que a previsibilidade dos resultados tem afetado a emoção das corridas. “É como escrever o resultado na capa de um livro. Isso não é nada emocionante.”
Para o comentarista, o problema é que o ciclismo depende da incerteza para manter o interesse do público. “É preciso competição nos esportes. Sem essa tensão, a chama se apaga. E já estamos vendo índices de audiência em declínio.”

“‘Corrida dorminhoca’, o Tadej vai embora e você tira um cochilo”
O editor-chefe da revista belga Bahamontes, Jonas Heyerick, compartilha da mesma preocupação. Embora reconheça o talento e o espetáculo proporcionado por Pogacar, ele acredita que a falta de disputa real tira parte da magia das corridas.
“Gostei do campeonato europeu, sim. Mas devo dizer que ficamos com um pouco de fome. A tensão passou bem rápido, e é isso que faz as corridas prosperarem.”
Heyerick foi ainda mais direto em sua análise: “Eu costumo chamar isso de corrida dorminhoca. O Tadej vai embora e aí você pode tirar um cochilo. Eu consigo curtir uma corrida solo, mas tem muita coisa acontecendo e aí a diversão acaba um pouco.”

“Depois de um tempo, Eddy Merckx deixou de ser querido”
Segundo o jornalista, o domínio absoluto de Pogacar pode se tornar um problema para o esporte como espetáculo. “É de fato uma ameaça à popularidade do esporte. Espectadores e fãs querem ver o elemento humano. Se esse aspecto não for visível, eles perderão o interesse mais rapidamente.”
Heyerick também lembrou de comparações históricas com Eddy Merckx, outro gigante que viveu dilemas semelhantes em seu auge. “Agora, estou entendendo cada vez mais as histórias do meu pai, quando ele me contava que as coisas não eram mais emocionantes durante a era Merckx”.

“Depois de um tempo, Eddy Merckx deixou de ser querido por muita gente, especialmente pelos fãs estrangeiros. Eles não ficavam mais felizes, com o fato dele vencer sempre que estava no grid de largada. Essa comparação está se tornando cada vez mais comum com Tadej Pogacar”, finalizou Jonas Heyerick.