“Mais forte que Tadej Pogacar na idade dele” Rei da Montanha do Giro fala sobre a maior revelação francesa dos últimos anos
Dois anos após pendurar a bicicleta na Il Lombardia, Thibaut Pinot vive uma rotina completamente diferente. Longe das grandes voltas e dos holofotes, o francês Rei da Montanha do Giro em 2023, dedica-se à sua fazenda em Mélisey, onde cuida de cerca de 150 animais.
Desde sua aposentadoria, ele tem evitado entrevistas e aparições públicas, até ser despertado por um nome que reacendeu sua paixão pelo ciclismo: Paul Seixas.
“Até mais forte do que Pogacar na idade dele”
O jovem francês, de apenas 19 anos, recentemente conquistou a medalha de bronze no Campeonato Europeu de Estrada, chamando a atenção de Pinot, que não poupou elogios.
“Não víamos nada parecido desde Pogacar e Evenepoel. Ele é um fenômeno. Talvez até mais forte do que Pogacar na idade dele”, declarou o ex-ciclista ao L’Équipe.

Um talento precoce e surpreendente
Em sua primeira temporada com a Decathlon–AG2R La Mondiale, Seixas tem impressionado pela maturidade e consistência.
“Estou impressionado com a sua consistência. No Europeu, ele soube administrar perfeitamente o esforço desde o início, sem pressa. Muitos nessa idade se precipitam e acabam explodindo. Ele não. Esperou o momento certo, manteve-se firme e acabou alcançando atletas como Evenepoel“, afirma Thibau Pinot.

Comparações com Tadej Pogacar e Remco Evenepoel
Pinot também fez questão de contextualizar o nível de Seixas em relação a outros fenômenos recentes do ciclismo.
“Pogacar venceu 3 etapas e terminou em 3º na Vuelta em seu 1º ano, mas tinha 21 anos. Seixas é dois anos mais novo. Até Remco, que dominou em sua estreia, também tinha 19 anos, assim como Paul. Ele está entre os dois. E isso quer dizer alguma coisa”, lembra o francês.

Tour de France em 2026
Para o ex-ciclista, o talento de Seixas é tão evidente que sua estreia no Tour de France 2026 parece inevitável. “Acho que a equipe dele vai colocá-lo no ringue. Se ele é o melhor na Decathlon–AG2R, por que não?”
“Não vivemos mais em uma era em que os jovens se esgotam nos Grand Tours. Hoje, há dados, controle de esforço, monitoramento constante… Se ele estiver pronto, ele deve ir”, afirmou Pinot, mostrando total confiança na nova geração.

“O difícil será protegê-lo das expectativas“
Apesar de todo o entusiasmo, Pinot fez questão de deixar um alerta sobre o maior obstáculo que Seixas enfrentará — a pressão da mídia e das expectativas nacionais.
“O difícil será protegê-lo das expectativas. Depois de Romain Bardet e da nossa geração, não houve muitos franceses lutando pela classificação geral”.
“Hoje, junto com Gaudu, ele é um dos poucos. Isso aumenta o foco nele. E é aí que a equipe precisa agir. Não pode deixá-lo sozinho diante da mídia. Sua maior batalha será se consolidar ano após ano, não permanecer uma promessa”, advertiu.

“A parte complicada é se manter forte, continuar crescendo”
Mesmo com o tom de cautela, Pinot encerra sua análise com otimismo, vendo em Seixas um símbolo de renovação para o ciclismo francês.
“O que ele está fazendo agora parece fácil, mas a parte difícil virá depois. A parte complicada é se manter forte, continuar crescendo. E ainda mais em um país como o nosso, com tanta pressão sobre jovens talentos. Mas se alguém consegue lidar com isso, é Paul”, concluiu o ex-campeão.