O domínio de Tadej Pogacar está no fim? Diretor da lenda Bernard Hinault aposta “em breve teremos o confronto com Paul Seixas”, assista o vídeo

Após mais uma temporada de supremacia incontestável de Tadej Pogacar, as recentes declarações da UAE Emirates, afirmando que o esloveno “ainda pode evoluir”, levantam a questão: até onde o melhor ciclista da atualidade pode chegar?

Cyrille Guimard, ex-treinador de Bernard Hinault e Laurent Fignon, e com nada menos que 53 participações no Tour de France (como atleta e diretor), falou ao canal francês Cyclism’Actu, alertando que o prodígio francês Paul Seixas (Decathlon AG2R), deve ser o próximo rival do fenômeno esloveno.

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Paul Seixas e Cyrille Guimard

“Veremos um confronto entre duas gerações: Tadej Pogacar e Paul Seixas”

Segundo Guimard, nas grandes voltas, há apenas um protagonista: Pogacar. “O ciclismo prospera em rivalidades entre estrelas, não apenas entre ‘grandes campeões’. Nos Grand Tours, há apenas uma estrela: Pogacar”

“Nas Clássicas, temos Van der Poel e Pogacar, além de Evenepoel como terceiro homem. E tenho a sensação de que rapidamente veremos um verdadeiro confronto entre duas gerações: Pogacar e Paul Seixas”, afirmou o técnico francês.

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Tadej Pogacar com Paul Seixas na roda durante o Criterium du Dauphiné 2025

“O maior inimigo de Pogacar é ele mesmo”

Questionado sobre quem poderia destronar o esloveno, Guimard foi direto: “O maior perigo para Pogacar é ele mesmo. O risco é o cansaço, a queda de motivação”.

Para o ex-técnico, a continuidade da hegemonia de Pogacar depende de sua ambição: “Ele pode seguir dominando enquanto mantiver a fome e a disciplina. Se quiser quebrar todos os recordes, ele precisará continuar obcecado. No dia em que perder essa obsessão, ele cairá.”

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“Não se vai ao Tour para aprender, vai-se para vencer”

Sobre o jovem Paul Seixas, apontado por muitos como o sucessor natural de Pogacar, Guimard mostrou cautela: “Falamos muito dele, e com razão. O que ele fez nos últimos 2 anos é impressionante. Mas o verdadeiro perigo não é o desgaste físico, e sim o psicológico, por causa das expectativas excessivas.”

Ele relembrou a época de Bernard Hinault para contextualizar: “Naquele tempo, diziam o mesmo: Eu já vivi isso e repito: não se vai ao Tour para aprender, vai-se para vencer”.

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Seixas no pódio do Campeonato Europeu, ao lado de Tadej Pogacar e Remco Evenepoel

Um ciclista como Seixas não pode apenas chegar e terminar em 6º ou 8º. Quando for, será para disputar a vitória”, complementa Guimard.

Guimard acredita que Seixas ainda precisa amadurecer física e mentalmente: “Isso acontece por volta dos 21 ou 22 anos. 2026 deve ser um ano de aprendizado. Só então ele poderá sonhar com um Grand Tour, mas quando estiver pronto para vencer, não apenas para participar.”

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“Um Grand Tour, sim; o Tour de France, ainda não, ele não terá 20 anos”

Por fim, o ex-diretor da Renault-Gitane comentou a recente afirmação de Seixas de que pretende disputar seu primeiro Grand Tour em 2026.

“Um Grand Tour, sim. Mas o Tour de France, não. Que ele vá à Vuelta, por que não? Lembre-se: ele não terá nem 20 anos nessa altura. É preciso paciência para ganhar tempo.”

Com seu olhar experiente, Cyrille Guimard traça um retrato duplo: de um Pogacar em seu auge, mas vulnerável à própria grandeza, e de um Seixas em ascensão, que precisa crescer longe das pressões. Dois polos de uma mesma era que promete redefinir o futuro do ciclismo mundial.

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