Maglia Rosa do Giro d’Italia se aposenta e denuncia os perigos do pelotão “extremamente perigoso e infelizmente, acho que só vai piorar”

Após 14 anos de dedicação ininterrupta à mesma equipe, desde os tempos da Team Sky até a atual INEOS Grenadiers, o italiano Salvatore Puccio anunciou sua aposentadoria do ciclismo profissional.

Considerado um dos gregários mais valiosos do pelotão, o siciliano foi peça essencial nas conquistas de nomes como Bradley Wiggins, Geraint Thomas, Mark Cavendish e Egan Bernal.

Em entrevista ao TuttoBiciWeb, Puccio refletiu sobre as transformações que testemunhou ao longo da carreira. Segundo ele, que chegou a vestir a Maglia Rosa do Giro d’Italia em 2013, após o Contrarrelógio por equipes da 2ª etapa, o ciclismo moderno tornou-se mais rápido e mais perigoso.

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Salvatore Puccio no Giro 2013

“As quedas que vemos representam apenas 1% do que realmente acontece”

“Está extremamente perigoso e desgastante. Quase ninguém freia mais. Se você desacelera por um instante, perde 40 posições, e para voltar é brutal”, declarou.

“Se você deixar uma pequena diferença, alguém se joga na frente imediatamente. Não se trata de marchas, é mental. As quedas que vemos na TV representam apenas 1% do que realmente acontece no pelotão.”

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Salvatore Puccio na Il Lombardia 2025

“Para me manter competitivo no inverno passado, eu treinava 3x ao dia”

A decisão de se aposentar foi amadurecida após uma temporada marcada por lesões. Puccio quebrou o pulso antes do Tour dos Alpes, o que o deixou fora do Giro d’Italia.

Quando retornou no final do ano, percebeu o quanto o ciclismo havia mudado. “O ciclismo mudou muito, é muito mais exigente agora”, comentou. “Para me manter competitivo no inverno passado, eu treinava 3x ao dia”.

INEOS prestou-lhe homenagem no último treino

“O caos começa do km zero e infelizmente, acho que só vai piorar”

Costumávamos pedalar 5 horas seguidas depois de uma omelete; agora você sai para o treino com os bolsos cheios de géis, aprendendo a absorver 120 gramas de carboidratos por hora”, ressaltou Puccio.

A intensidade crescente trouxe também preocupações com a segurança: “O pelotão está tão unido agora que o caos começa do km zero”, explicou. “Recentemente, cheguei a 84 km por hora em uma descida e fiquei com medo. Infelizmente, acho que só vai piorar.”

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“Cada vitória dos meus companheiros parecia minha”

Desde sua estreia profissional em 2011, Puccio permaneceu fiel à mesma estrutura de equipe, conquistando o respeito de companheiros e diretores.

“Sempre usei a mesma camisa porque me sentia bem nesta equipe”, afirmou. Mesmo sem vitórias individuais, o italiano afirmou que mede o sucesso de outra forma:

“Cada vitória dos meus companheiros de equipe parecia minha. Sempre tive a sorte de correr com verdadeiros campeões. Para um gregário, isso é tudo, você pode trabalhar o quanto quiser, mas se o seu líder não vencer, seu esforço não vale nada.”

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Um novo caminho no ciclismo

Com o mesmo comprometimento que marcou sua carreira, Puccio já iniciou o curso da UCI para se tornar diretor esportivo. Ele pretende continuar contribuindo para o esporte, agora fora da bicicleta.

“Gostaria de entrar no carro da equipe, mesmo que seja para outra equipe”, revelou.

“Vou me inspirar em Matteo Tosatto, que é cheio de carisma e sabe como motivar, e em Dario David Cioni, que é calmo e comedido. Idealmente, gostaria de estar em algum lugar entre os dois”, finalizou Salvatore Puccio.

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