“Lance Armstrong ganhou e perdeu mais que qualquer um no esporte” Mark Cavendish lança livro e fala sobre sua carreira, assista o vídeo
Mark Cavendish, um dos maiores nomes da história do ciclismo, é testemunha viva de várias eras do esporte. Detentor do recorde de vitórias em etapas do Tour de France, o britânico acompanhou de perto a transição do ciclismo dos tempos de Lance Armstrong até a era moderna.
Em uma entrevista ao programa TalkSPORT, onde apresentou seu livro “Acredite”, uma autobiografia dos seus anos como ciclista profissional, Cavendish falou sobre sua trajetória, os desafios enfrentados durante sua luta contra o vírus Epstein-Barr e compartilhou suas visões sobre o doping no ciclismo.

“O vírus Epstein-Barr me deixou de joelhos por alguns anos”
Durante sua carreira, Cavendish enfrentou momentos de enorme dificuldade, especialmente quando foi diagnosticado com o vírus Epstein-Barr, condição que o afastou das competições por um longo período.
“Normalmente, você tira alguns meses de folga e se recupera. O meu foi diagnosticado erroneamente e acabou me deixando de joelhos por alguns anos”, relembrou o britânico.

“Não consegui emprego depois daquilo“
O momento mais delicado de sua carreira veio em 2020, após uma temporada decepcionante pela Bahrain-Victorious. “O mais difícil na altura era arranjar emprego”.
“Não consegui emprego depois daquilo, tinha feito tudo o que tinha para fazer, e há pessoas que nunca ganharam uma corrida de ciclismo, e provavelmente nunca ganharão, que conseguiram emprego antes de mim, mesmo tendo ganho todas estas corridas, porque eu estava doente”, contou Cavendish.
A reviravolta aconteceu quando a Soudal-Quick-Step o contratou em 2021. Sob o comando de Patrick Lefevere, Cavendish renasceu profissionalmente e voltou a vencer e vestir a camisa de líder da Classificação por Pontos no Tour de France.

Enquanto buscava o recorde de vitórias no Tour de France, a doença ameaçou encerrar sua carreira de forma precoce. Em meio à incerteza, Cavendish assinou com a Astana em 2023 e anunciou a aposentadoria durante o Giro d’Italia, mas acabou voltando atrás.
A renovação por mais uma temporada rendeu-lhe a conquista da vitória que tanto sonhava, encerrando sua trajetória com 35 vitórias no Tour de France.
Ainda assim, ele reconhece que a carreira não foi livre de obstáculos. “Acho que para qualquer desportista, se você não consegue praticar o seu desporto a um alto nível, essa é a sua vida, é como você ganha a vida, é tudo o que você é como pessoa”.

“Lance Armstrong ganhou e perdeu mais que qualquer um no esporte”
Durante a entrevista, Cavendish foi questionado sobre o doping. O britânico foi direto: “Nunca nos livraremos do nosso passado como esporte, mas o ciclismo investe tempo, esforço e dinheiro no combate ao doping. Ainda haverá pessoas pegas trapaceando e coisas do tipo.”
“Isso machucou muito a imagem do esporte, mas não me entenda errado, se a imagem foi afetada foi porque existiam pessoas trapaceando”, completou Cavendish.
Mark Cavendish falou também sobre seu ídolo de infância, Lance Armstrong.
“Ele era um ídolo para mim quando eu era mais jovem. Lance foi muito bom para mim. Acho que, obviamente, Lance ganhou muito mais com o esporte do que qualquer outra pessoa. Da mesma forma, ele perdeu muito mais do que qualquer outra pessoa no esporte.”

“O ciclismo é um dos esportes mais limpos do mundo”
Para Cavendish, o doping não é um problema exclusivo do ciclismo. “Não é como se eu dissesse: ‘Sou um trapaceiro, então vou ser ciclista’. Não é assim que funciona. Acontece em todos os esportes”.
“Acontece no entretenimento, nos negócios, em qualquer lugar onde haja dinheiro envolvido, as pessoas trapaceiam. Se você investir tempo, esforço e dinheiro para pegar um trapaceiro, você conseguirá; foi isso que o ciclismo fez em grande escala.”

O britânico destaca, porém, que a situação melhorou de forma significativa. “Digo a vocês, eu não teria conseguido fazer o que fiz no esporte se o ciclismo fosse como era no passado”.
“Vinte anos depois, estou respondendo perguntas sobre isso, o que sempre acontecerá. Mas é realmente bom poder falar sobre como eu vejo e como vivenciei isso.”
Concluindo, Cavendish expressou orgulho em fazer parte de um esporte que, segundo ele, lidera a luta pela integridade competitiva: “Eu sei que, fundamentalmente, acredito que competi em um dos esportes mais limpos do mundo, se não o mais limpo, porque eles fazem o que é preciso para combater o doping.”