“Os ciclistas estão sendo feitos de reféns” fusão da Lotto e Intermarché recebe graves denuncias
Com a aproximação da nova temporada de ciclismo, a fusão entre Lotto e Intermarché-Wanty segue envolta em indefinição.
Para o presidente da CPA (Cyclistes Professionnels Associés), o australiano Adam Hansen, essa falta de clareza tem afetado diretamente os ciclistas.
Ex-ciclista da Lotto por uma década (2011-2020), Hansen tenta lidar com essa união entre suas antigas equipes, em um cenário que ele descreve como caótico e prejudicial aos profissionais envolvidos.

“O próprio ciclista não pode fazer nada para sair”
“As equipes podem decidir se mantêm ou não um ciclista, mas o próprio ciclista não pode fazer nada para sair”, afirmou o chefe da principal entidade representativa dos ciclistas profissionais, ao canal belga Sporza.
Segundo Hansen, cada WorldTeam pode ter até 30 ciclistas sob contrato, no entanto, a junção entre a Lotto e a Intermarché somaria 43 atletas. “Essa é uma situação dos sonhos para a nova equipe, porque eles podem simplesmente escolher com quem querem continuar e com quem não querem”.

“A equipe foi desonesta com os ciclistas e com os agentes”
No entanto, ele destaca que, do ponto de vista dos ciclistas, trata-se de uma realidade injusta e estressante, pois ficam impedidos de buscar alternativas enquanto seus contratos continuam válidos.
Além disso, Hansen criticou duramente a comunicação das equipes, que chamou de “confusa” e insuficiente. “Por isso, organizei uma reunião há algum tempo com a UCI e os dirigentes de ambas as equipes. Exigimos uma lista dos ciclistas que teriam que sair“.
“Até mesmo os ciclistas que tinham 100% de certeza de que fechariam contrato me procuraram por estarem inseguros”, revela Hansen.
“Os ciclistas confiam em seus agentes, mas a equipe não foi desonesta apenas com os ciclistas, como também com os agentes”, desabafou o australiano.

“Os ciclistas estão sendo feitos de reféns, todo o poder está com as equipes”
A situação se agrava ainda mais com a indefinição em torno de nomes como o de Biniam Girmay, cuja permanência pode implicar na dispensa de outro ciclista.
Hansen revelou que um dos atletas que constava na lista de dispensas, encontrou uma nova equipe, mas foi impedido de sair, pois a fusão ainda não havia sido totalmente resolvida.
“É isso que quero dizer com ciclistas sendo mantidos como reféns. As equipes podem decidir se mantêm ou não um ciclista em seus contratos, mas o ciclista não pode decidir se quer ou não ficar.”

“A lei permite até até 31 de dezembro para avisar os ciclistas, triste verdade”
Hansen destaca que a UCI tem poucas ferramentas legais para intervir na situação, já que as duas equipes possuem licenças belgas e a legislação trabalhista da Bélgica prevalece sobre as leis esportivas. “A UCI até tem boas regulamentações, mas a legislação trabalhista belga ainda prevalece neste caso.”
“Essa lei permite até que as equipes esperem até 31 de dezembro para avisar os ciclistas. Essa é a triste verdade. Queremos um protocolo melhor para essas fusões no futuro, em que os ciclistas recebam informações claras muito mais cedo”, finalizou Adam Hansen.