Gregário de Tadej Pogacar revela frustração com temporada “o Tour de France foi uma grande decepção para mim”
Pavel Sivakov é um dos ciclistas que despontavam com grande potencial, após uma carreira de sucesso nas categorias de base, mas que acabou enfrentando um caminho mais turbulento no ciclismo profissional.
Em entrevista ao Cyclingnews, o francês, um dos principais gregários de Tadej Pogacar na UAE Emirates, falou com franqueza sobre a temporada, por não ter atingido o nível esperado, lançando também, críticas à sua antiga equipe, a INEOS Grenadiers.

“É bom que as pessoas me perguntem sobre isso”
Vencedor do Baby Giro (atual Giro Next Gen) e do Giro Valle d’Aosta em 2017, Sivakov juntou-se ao Team Sky (atual INEOS Grenadiers) no ano seguinte, cercado de expectativas.
Em 2019, seu 2º ano no WorldTour, o francês brilhou com vitórias no Tour dos Alpes e no Tour da Polônia, além de um impressionante 9º lugar no Giro d’Italia, com apenas 22 anos. Parecia o início de uma trajetória promissora, mas os anos seguintes não confirmaram o mesmo brilho.

“Refleti bastante sobre minha trajetória profissional. É bom que as pessoas me perguntem sobre isso, e é algo sobre o qual não tenho receio de falar”, contou Sivakov ao Cyclingnews.
“Refletir e tentar entender o que aconteceu comigo faz parte da minha jornada. 2019 foi minha temporada de destaque, depois tive 2 ou 3 anos em que não me desenvolvi como gostaria”, admitiu.
Críticas à INEOS e ao modelo de treinamento
Sivakov reconhece que parte da culpa foi sua, mas aponta que o ambiente da INEOS e o método de preparação adotado também o prejudicaram. “Tive algumas dificuldades naquela época, talvez inicialmente no nível mental”.
“Coloquei muita pressão em mim mesmo, tentando fazer demais. Talvez eu não tivesse confiança suficiente em mim para ouvir meu corpo e apenas segui os planos de treinamento do meu treinador”, afirmou.

“Eu via Thomas e Froome conquistando cada vez mais e queria fazer igual, vira um ciclo vicioso”
O ciclista acredita que sua formação e o estilo rígido da família influenciaram seu comportamento.
“Acho que vem um pouco das minhas raízes, talvez dos meus pais, do estilo soviético, onde mesmo exausto, você treina, se dedica, faz mais”, contou Sivakov, que nasceu na Itália, é filho de russos e cresceu na França.
“Eu via Geraint Thomas e Chris Froome conquistando cada vez mais e queria fazer o mesmo. Aí você começa a se estressar demais, treinar demais, fazer dieta em excesso e até sofrer muitas quedas de desempenho. Vira um ciclo vicioso”, relatou.

“Tadej não se estressa com as coisas. Eu não sou assim”
Após ficar sem espaço na INEOS, Sivakov decidiu mudar e assinou com a UAE Emirates em 2024, assumindo o papel de gregário de Tadej Pogacar nos Grand Tours.
Apesar disso, ele ainda alimenta o sonho de conquistar uma vitória importante. “Tenho sorte, tenho um bom motor, tenho algum talento, então sempre tive um bom desempenho aqui e ali, mas nunca fui realmente consistente”, reconheceu.
Ele também elogiou a calma e a mentalidade positiva de Pogacar. “Tadej tem a capacidade de manter a calma e não se estressar com as coisas. Eu não sou assim; eu costumava me estressar com pequenos detalhes, e isso acabou me prejudicando.”

Sivakov fez ainda uma comparação com o jovem francês Paul Seixas, com quem conviveu em competições internacionais.
“Ele é como Tadej e Geraint Thomas. Ele não é como eu; não pensa demais nas coisas. Depois de conhecê-lo, acho que, contanto que ele goste de competir e andar de bicicleta, ele se sairá bem.”
“O Tour de France foi uma grande decepção para mim“
A temporada de 2025 teve altos e baixos. Sivakov venceu a Vuelta a Andalucía, mas enfrentou problemas de saúde que o afetaram na Paris-Nice, na Volta a Catalunya e no Tour de France.
“O Tour foi uma grande decepção para mim. Eu queria estar lá com os caras e em ótima forma, mas fiquei para trás na primeira subida. Isso foi mentalmente difícil porque sei que posso fazer melhor”, explicou o francês, cujo melhor resultado no Tour, foi um 28º lugar na 15ª etapa em Carcassone.
“Sofri pessoalmente, mas fazer parte da equipe vencedora do Tour novamente é sempre especial”, complementou Sivakov.

O francês acredita que está no caminho certo para voltar ao seu melhor nível. “Continuo progredindo a cada ano; meus números continuam melhorando. Acredito sinceramente que chegarei ao meu auge porque aprendi a me administrar muito melhor”.
“Ainda tenho ambições. Quero vencer. Estou tentando encontrar um bom equilíbrio, evitar erros e estar presente o ano todo, dando o meu melhor. Não é fácil para ninguém”, complementou.
“Ainda quero lutar por vitórias”
Mesmo satisfeito com seu papel de apoio a Pogacar, Sivakov não quer ser visto apenas como gregário. “Não quero me acomodar demais nem me tornar apenas um gregário”.
“Fico feliz em trabalhar para o Tadej e a equipe quando posso fazer a diferença, mas ainda quero tentar vencer corridas, atacar e lutar pela vitória. É para isso que treino todos os dias”, finalizou Pavel Sivakov.