“Adoro Tadej Pogacar, mas com ele o suspense é limitado” técnico da seleção francesa fala francamente sobre a temporada, assista o vídeo
O ex-ciclista profissional e atual técnico da seleção francesa, Thomas Voeckler, concedeu uma extensa entrevista ao canal francês Cyclism’Actu.
Na conversa, ele falou sobre o final da temporada, o impacto de Tadej Pogacar (UAE Emirates-XRG) no esporte, as novas promessas francesas e os riscos econômicos que ameaçam o equilíbrio do ciclismo profissional.

“Paul Seixas superou todas as expectativas, é impressionante”
Questionado sobre o balanço desse período particularmente exigente, Voeckler foi direto ao ponto: “Considerando a posição do ciclismo francês no cenário internacional, estou orgulhoso do desempenho dos meus ciclistas.”
Segundo ele, o nível do Campeonato Europeu, última prova da seleção francesa, era o de uma grande clássica. “A lista de inscritos era digna de uma grande clássica: Ayuso, Vingegaard, Pogacar, Evenepoel, todos os países escalaram seus melhores ciclistas”.
“Tínhamos construído a equipe em torno de Romain Grégoire, e se isso não desse certo, outros teriam sua chance. Paul Seixas (Decathlon AG2R La Mondiale), superou todas as expectativas. Para a idade dele, é impressionante.”

Voeckler admite que sempre deseja voltar para casa com uma vitória, mas reafirmou que a França não tem motivo para se envergonhar: “Alguns ciclistas se superaram. Não vencemos porque havia ciclistas mais fortes.”
“Adoro Tadej Pogacar, mas quando ele larga o suspense costuma ser limitado”
A temporada de 2025 foi marcada pelo domínio da UAE Emirates e, sobretudo, por Tadej Pogacar. Para Voeckler, trata-se de algo extraordinário e, ao mesmo tempo, problemático.
“Tadej Pogacar é admirável. O que ele faz é incrível, com uma simplicidade e uma alegria de pilotar que inspiram respeito. Adoro o Pogacar, mas quando ele larga numa corrida, o suspense costuma ser limitado.”
Ele afirma que muitos ciclistas inclusive evitam competir em provas onde o esloveno está presente — exceção feita ao Tour de France, onde não há opção. “No Campeonato Europeu, o interesse na corrida era pelo 3º lugar. O público assistia para ver quem subiria ao pódio”

Orçamento dobrado nos últimos 5 anos
Além disso, Voeckler afirma estar preocupado com o poderio financeiro da UAE Emirates. “Quando uma equipe recruta os melhores jovens talentos e, talvez opere dentro de uma estrutura financeira diferente das equipes patrocinadas por empresas tradicionais, acaba desregulamentando o mercado”.
“Para estar entre as 10 melhores do mundo hoje, é preciso um orçamento que dobrou em comparação com 5 anos atrás. Isso não é sustentável para todos”, complementou Thomas Voeckler.

Paul Seixas: esperança do ciclismo francês
Ao ser perguntado sobre o que espera da grande revelação francesa, Paul Seixas para 2026, Voeckler falou como fã do esporte: “Adoro ciclismo e, quando surge um talento como ele, todos nós sonhamos.”
O técnico explicou que o que mais o impressionou foi a evolução física do jovem francês em 2025. Ele ressaltou que o desempenho no Mundial (terminou na 13ª posição) foi determinante “O Campeonato Mundial, num percurso tão difícil, foi um verdadeiro ponto de virada para ele mentalmente.”
Voeckler adota uma abordagem paciente e estratégica para o futuro de Seixas: “O que eu espero? Não resultados. Progresso. Que ele continue no seu caminho, administre as expectativas e caminhe rumo ao mais alto nível, sem pressa.”

Expectativas para 2026: “Um pouco mais de suspense”
Encerrando a entrevista, Voeckler expressou esperança de que o próximo ano ofereça mais equilíbrio competitivo: “Um pouco mais de suspense.”
Ele aponta para a nova geração francesa como um dos fatores que podem renovar o cenário das grandes corridas: “Romain Grégoire, Kevin Vauquelin, Paul Magnier… Se alguns deles conseguirem se firmar como candidatos regulares aos títulos, ou até mais, teremos uma ótima temporada.”
Assim, ele conclui com otimismo: “Uma temporada de 2026 mais aberta e imprevisível: isso seria perfeito.”