Campeão Europeu critica organização do Tour de France “será que tudo isso é mesmo necessário?”, ciclista não esconde frustração

Os sprinters puros têm enfrentado cada vez mais dificuldades no ciclismo moderno. Tim Merlier (Soudal Quick-Step) é um dos ciclistas que mais sente essa mudança, já que suas oportunidades, especialmente nos Grand Tours, parecem diminuir ano após ano.

Em conversa com Jan Bakelants do jornal Het Laatste Nieuws, o Campeão Europeu de Estada em 2024, falou francamente sobre a tendência atual das provas, que privilegiam as etapas com grandes montanhas, em detrimento às chegadas em sprint.

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Merlier ao vencer a Omloop van Het Houtland

Tour de France 2026: “Será que tudo isso é mesmo necessário?”

Ao analisar o percurso do Tour de France 2026, Merlier foi direto ao falar sobre suas expectativas.
“Hum… umas seis chances de sprint, no papel”, disse ele ao HLN.

“Mas terei que ver se na realidade serão tantas. Tal como este ano, teremos uma edição muito difícil. Especialmente nessa última semana. E nessa penúltima etapa! Será que tudo isso é mesmo necessário?”

A razão para sua preocupação está no desenho da última semana, repleta de duras subidas. Para o belga, essa configuração reforça uma tendência clara: a redução dos sprints nos Grand Tours.

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Tim Merlier ao vencer a 3ª etapa do Tour de France 2025

“Há uma pressão por menos sprints e mais espetáculo nas Grandes Voltas”

Merlier observa que a busca por etapas mais duras tem consequências generalizadas. “Há uma pressão por menos sprints nas Grandes Voltas. E mais espetáculo. Mas o fato é que os escaladores e os ciclistas da classificação geral também se cansam e precisam de recuperação nessa fase final”.

Nem sempre precisa ser mais difícil para ser bonito”, complementa.

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Jan Bakelants e Tim Merlier

“No boxe, os pesos-leves nunca enfrentam os pesos-pesados

A discussão vai além das Grandes Voltas. Merlier teme que o ciclismo continue caminhando para percursos que favoreçam somente atletas muito leves.

“Será que vamos mesmo evoluir para percursos onde apenas ciclistas com até 70 quilos têm futuro, e os velocistas puros ficam para trás?”

“No boxe, os pesos-leves nunca enfrentam os pesos-pesados. No ciclismo, isso acontece, em uma Grande Volta como esta. Isso torna o esporte bonito, claro, mas, de certa forma, também é ilógico”, afirma Merlier, comparando os esportes.

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“Não há nada de errado em um Mundial feito sob medida para os sprinters”

Para ele, isso também afetaria o próprio Campeonato Mundial. O último Campeão Mundial que venceu em sprint foi Peter Sagan, em 2017. Desde então, nenhum puro velocista vestiu a camisa arco-íris.

“Não há nada de errado com uma disputa pela camisa arco-íris, feita sob medida para os ciclistas mais rápidos, certo? Receio que essa oportunidade nunca chegue para mim”, lamenta Merlier.

Bakelants chegou a sugerir que Abu Dhabi poderia oferecer essa chance, mas com ressalvas:
“Se eles não construírem uma montanha artificial lá para o Pogacar, claro”, brincou o jornalista.

Merlier respondeu no mesmo tom: “Eles estão trabalhando nisso. Ao lado daquele circuito. Todo ano vemos aquela montanha crescer no UAE Tour.”

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“Só me falta é uma vitória de etapa na Vuelta a España”

O belga também comentou sobre a possibilidade de disputar a Vuelta a España e completar a trilogia das Grandes Voltas, vencendo uma etapa em cada uma delas.

“Ah, sim, está nos meus planos. A única coisa que falta é uma vitória de etapa na Vuelta. Mesmo lá, os percursos nem sempre são os mais fáceis, com poucos sprinters, o que torna mais difícil controlar a prova e, portanto, mais difícil vencer.”

“Já faz alguns anos que peço para participar da Vuelta a España, mas combinar isso com outro Grand Tour não é mentalmente viável para mim”.

Já fiz isso uma vez, em 2021, e venci tanto o Giro quanto o Tour. Foi também quando ganhei esse famoso título”, finalizou com bom humor, lembrando que não terminou nenhuma das duas provas naquele ano.

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