Tadej Pogacar analisa a carreira e vida pessoal em longa entrevista “não sou um super-herói, só um cara normal”
Durante uma visita a Brescia para participar de um encontro organizado por seu agente, Alex Carera, Tadej Pogacar conversou com La Gazzetta dello Sport e compartilhou reflexões sobre sua trajetória e seus planos para o futuro.
O esloveno mostrou serenidade ao recordar que está prestes a iniciar sua oitava temporada entre os profissionais.
“A cada ano, meu espírito muda um pouco. Mas a constante, de uma temporada para a outra, é a motivação para estar ansioso para voltar a competir”, analisou Pogacar ao comentar seus oito anos de carreira.

“Eu não consigo ficar em casa no sofá“
Questionado sobre onde encontra tanta motivação, ele respondeu com naturalidade: “Eu não consigo ficar em casa no sofá sem fazer nada! Adoro ciclismo e competições; pratico desde os 9 anos de idade. A adrenalina faz parte de mim. Mas há uma coisa que me motiva ainda mais:”
“Ver até onde posso me superar para melhorar. Treinos, competições, tudo. Encontrar novas maneiras de progredir, manter-me no topo. Em resumo, continuar sendo a melhor versão de mim mesmo.”

“Minha evolução deve-se ao meu novo treinador e o nutricionista”
Ele também reconheceu que 2024 e 2025 marcaram uma evolução expressiva. Ele reconhece que grande parte desse salto deve-se ao trabalho de dois profissionais da UAE Emirates.
“Provavelmente meu novo treinador, Javier Sola, e o nutricionista Gorka Prieto. Conversamos com o Javier todos os dias; ele é um ótimo guia e nos damos muito bem. Quanto ao Gorka, ele é uma das pessoas mais dedicadas que já conheci”.
“Ele cria planos nutricionais individuais, todos diferentes, para 30 corredores… A nutrição agora está quase perfeita e, até alguns anos atrás, era difícil para mim segui-la, mas agora entendo o quão importante ela é. O quanto ela pode fazer diferença no desempenho.”

“Milan-Sanremo e Paris-Roubaix estão no mesmo nível do Tour de France”
Pogacar falou também sobre suas prioridades para 2026. Além do Tour de France e do Campeonato Mundial, há ambição renovada por clássicas que ainda não venceu.
“Sim, não é segredo que vou tentar estar em ótima forma para essas duas ocasiões. São dois objetivos para mim e para a equipe.”
“Eu sempre opto pela maior variedade possível, mesmo que sejam 7 Tours. Sim, o Tour é a maior prova, mas nos outros eventos também você tem que vencer os melhores. Sempre. E, portanto, aos meus olhos, estão todos no mesmo nível”, complementou Pogacar.

“É importante ter um bom calendário de provas e um excelente equilíbrio“
O presidente da UCI, David Lappartient, recentemente comentou que os salários crescem, mas a felicidade diminui no ciclismo, um tema que reacendeu o debate sobre esgotamento mental no esporte.
“O problema existe. Para evitar o risco, falando por mim, é importante ter um bom calendário de provas e um excelente equilíbrio entre campos de treinamento, competições e treinos em casa”.
“Por exemplo, alguém pode estar incrivelmente forte em um dia de treino e, no dia seguinte, sentir vontade de fazer um treino ainda mais intenso. Mas dessa forma, não descansa e não se recupera. Um ciclo vicioso. Em vez disso, é preciso saber se dar um descanso. Encontrar um equilíbrio”.

“Não sou um super-herói, só um cara normal”
Ser considerado o número um do mundo, segundo ele, não o afasta da realidade. “Sim. Acho que sou equilibrado. Não gosto de festas em excesso nem de gastar dinheiro à toa”.
Fora da bicicleta, Pogacar garante levar uma vida comum. “Exatamente. Por exemplo, meu antigo treinador me contou como os jogadores de futebol costumam ter um chef particular, alguém para fazer compras, alguém para cuidar da casa…”
“Bom, isso não é para mim e para a Urska. Sim, às vezes não é fácil, com a casa bagunçada e malas por todo lado, mas preferimos cuidar das coisas nós mesmos”.
“Eu gosto de ir ao supermercado e comprar o que preciso. Ou limpar o quarto, as janelas. Ou até mesmo dar uma caminhada. Não sou um super-herói, só um cara normal”, finalizou Tadej Pogacar.
