Tiesj Benoot explica saída da Visma-Lease a Bike “serei capitão de estrada no Tour de France” revela o novo gregário de Paul Seixas
Após 4 temporadas atuando como um dos principais gregários da Visma-Lease a Bike, Tiesj Benoot iniciará um novo capítulo em sua carreira a partir de 2026, com as cores da Decathlon CMA CGM.
Em entrevista ao canal Domestique, o belga, fundamental em diversas vitórias de Jonas Vingegaard e Wout van Aert, detalhou as razões para sua decisão, o papel que exercerá na nova estrutura e o conselho que deixa para o jovem talento da equipe, Paul Seixas.

“Senti que era o momento de sair da minha zona de conforto“
Mesmo tendo conquistado vitórias individuais com a Visma, como a Kuurne-Bruxelas-Kuurne (2023), Benoot reconhece que a decisão de deixar a equipe holandesa gerou dúvidas.
“Com certeza foi difícil deixar a Visma, porque eu não tinha um motivo real para sair”, afirmou o Belga. “Eu era feliz lá e me orgulhei de fazer parte da equipe por 4 anos. Mas, no fim, tive que fazer uma escolha, e acho que esta é a última vez na minha carreira que posso realmente dar esse passo”.
“Assinei um contrato de 3 anos com a Decathlon, então terei quase 35 anos quando ele terminar. Simplesmente senti que era o momento certo para sair da minha zona de conforto novamente.”
As declarações foram dadas após uma bateria de testes realizada com sua nova equipe na pista de Zolder, na Bélgica.

“Capitão de estrada no Tour de France”
Com a chegada de Benoot, a Decathlon ganha um ciclista capaz de desempenhar duplas funções: ser referência nas Clássicas de paralelepípedos e atuar como capitão de estrada nos Grand Tours.
“Eles querem que eu traga minha experiência nas Clássicas, mas que dispute o Tour de France mais como capitão”, explicou.
“Terei um papel de liderança um pouco maior e um pouco mais de liberdade nas Clássicas, embora eu deva dizer que nunca tive a sensação na Visma de que precisava me sacrificar muito cedo na corrida.”
A combinação de experiência, solidez técnica e capacidade de liderança faz de Benoot uma peça-chave para o projeto da equipe francesa.

“Paul Seixas não fala só de números de potência e carboidratos“
Na Decathlon, Benoot passará a trabalhar diretamente com o grande nome da nova geração da equipe, Paul Seixas, de apenas 19 anos, em quem o projeto esportivo tem sido amplamente sustentado.
“Minha primeira impressão é que ele ainda é um garoto”, comentou Benoot. “Mas ele é muito pé no chão, um cara legal”.
“E, ao contrário de muitos jovens no pelotão, ele não fala só de números de potência e carboidratos, o que é ótimo, porque meu maior conselho para ele seria procurar algo fora do ciclismo”.

É importante ter um hobby, ou pelo menos algo que realmente te interesse – seja estudar na universidade, pescar ou qualquer outra coisa, não importa”, complementou Benoot.
Para o belga, lidar com a pressão é tão importante quanto o talento natural: “Não podemos eliminar a pressão, você precisa lidar com ela. Algumas pessoas nascem para isso, outras não, e isso é um talento em si. O Remco, por exemplo, é um ótimo exemplo de alguém que lida muito bem com a pressão.”
“Agora tudo é medido, é mais difícil manter o prazer”
Benoot também analisou como sua carreira acompanhou uma transformação profunda no ciclismo: a era da análise de dados. “Agora que tudo é medido, é mais difícil manter o prazer no que se faz”, afirmou, destacando que dependência tecnológica trouxe benefícios, mas também desafios.
Para Benoot, o próximo grande passo deve estar no apoio psicológico aos atletas. “Todos começamos a andar de bicicleta como um hobby. Alguns se profissionalizam, ganham algumas corridas e a diversão desaparece, e param cedo porque perdem o prazer devido à grande responsabilidade”, refletiu.
Ele reforça que buscou manter uma perspectiva equilibrada ao longo da carreira: “O ciclismo é a minha paixão, gosto muito de estar na corrida e gosto de treinar. Mas é preciso ter equilíbrio na vida para garantir que essa paixão não se perca ao longo do caminho“, finalizou Tiesj Benoot.
