Visma Lease a Bike registra prejuízo de € 6,1 milhões e acende o alerta no WorldTour, proprietários precisaram cobrir déficit
A situação financeira da Visma Lease a Bike, principal rival da dominante UAE Emirates XRG de Tadej Pogacar, ajuda a ilustrar os desafios econômicos vividos pelas equipes do WorldTour.
As informações sobre o balancete da equipe durante o ano de 2024, foram divulgadas recentemente pelo canal especializado Money in Sport, que analisou os documentos contábeis mais recentes da equipe.

Receitas de € 52 milhões com prejuízo de € 6,1 milhões
A Visma Lease a Bike apresentou suas demonstrações financeiras referentes a 2024, o primeiro ano desde a separação entre a atual Yellow B Cycling BV e a Team Oranje BV, antiga parceira no projeto. Também foi o ciclo inaugural sem a Jumbo como copatrocinadora.
Para preencher o vazio, entraram a empresa de software Visma e a PON, proprietária da Cervélo e da Lease-a-Bike, entretanto os recursos não foram suficientes e controladora Yellow B Cycling Holding BV somou um prejuízo operacional de € 6,1 milhões, apesar de ter alcançado receitas de € 52 milhões.

Despesas atingem 63,5% e proprietários cobrem prejuízo
As despesas operacionais revelam um ponto sensível. Os gastos com pessoal, que totalizaram € 32,9 milhões, representam 56% de todos os custos e equivalem a 63,5% da receita anual da equipe.
O percentual acompanha o de outros times do WorldTour, como Decathlon (59,9%) e Groupama (74,3%), e ainda é bem inferior ao da Movistar, que destinou 88,6% da receita ao pagamento de salários.

Um diferencial importante da Visma-Lease a Bike é o elevado número de funcionários, entre ciclistas e equipe técnica, foram 172 contratados em 2024.
Para compensar o déficit, os coproprietários precisaram intervir financeiramente: Richard Plugge, CEO da equipe (via RichSports Management BV), e Robert van der Wallen, também presidente do PSV Eindhoven, cobriram pessoalmente a diferença.
Comparação com outras equipes
O ponto de atenção mais preocupante é o rombo de € 6,06 milhões entre despesas e receitas, um valor administrável por um ano, mas que se torna insustentável caso se repita.
Para efeito de comparação, Money in Sport mostra que Astana, Decathlon e Movistar registraram prejuízos bem menores: € 0,34 milhão, € 0,19 milhão e € 0,13 milhão, respectivamente.
No lado positivo, equipes com orçamentos inferiores ao da Visma encerraram o ano no azul: Soudal (€ 2,64 milhões), Uno-X (€ 0,33 milhão), Cofidis (€ 0,32 milhão), Groupama (€ 0,27 milhão) e Lotto (€ 0,14 milhão).

Lembrando que a principal equipe do World Tour, a UAE Team Emirates-XRG de Tadej Pogacar, que possui o maior orçamento do pelotão, não divulga seu demonstrativo financeiro.
Organizadora do Tour de France com lucro de €111 milhões
A disparidade entre receitas e despesas no ciclismo fica ainda mais evidente quando comparada aos ganhos da ASO, organizadora do Tour de France e de outras provas de grande porte.
Segundo o Money in Sport, “enquanto a ASO, organizadora do Tour de France e algumas das principais corridas profissionais apresentou um lucro €111 milhões em 2024, ele contrastam fortemente com as dificuldades enfrentadas pelas equipes do World Tour para se manterem competitivas”.
O canal acrescenta ainda: “Enquanto os principais times não encontrarem uma maneira de pressionar a ASO a compartilhar mais da riqueza do esporte, eles continuarão com dificuldades para fechar as contas”.
“O recente fechamento do time Arkea-B&B e os rumores de fusões entre outras equipes servem de alerta para os demais times”, finaliza o Money in Sport.
