Diretor do WorldTour reage forte às montanhas artificiais no Mundial “será desastroso, UCI precisa intervir”, assista o vídeo
A confirmação de que os Emirados Árabes Unidos estão construindo montanhas artificiais para fortalecer o percurso do Campeonato Mundial de Ciclismo de 2028 gerou forte repercussão no pelotão.
A revelação, feita inicialmente pelo jornal espanhol Marca, foi confirmada pelo campeão europeu de 2024, Tim Merlier, enquanto o diretor da Groupama-FDJ, Marc Madiot, manifestou profunda insatisfação com o projeto.

“A cada ano, vejo a montanha ficar mais e mais alta”
Tim Merlier (Soudal Quick-Step) endossou a reportagem da Marca, relatando que o país realmente está criando montanhas artificiais em preparação para o Mundial de Abu Dhabi. Segundo o belga, o cenário muda visivelmente ano após ano. “A cada ano, vejo a montanha ficar mais e mais alta.”
De acordo com o MARCA, a subida de Al Wathba já apresenta alterações importantes. Em 2023, o trecho tinha 1,4 km com média de 6% de inclinação. Para 2026, deve chegar a 2 km, e documentos internos apontam para um plano ainda mais ambicioso: alcançar 3,8 km com 6,5% de inclinação até 2028.
Além disso, na ilha de Hudayriyat, possível sede do Mundial, diversas subidas artificiais, algumas com inclinação média de 10%, foram instaladas recentemente. O desenho do percurso tende a favorecer escaladores, incluindo o maior nome da UAE Emirates, Tadej Pogacar.

“Será desastroso para o nosso esporte“
A iniciativa, desagradou profundamente o diretor da Groupama-FDJ, Marc Madiot, que criticou duramente o projeto durante sua participação no programa francês Les Grandes Gueules du Sport, do canal RMC.
“Não sou um fanático ambientalista, mas ainda existem princípios e regras básicas a serem respeitadas.”
Segundo ele, embora sediar o Mundial nos Emirados não seja um problema, ultrapassar certos limites pode causar danos ao ciclismo: “Realizar um campeonato mundial lá, por que não? Mas se chegarmos a esse tipo de situação, será desastroso para o nosso esporte e, indiretamente, para outros.”

Madiot pede intervenção da UCI “precisam retomar o controle“
O dirigente também levantou preocupações sobre o futuro do esporte caso tais intervenções artificiais se tornem comuns. “Estamos num ponto de virada em relação ao que o esporte deveria ser, ou ainda pode ser.”
Madiot afirma ainda, que a UCI precisa reassumir o controle e impor limites claros nas condições para sediar o Mundial. “Acho que a UCI e seu presidente precisam retomar o controle desse tipo de situação”.
“É a UCI que concede os Campeonatos Mundiais com base em um conjunto de especificações. Não consigo imaginar a UCI aceitando que um obstáculo artificial seja criado sob o pretexto de tornar a corrida mais difícil, ou mesmo dar vantagem a um ciclista específico”, finalizou Marc Madiot.