Ciclista do WorldTour critica fortemente ex-colega e equipe “ele bebia vinho por horas, não o chamaria de amigo”
O dinamarquês Mathias Norsgaard, que defenderá a Lidl-Trek a partir de 2026 depois de 6 temporadas na Movistar, fez duras críticas ao ex-companheiro de equipe Oier Lazkano.
O espanhol foi suspenso após a detecção de anomalias em seu passaporte biológico, fato que gerou forte repercussão no pelotão.
Em entrevista ao canal dinamarquês Feltet, Norsgaard também direcionou críticas à própria Movistar, questionando como as irregularidades não foram percebidas internamente.

“A Movistar tem médicos e não detectaram nada; é espantoso“
Conhecido como o ciclista mais alto do World Tour, com 2,02 metros, Norsgaard foi incisivo ao falar sobre o tema. “Fico feliz quando pegam os trapaceiros”, começou.
“Mas estou surpreso que isso tenha passado despercebido. A Movistar tem médicos na equipe e eles não detectaram nada; é espantoso. Qual é o sentido de ter um sistema, então?”, questionou.

“Ele disse que estava tudo bem, e depois a notícia se espalhou“
O dinamarquês também relatou o último contato que teve com Lazkano. “A última vez que o vi foi em Andorra, no verão; ninguém o tinha visto desde a Paris-Roubaix”, recordou.
“Ele disse que estava tudo bem, e depois a notícia se espalhou. A princípio, pensei que fosse apenas um boato circulando no pelotão, dos quais há muitos a cada temporada, mas depois descobri que era verdade”, contou o agora ciclista da Lidl-Trek.

“O que aconteceu no Dauphiné foi horrível“
O que mais incomodou Norsgaard foi a mudança brusca de rendimento de Lazkano, que rapidamente brilhou nas Clássicas além de ser 9º colocado no Criterium du Dauphiné.
“Não vou dizer que não fiquei surpreso, porque sempre torço pelo melhor para as pessoas. Ele foi impressionante, mas estamos na mesma categoria de peso e ele foi muito rápido”, afirmou, referindo-se ao desempenho do espanhol nas subidas da prova.
O dinamarquês concluiu com palavras duras: “Puxa, às vezes, quando a coisa fica feia, é porque está feia mesmo, infelizmente. Ele foi bem nas Clássicas, mas o que aconteceu no Dauphiné foi horrível”.

“Ele bebia vinho por horas, não o chamaria de amigo”
Para encerrar, Norsgaard compartilhou uma passagem pessoal tentando ilustrar a personalidade de Oier Lazkano. “Ele era um cara misterioso. Muito inteligente, interessado em política e sempre bem informado. Mas também estranho”, relatou.
“Ele ficava sentado na cozinha bebendo vinho com a cozinheira por horas depois do jantar. Ele era único. Definitivamente, eu não o chamaria de amigo”, finalizou o dinamarquês.