Red Bull Bora prepara estratégia para derrotar Tadej Pogacar “um menino de uma peixaria derrotou Pogacar em dois Tours, nada é impossível”
A contratação de Remco Evenepoel pela Red Bull Bora-hansgrohe figura entre as maiores transferências da história recente do ciclismo.
No entanto, o belga passa a integrar uma equipe que já conta com líderes consolidados, como Primoz Roglic e Florian Lipowitz, além de nomes fortes para os Grand Tours, como Jay Hindley, Aleksandr Vlasov e o jovem talento Giulio Pellizzari.
O novo diretor esportivo da equipe alemã, Zak Dempster, ex-INEOS Grenadiers, revelou ao canal Domestique sua estratégia para potencializar o elenco, após a chegada do belga.

“Criar conexões para que não haja uma equipe dentro da equipe”
O Tri Campeão Mundial de Contrarrelógio chegou à nova equipe acompanhado de Klaas Lodewyck, seu ex-diretor na Soudal-QuickStep, e de Sven Vanthourenhout, técnico de confiança. Ainda assim, o australiano Dempster deixa claro que não haverá divisões internas na Red Bull Bora.
“Trata-se de criar conexões para que não haja uma equipe dentro da equipe”, disse ele. “Pode ser até mesmo algo como com quem eles vão dividir o quarto durante uma corrida. Trata-se de fazer com que todos esses grupos trabalhem juntos.”
“Temos diretores esportivos de diferentes origens, com uma boa conexão. Transmitir isso aos ciclistas será muito importante, em vez de criar pequenas equipes em torno dos ciclistas. No fim das contas, é uma só equipe.”

“Não buscamos ser o time mais feliz e confortável do mundo“
Questionado sobre a opção de enviar Evenepoel e Lipowitz ao Tour de France, enquanto Primoz Roglic será direcionado à Vuelta a España, Dempster foi direto:
“Tudo se resume ao desempenho, conversas difíceis acontecem, e meu estilo é nunca me esquivar delas. No fim das contas, todos precisam assumir a responsabilidade por esse plano, disse Dempster.
“Tomar decisões que priorizem a equipe é importante. Não buscamos ser o time mais feliz e confortável do mundo, isso não se refletiria no nosso desempenho. Há decisões a serem tomadas, e parte da minha função é tomá-las com rapidez e eficiência”, afimou

“É óbvio que vamos levar dois líderes para o Tour e para o Giro”
A aposta em 2 líderes no Tour de France levanta dúvidas sobre a hierarquia interna. Ainda assim, Dempster vê essa estratégia como a mais eficaz para enfrentar Tadej Pogacar.
“Temos uns 7 ciclistas com potencial para a classificação geral, então é bem difícil encaixá-los quando só temos 3 Grand Tours”, disse Dempster.
“É uma parte fundamental da nossa estratégia e é óbvio que vamos levar dois líderes para o Tour, e o mesmo vale para o Giro com Hindley e Pellizzari”, revelou o australiano.

“Um menino de uma peixaria da Dinamarca apareceu e derrotou Tadej Pogacar em dois Tours“
A lógica, segundo Dempster, é usar esse elenco poderoso para desafiar o imbatível Tadej Pogacar e a UAE Emirates. “Há muito que podemos fazer com um elenco tão forte, e ficar separando os ciclistas o tempo todo não faz sentido”, afirmou.
Por fim, o diretor esportivo lembrou que, no ciclismo, o favoritismo não garante vitórias. “Quando Pogacar venceu seu 1º e depois seu 2º Tour, nós pensávamos: ‘Agora ele terá tratamento VIP’”, disse Dempster.
“Mas aí um menino que trabalhava numa peixaria na Dinamarca apareceu (referindo-se ao emprego de Jonas Vingegaard antes de explodir no WorldTour) e o derrotou em 2 Tours (2022 e 2023), então nada é impossível”.
“Nada que valha a pena será fácil, então é um grande desafio. Somos realistas quanto a isso, mas estamos focados no nosso processo por enquanto”, finalizou o esperançoso Zak Dempster.
