Alberto Contador aprova mudança de Evenepoel para a BORA e descarta comparação com Lance Armstrong “era diferente”
A decisão de Remco Evenepoel de deixar a Soudal Quick-Step e assinar com a Red Bull-BORA-hansgrohe no último inverno recebeu o aval de um dos maiores nomes do ciclismo moderno.
Para Alberto Contador, 2x campeão do Tour de France (2007 e 2009), a mudança pode representar um salto de qualidade na carreira do belga, especialmente no desempenho em etapas de montanha.
“Remco tomou a decisão certa”, afirmou Contador em entrevista ao Sporza, demonstrando confiança no novo ambiente que cerca Evenepoel, descartando qualquer semelhança sobre a tensão vivida por ele e Lance Armstrong durante o Tour de France de 2009.

“A equipe tem as pessoas certas para ajudar Remco nas subidas”
Com a chegada à Red Bull-BORA-hansgrohe, Evenepoel espera ampliar suas oportunidades nos Grand Tours. Na visão de Contador, o contexto é favorável. “Ele se transferiu para uma equipe muito boa que tem tudo para dar certo”, reforçou.
Contador destacou ainda a profundidade do elenco como um diferencial importante: “Com Roglic, Lipowitz, que terminou em 3º lugar no Tour do ano passado – Hindley, Vlasov… A equipe tem as pessoas certas para ajudar Remco a melhorar nas subidas longas. Ele tomou a decisão certa.”

“Ele manterá o melhor nível com etapas que incluam duas ou três subidas?“
Apesar do otimismo, Contador pondera que ainda há pontos a serem observados no desenvolvimento de Evenepoel como candidato absoluto em Grandes Voltas.
“Veremos qual será o nível de Remco se ele continuar a melhorar. Será que ele consegue manter o seu melhor nível todos os dias numa Grande Volta com etapas que incluem duas ou três subidas?”, questionou o espanhol.

Comparação com caso envolvendo Lance Armstrong: “era diferente”
A presença de vários líderes na Red Bull BORA levanta a dúvida sobre um possível excesso de líderes. O espanhol foi questionado, se não poderia acontecer uma situação semelhante protagonizada por ele e Lance Armstrong durante o Tour de France de 2009.
Contador, minimiza esse risco. “Era uma situação completamente diferente”, explicou. “Roglic, Lipowitz e Remco querem ganhar o Tour. Todos eles já estiveram no pódio.”
Ele relembrou o contexto vivido anos atrás: “No meu caso, Armstrong já tinha vencido o Tour e voltou para vencer novamente. Eu tinha vencido o último Tour. Mas somente um de nós poderia conquistar a vitória geral, então era difícil.”

Para Contador, hoje as decisões são mais embasadas: “É possível perceber os valores que eles têm para o Tour de France. Dá para tomar uma decisão com mais certeza do que há 10 ou 15 anos.”
“Com um contrarrelógio de 200 km seria mais fácil vencer Pogacar”
Com vários líderes de alto nível, a Red Bull-BORA-hansgrohe pode ter uma arma importante para tentar desafiar a hegemonia de Tadej Pogacar. Contador acredita que a chave está na flexibilidade tática.
“Eles precisam explorar as opções disponíveis”, aconselhou. “Roglic pode arriscar, Remco e Lipowitz vão estar atrás dele. Mas se perderem tempo, podem mudar de tática.”
Ainda assim, o espanhol reconhece o tamanho do desafio: “Se você quer vencer Tadej Pogacar, precisa explorar todas as suas opções. Se houvesse uma prova de contrarrelógio de 200 km, seria diferente. Mas, fora isso, é difícil vencer o Tadej quando ele está no seu melhor.”