“Temos que sair da frente quando Pogacar e Van der Poel estão, não entendo isso” ex-gregário de Jonas Vingegaard critica a postura do pelotão
A temporada de ciclismo 2026 começa sem a presença de Tiesj Benoot vestindo o tradicional amarelo e preto da Visma-Lease a Bike.
Embora o belga tenha defendido a equipe holandesa por “apenas” 4 anos, Benoot se consolidou como um dos principais gregários de Jonas Vingegaard no Tour de France e também alcançou resultados individuais, como a vitória na Kuurne-Bruxelas-Kuurne em 2023.
Aos 31 anos, Benoot inicia um novo capítulo de sua carreira com a Decathlon CMA CGM. Em entrevista ao canal holandês Indeleiderstrui, o ciclista analisou a transferência e refletiu sobre o atual domínio de Mathieu van der Poel e Tadej Pogacar nas Clássicas.

“No Tour, eu não tinha ambições pessoais”
Questionado sobre suas funções na Decathlon CMA CGM, Benoot explicou como enxerga a próxima primavera e comparou o cenário com o que vivia na Visma.
“Claro, tem a primavera, que será igual aos últimos anos. Talvez eu seja um pouco mais pressionado, mas na Visma, eu sempre fui um dos 3 ou 4 ciclistas protegidos. Nunca precisei sacrificar minhas chances lá.”
Ao falar sobre o Tour de France, o belga destacou que sua postura será diferente da que tinha na antiga equipe.
“No Tour, eu não tinha ambições pessoais na Visma-Lease a Bike, porque também era um objetivo pessoal vencer a corrida com Jonas Vingegaard. Isso vai mudar aqui, porque vamos com Olav Kooij como velocista e alguns caçadores de etapas.”

Vencer um Monumento: “O que eu gosto é disputar as finais dessas corridas“
Mesmo com uma carreira sólida, Benoot foi questionado se ainda alimenta o desejo de conquistar uma das grandes clássicas conhecidas como Monumentos.
Sua resposta foi ponderada, demonstrando ambição, mas também realismo. “Eu não diria que é um sonho. Claro que ainda tenho ambições, mas também sei que minha vida não mudará drasticamente por causa disso”.
“O que eu realmente gosto é de disputar as finais dessas corridas. Poder fazer a minha parte nesses dias mais importantes. Para mim, tudo precisa se encaixar para vencer.”

“Agora com Pogacar e Van der Poel virou quase uma utopia”
O domínio recente de Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel nas provas de um dia também entrou na pauta da entrevista. Para Benoot, o cenário atual dificulta bastante a vida do restante do pelotão.
“Agora que Pogacar começou a disputar as clássicas e Van der Poel deu um grande passo, o cenário se tornou quase uma utopia para muitos ciclistas. Mas imprevistos podem acontecer, e, claro, eles não disputam todas as provas”.
“O Tour de Flandres se tornou tão difícil que a tática já não importa. A UAE Emirates também está muito forte”, complementou Kooij.

“Temos que parar de pedalar na frente quando Van der Poel e Pogacar estão”
Ao ser questionado se existe algo que possa ser feito para conter Pogacar e Van der Poel, Benoot adotou um tom crítico em relação às estratégias do pelotão.
“Todos nós temos que parar de pedalar na frente quando Van der Poel e Pogacar estão lá. Não entendo isso. Na minha opinião, isso é disputar o segundo lugar: se você começar a ajudá-los…”
A reflexão aponta para uma mudança de mentalidade coletiva como possível caminho, ainda que difícil de aplicar na prática.

Alternativas e novas abordagens de corrida
Por fim, Benoot citou exemplos recentes e nomes que, segundo ele, ajudam a tornar as corridas mais imprevisíveis e interessantes. “Então eles vão tentar, e isso é ótimo. Gosto de ver alguém como Quinn Simmons competindo. E o mesmo vale para Mads Pedersen.”
Para o belga, iniciativas mais agressivas e estratégias ousadas, como vista na última Il Lombardia, apesar de infrutífera, podem não garantir vitórias contra os dois grandes dominadores, mas ao menos abrem espaço para cenários diferentes nas Clássicas.