João Almeida analisa o início da temporada “Jonas Vingegaard no Giro d’Italia me motiva ainda mais”
João Almeida (UAE Emirates-XRG) participou, nesta segunda-feira, no Algarve, de uma entrevista coletiva realizada a pouco mais de uma semana do arranque oficial da sua temporada, que acontecerá no próximo dia 04 de fevereiro, na Volta a la Comunitat Valenciana.
Durante a conversa, o corredor de Caldas da Rainha fez um balanço do último ano, traçou metas para 2026 e analisou a concorrência, com especial atenção para Jonas Vingegaard, novamente seu adversário direto, agora no próximo Giro d’Italia.

“A minha melhor temporada de sempre”
O português não escondeu a satisfação com o rendimento apresentado no último ano. “Sem dúvida que foi a minha melhor (temporada) de sempre. Muitas vitórias, vitórias com grande valor em corridas de um mais alto nível”.
“Obviamente vai ser sempre difícil superar ano após ano, mas estamos aqui mais um ano e vamos tentar superar a temporada anterior”, afirmou, em declarações recolhidas pelo jornal A Bola.
João Almeida mostrou-se confiante com o início do novo ciclo. “Tenho me sentido bastante bem, sem azares, estou bem fisicamente. Tenho-me esforçado bastante para estar numa condição física melhor que o ano passado, o que não é fácil, mas estou otimista e confiante para começar a temporada”.

“Vencer a Volta a Valência é um objetivo”
João admite que o início da temporada acontecerá um pouco antes do habitual. “Vou começar antes, na Volta a Valência. Espero ter boas pernas, já que o objetivo é ganhar a corrida, para entrar no Algarve com um pouco de ritmo de competição e não ser um choque tão grande”, revelou o português.
O português revelou a mudança de planos que o levou novamente ao Giro d’Italia. “Inicialmente o plano era fazer outra Vuelta, mas depois de conversar com a equipe chegamos à conclusão que eu preferia fazer o Giro, a equipe concordou e mudamos isso”.
“Pessoalmente faz sentido voltar ao Giro, também mudar um pouco o calendário, e acho que é uma boa oportunidade para tentar ganhar a corrida e, se não ganhar, estar o mais perto possível”, analisou João.

“Ter Jonas Vingegaard no Giro d’Italia me motiva ainda mais”
Questionado sobre a presença do rival Jonas Vingegaard no Giro, João se mostrou motivado. “É uma coisa boa, acaba por me favorecer. Vou ter um adversário muito forte, mas também acaba por me motivar e dar mais de mim”, afirmou.
O ciclista reconhece o valor do dinamarquês, mas reforça que ninguém é imbatível. “Somos corredores similares. Até à data de hoje é um corredor que podemos dizer mais forte, com o Palmarés muito superior ao meu. Já ganhou o Tour de France mais do que uma vez, mas ninguém é imbatível”.
“O Giro é uma corrida mais aberta, há sempre fatores inesperados como o tempo”, complementou João Almeida.

João não escondeu a importância de António Morgado, que será seu gregário no Giro d’Italia.
“Pode me ajudar em todo o tipo de terreno. É muito jovem e tem muito para aprender, mas é muito forte. Vejo-o a discutir corridas de uma semana no futuro e, nas clássicas, ele também é muito bom. Tem um potencial brilhante”, elogiou João.
“Não quero ficar como uma promessa, quero ganhar de verdade”
João Almeida falou também sobre as mudanças na forma de encarar as corridas. “O que mudou? Estou mais velho (risos)! Tenho uma experiência muito maior. No primeiro Giro não sabia para o que ia. Agora, quando vou para uma Grande Volta, já sei o que vou encontrar e tenho outra preparação mental”.
“Não quero ficar como uma promessa, quero ganhar de verdade. Mostrar que os adversários me levam a sério, mas ser favorito e ganhar são coisas diferentes”, destacou.

“Acredito que Pogacar tenha ficado ligeiramente triste por eu não ir ao Tour”
João comentou também a reação de Tadej Pogacar ao saber que não o acompanhará no Tour.
“Acredito que tenha ficado ligeiramente triste por eu não ir, mas também não o vai afetar muito. Não acho que eu seja fundamental para ele vencer o Tour”.
“Ambos gostamos de correr um com o outro, mas eu pedi para ir ao Giro. Foi uma atitude da equipe a pensar em mim, a me dar liberdade e mostrar confiança de que posso lutar pela vitória”, explicou.

“Pogacar na Vuelta só será confirmado depois do Tour”
João abordou também sobre a diferença do Giro com a Vuelta. “Em termos de planificação têm a mesma importância. Pessoalmente, o Giro, em termos de atenção mediática e de valor no ciclismo, é um pouco superior”. Ganhar uma Grande Volta seria um objetivo de carreira e vou dar o meu melhor para isso acontecer».
Quanto a uma eventual presença de Pogacar na Vuelta, deixou claro: “A participação dele só será confirmada depois do Tour”.
“Dependerá de como ele estiver, se está cansado ou não, e ele tem a camisa de Campeão Mundial para defender. Se ele for, é o líder, isso é indiscutível. Mas é um corredor com quem gosto de correr e, se ele tiver oportunidade de me dar uma vitória, não hesitaria”.

“Sendo português, seria uma honra vencer a Volta ao Algarve”
Entre os grandes objetivos da temporada está a Volta ao Algarve, entre 18 e 22 de fevereiro. “Sendo português, seria uma honra vencê-la. No ano passado estive perto e não consegui. É a corrida em Portugal com o mais alto nível e vou tentar vencê-la”.
“O percurso foi divulgado tarde. Sei que subimos a Fóia por um lado diferente. A etapa do Malhão continua a ser das mais importantes, se não a mais importante. A Fóia, às vezes é um pouco sobrevalorizada mas acaba por não ser tão dura. É uma corrida que sempre gosto de fazer”, garantiu.

Apoio do público português faz a diferença
Por fim, João Almeida destacou a importância de correr em casa. “Faz claramente a diferença. Correr em casa dá sempre uma força extra e isso sente-se, tanto na Volta ao Algarve como nas outras corridas em casa”.
“Temos sempre uma força extra e o apoio do fãs faz toda a diferença. Não só na corrida, mas também a treinar. Promessa? É como sempre, uma mensagem de agradecimento por irem para a estrada, faça sol, faça chuva, e a promessa de que vou dar sempre o meu melhor”, finalizou João Almeida.