“Evenepoel quer vencer Tadej Pogacar, mas não vence corridas de uma semana”, analistas criticam capacidade de Remco Evenepoel
Remco Evenepoel viveu dias complicados no UAE Tour. Após iniciar a temporada em grande nível, o campeão olímpico não conseguiu acompanhar os principais rivais nas etapas de montanha, finalizando a competição em uma frustrante 10ª posição, 2min e 25seg após o campeão Isaac del Toro.
O desempenho contrastou com o excelente começo de ano do belga, que havia onquistado vitórias em Mallorca e vencido a Volta a la Comunitat Valenciana. No entanto, no UAE Tour, Evenepoel acabou decepcionando a fanática torcida belga.
Durante o podcast “In de Waaier”, os analistas holandeses Thijs Zonneveld e Jip van den Bos analisaram francamente o momento do atleta, levantando questionamentos sobre suas ambições nos Grand Tours.

“Ele diz que está de olho no GC, não deveria dizer isso, não é realista”
Van den Bos iniciou o debate falando sobre um reposicionamento de Evenepoel, sugerindo que suas expectativas devam estar em desacordo com suas características.
“Eu me pergunto: ele não está tentando ser um escalador demais? Ele não é ruim, ele venceu o contrarrelógio no UAE Tour, é nisso que ele é bom, assim como em subidas de 50 km”.
“Quantas vezes o vimos vencer em uma subida final? Ele já fez isso algumas vezes, mas também já se mostrou vulnerável nessas situações.” O comentarista reforçou que as limitações de Evenepoel em grandes montanhas não chegam a ser uma surpresa. “Escalar definitivamente não é o seu ponto forte”.
“Então, quão estranho é que isso tenha acontecido? É impressionante, porque ele sempre diz que está de olho na Classificação Geral. Aí você espera que ele consiga competir com Del Toro. Ele não deveria dizer isso, porque não é muito realista que ele vença.”

“Ele quer vencer Pogacar e Vingegaard, mas não venceu muitas corridas de uma semana”
Thijs Zonneveld concordou com a análise e destacou que Evenepoel costuma sofrer quando o percurso inclina, especialmente quando não está em sua melhor forma.
“Como na Vuelta de 2022 e no Tour de 2024. Aí ele pode até quebrar nas altas montanhas, mas agora quando o terreno é realmente difícil e íngreme, ele simplesmente não é muito bom. Com 98%, ele fica vulnerável contra escaladores puros.”

O analista também questionou a forma como o ciclista é avaliado pela mídia e pelas próprias ambições pessoais. “Em 1º lugar, ele quer vencer Pogacar e Vingegaard no Tour de France, mas ele não venceu muitas corridas de uma semana do WorldTour”.
“Ele não ganha a Paris-Nice ou a Volta ao País Basco assim tão facilmente. Se esse ainda não é o seu principal objetivo e envolve muita escalada, então ele fica vulnerável. Ele é bom, mas está longe de ser um Pogacar.”

“Se quiser vencer outro Grand Tour, ele precisa adotar uma tática diferente”
Apesar das críticas, ambos consideram positiva a mudança para a Red Bull-BORA-hansgrohe, mas defendem ajustes na estratégia do belga, especialmente nos Grand Tours.
“Ele precisa conhecer seus pontos fortes e mantê-los. Só então poderá abordar um Grand Tour de forma diferente”, afirmou Van den Bos.
Zonneveld reforçou a ideia e sugeriu uma abordagem tática alternativa. “Ele é especialmente muito bom nesses trechos intermediários. Se quiser vencer outro Grand Tour, talvez precise adotar uma tática diferente”.
“Tentar escapar quando for mais fácil. Ele é o melhor contrarrelogista do mundo, mas não acha que isso seja suficiente. Ele também quer ser um ótimo escalador e estar entre os melhores na classificação”, finalizou Zonneveld.