Capitão da Lidl-Trek vive drama após grave queda “Você pensa: ‘não vou voltar a andar de bicicleta'”, ouça o áudio
Mads Pedersen (Lidl-Trek), segue em processo de recuperação após uma queda severa sofrida durante a 1ª etapa da Volta a la Comunitat Valenciana. O acidente resultou em fraturas no pulso e na clavícula direita, afetando o calendário do dinamarquês, que não conseguiu completar sua 1ª prova na temporada.
Em participação no podcast oficial da equipe, o atleta descreveu seu processo de recuperação, mantendo cautela sobre seu retorno às competições.

“Estávamos a 70, 75 km/h, não tive escolha”
Segundo Pedersen, vencedor da Classificação por Pontos do Giro e da Vuelta em 2025, o acidente ocorreu em um trecho marcado por forte disputa por posicionamento, quando o ritmo do pelotão já era elevado.
“Foi um momento estressante, todos precisavam estar na frente para para iniciar a subida”, explicou ele no podcast In the Middle of Lidl-Trek.
“Estávamos a 70, 75 km/h. Numa curva suave para a esquerda, alguns caras se tocaram e seguiram em frente. Eu não tive escolha e tive que pular para o acostamento. Vi muitos arbustos e torci para que a aterrissagem fosse suave, mas caí cerca de 1 metro sobre as pedras.”

“Você pensa: ‘se eu quebrar as costas, não vou voltar a andar de bicicleta‘”
O impacto causou danos evidentes no pulso e na clavícula, enquanto o rosto também sofreu consequências. O maior receio, porém, era uma possível lesão nas costas. Imobilizado com colar cervical, Pedersen foi levado ao hospital sob clima de apreensão.
“Aí você pensa: ‘Droga, se eu quebrar as costas, não vou pensar em voltar a andar de bicicleta, vou pensar em como pode ser ruim’.” Os exames descartaram danos vertebrais, mas o início da recuperação foi especialmente difícil.
“Eu não conseguia nem me limpar, cara. Meu pulso esquerdo estava quebrado e eu estava com gesso até acima do cotovelo. E minha clavícula direita estava quebrada, então também estava na tipoia. Não consegui evacuar por 5 dias. Foi um parto difícil quando finalmente aconteceu”, complementou Pedersen.

“Não devemos ficar muito animados”
A principal dúvida agora gira em torno da participação nas provas mais importantes da primavera europeia, especialmente a Milan-Sanrremo e o Tour de Flandres. Pedersen já admite que a presença na corrida italiana é improvável e pede cautela mesmo após voltar gradualmente aos treinos.
“Por isso, não devemos ficar muito animados. Estamos explorando os limites do que é possível”, disse ele. “Não sabemos como meu corpo vai reagir. Se eu conseguir participar das clássicas, serão minhas primeiras corridas. Sem ter competido antes, é uma grande incógnita como minhas pernas estarão.”

Treinos adaptados e motivação mantida
Atualmente, a preparação do dinamarquês acontece praticamente em ambiente fechado. Ele realiza cerca de 20 horas semanais no rolo e apenas aproximadamente 3 horas ao ar livre, já que o pulso ainda limita a segurança durante os treinos.
Mesmo diante das incertezas, o pensamento do ciclista permanece firme: “Se não acreditássemos nisso, eu não estaria me matando na bicicleta ergométrica”, finalizou Mads Pedersen.