“Tadej Pogacar é superior a Merckx, ele vence de uma maneira nunca vista” lenda do ciclismo analisa domínio de Pogacar
Óscar Freire, 3x campeão mundial em 1999, 2001 e 2004, fez uma análise direta sobre o atual cenário do ciclismo em entrevista ao jornal El Español.
O campeão da Classificação por Pontos do Tour de France (2008), destacou o talento de Tadej Pogačar (UAE Emirates), classificando o esloveno como o maior ciclista da história.
Entre elogios à Pogačar, o espanhol analisou como o ciclismo evoluiu nos últimos anos, tornando-se um esporte cada vez mais jovem, competitivo e exigente.

“Pogacar vence de uma maneira nunca vista antes“
Óscar Freire iniciou reconhecendo a grandeza histórica do lendário belga Eddy Merckx, mas destacou que, em sua visão, o ciclismo atual apresenta desafios diferentes dos enfrentados em gerações anteriores.
“Acredito que Pogacar seja o melhor da história. Não vi Eddy Merckx, mas era uma época diferente; acho que qualquer esporte está se tornando cada vez mais complexo e vencer cada vez mais difícil”.
“Ele (Pogacar) faz isso de uma maneira nunca vista antes. Sei que Eddy Merckx tem um histórico muito melhor, mas era uma época diferente, com condições diferentes, e para mim, pelo que vi, ele era o mais forte.”

“Pogačar não tornou o ciclismo chato porque é um espetáculo”
Freire também refletiu sobre o impacto do domínio de Tadej Pogačar nas grandes competições, como o Tour de France.
“Até agora, ele não tornou o ciclismo chato porque é um espetáculo, mas o que está acontecendo é que estamos começando a aceitar esse tipo de espetáculo como normal”.
“Acho que se ele for ao Tour de France e fizer a mesma coisa que no ano passado, vai deixar de ser divertido. É muito fácil quando você é como Pogačar: enquanto os outros sofrem, ele está bebendo água. Mas nem todo mundo é o Pogačar.”

“Os ciclistas são recrutados muito jovens e muitos deles acabam não se destacando”
Na avaliação de Óscar Freire, o ciclismo atual passou por uma transformação profunda na forma como os atletas são formados. Segundo ele, a profissionalização precoce e o aumento do nível de preparação tornaram o esporte mais competitivo do que nunca.
“O ciclismo moderno está cada vez mais parecido com o futebol: os ciclistas são recrutados muito jovens e muitos deles acabam não se destacando”.
“No ciclismo moderno, em que se profissionalizam muito cedo, é preciso se adaptar a essa mudança de categoria; é um esporte muito difícil e a qualidade dos ciclistas está em constante crescimento. Eles se dedicam a tudo, têm treinadores e, desde muito jovens, já são profissionais, o que significa que o nível é muito alto.”

“Paul Seixas terá dificuldades até Pogačar se aposentar”
Mesmo com a competitividade crescente, Freire também destacou o surgimento de jovens talentos no pelotão internacional.
Entre eles está o francês Paul Seixas (Decathlon CMA CGM), que voltou a chamar atenção em 2026, após suas performances na Volta ao Algarve e na Strade Bianche.
“O nível de todos os ciclistas é praticamente o mesmo, a diferença é mínima, e se você ficar um pouco para trás, todos te ultrapassam”.
“Paul Seixas é impressionante; conseguir isso em seu primeiro ano como profissional, com 18 anos, significa muito. Ele terá dificuldades até Pogačar se aposentar do ciclismo, mas nunca se sabe”, finalizou Oscar Freire.
