Ex-Diretor da lenda Bernard Hinault analisa o duelo Tadej Pogacar e Paul Seixas “o Tour de France precisava disso”, assista o vídeo

A decisão da Decathlon CMA CGM de escalar o jovem Paul Seixas para o Tour de France agita os bastidores da principal competição de ciclismo mundial e acendeu o debate: O francês terá chance de superar o até o momento imbatível Tadej Pogacar (UAE Emirates) na “Grande Boucle”?

Cyrille Guimard, ex-diretor de Bernard Hinault (5x vencedor do Tour de France), além da estrela francesa Laurent Fignon, compartilhou suas perspectivas, em uma entrevista para o site francês Cyclism’actu.

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Cyrille Guimard

“Ele está acima de Mbappé, Antoine Dupont ou Léon Marchand

“É uma ótima notícia, mas era um segredo aberto” inicia Cyrille Guimard, de 79 anos, que mantém uma posição crítica quanto à participação tão precoce do jovem talento:

“Estou mais interessado em um plano de carreira para alguém tão precoce do que em dizer: ‘Vamos tentar pegar o caminho mais fácil logo de cara'”.

Como já disse antes, ter paciência não é perder tempo. Mas o que mais me interessa é como esse garoto vai reagir a toda a pressão ao seu redor, ao estrelato que está vivenciando”.

Para mim, ele está acima de Mbappé, acima de Antoine Dupont ou Léon Marchand em termos de pressão da mídia. Como ele vai lidar com tudo isso? Essa é a questão.”

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O Tour de France não poderia ficar sem Paul Seixas

A permanência de Paul Seixas até o final de 2027 na Decathlon CMA CGM e a influência de patrocinadores também entram no debate. Para Guimard, esses fatores tiveram peso na decisão:

“Claro. É um fator que entra nesse processo de tomada de decisão, e há outros. Mas a Decathlon não poderia ficar sem Seixas no Tour. A partir daí, tudo se encaixou”.

No entanto, o Tour de France também não poderia ficar sem Paul Seixas. Afinal, os organizadores do Tour, juntamente com Christian Prudhomme, vêm realizando o Tour com apenas 2 ciclistas, Vingegaard e Pogacar, há 6 anos.”

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Tadej Pogacar e Jonas Vingegaard dominam o Tour de France desde 2020

Ele ainda reforça o papel midiático da presença do jovem francês: “Prudhomme disse tudo, em termos mais ou menos diplomáticos. Eles precisavam de Seixas para gerar expectativa antes do início do Tour de France”.

Todas as perguntas que serão feitas serão as mesmas, repetidas à exaustão. E então, virá o Tour, e todos estarão grudados em suas televisões”, complementa Cyrille Guimard.

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Paul Seixas cumprimenta Christian Prudhomme

Não se pode ignorar uma possível vitória de Paul Seixas”

Mesmo apontado como um dos favoritos pelas casas de apostas, ao lado de Jonas Vingegaard e atrás de Pogacar, Guimard relativiza essas projeções:

“Em 1º lugar, as casas de apostas não são necessariamente especialistas, e você pode dizer o que quiser. Se você fizesse uma entrevista na rua, obteria o mesmo resultado. Mas será que a competição realmente acontece na rua?”

Ele reconhece, porém, que o talento de Seixas não pode ser ignorado: “Obviamente, dado o potencial que conhecemos dos vários ciclistas, ou daqueles que serão os ciclistas no Tour, é claro que não se pode ignorar Paul Seixas, pelo menos na disputa pelo pódio, e falar sobre uma possível vitória.”

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Paul Seixas protagonizou um grande duelo com Tadej Pogacar na Liège-Bastogne-Liège

Entre todos os favoritos do Tour de France, quase metade não termina”

Por fim, Guimard lembra que o Tour de France é marcado por imprevistos e abandono de favoritos: “Lembre-se de que nem todos os ciclistas que iniciam uma corrida a terminam. Há problemas de saúde, acidentes e, às vezes, até erros graves durante a prova”.

Entre todos os favoritos no início de cada Tour de France, quase metade retorna para casa pelos motivos que acabei de mencionar ou enfrenta problemas que os fazem cair um pouco na classificação geral.”

E conclui com uma análise direta sobre os protagonistas: “Mas, no momento, acho que falaremos apenas de três ciclistas. Para evitar qualquer parcialidade, podemos mencionar um quarto, mas vamos nos ater a três nomes (Pogacar, Vingegaard e Seixas). Antes de reduzirmos a lista a dois”, finaliza Cyrille Guimard.

Assista a entrevista completa

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