“Jonas Vingegaard nunca teve Tadej Pogacar no 2º Grand Tour” Alberto Contador questiona forma de Vingegaard, assista o vídeo
O desempenho dominante de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) no Giro d’Italia fortaleceu a percepção de que o dinamarquês chegará ao Tour de France como o principal rival de Tadej Pogacar.
No entanto, o bicampeão do Tour Alberto Contador e o respeitado jornalista Javier Ares demonstram cautela ao avaliar as reais condições de Vingegaard para enfrentar o melhor ciclista da atualidade, conforme analisaram durante o programa La Montonera, do Eurosport Espanha.

“Se fosse à frente de João Almeida eu não estaria assim”
Para Javier Ares, o contexto da competição deve ser levado em consideração ao analisar a superioridade apresentada por Vingegaard.
“Se Vingegaard tivesse feito essas exibições à frente de Paul Seixas, Isaac del Toro, Juan Ayuso ou João Almeida, eu não estaria assim“, inicia Javier Ares.
“Com todo o respeito e minha admiração a Felix Gall, a Thymen Aresman, a Jai Hindley, eles são coadjuvantes na hora de subir a um pódio do Tour de France. Também me deu a impressão que Jonas talvez poderia ter tido mais distância dos rivais.“

“Ele poderia ter feito mais diferenças, mas não muda nada”
Alberto Contador compartilhou da mesma opinião e destacou que alguns dos principais adversários de Vingegaard não atravessam seu melhor momento competitivo. “Bem, eu acho que sim, ele poderia ter feito mais diferenças, mas não muda nada“.
Na sequência, o espanhol aprofundou sua análise: “No fim, quando ele arrancava Félix Gall aguentava 100, 150 metros, eu concordo com o que comenta Javier. Há quanto tempo não vemos uma boa versão de Hindley?”
“E isso é pódio, não é? Terceiro pódio. Aresman, que é um corredor que promete, mas não terminava e no fim esteve ali perto praticamente fazendo pódio.“

“São 21 dias que você tem que fazer sim ou sim”
Segundo Contador, uma das principais dúvidas está relacionada ao verdadeiro nível de forma apresentado por Vingegaard ao longo das três semanas de competição.
“No fim é mais uma questão de saber a que percentual estava Vingegaard, se estava realmente 100% nas últimas etapas, se foi alcançando a forma ou não, se se esgotou 100% ou não”.
“E depois a ver como é capaz de recuperar, de assimilar esses esforços, que também no fim o corpo tem uma fadiga maior do que quando vai para uma concentração”.
“São 21 dias que você tem que fazer sim ou sim, embora talvez a equipe tenha controlado tudo bastante e ele não tenha tido que se esgotar demais, não deixam de ser três semanas de competição.“

“Na segunda grande volta dele até agora Pogacar nunca esteve“
Apesar do domínio exibido no Giro d’Italia, Contador acredita que ainda é cedo para afirmar que Vingegaard reduziu a diferença para Tadej Pogacar.
“Vamos ver, mas não que tenha ganhado 5 etapas e colocado 5 minutos em Felix Gal na classificação geral, isso para mim não diz que esteja mais perto de Pogacar, o que não significa que não esteja. Isso a gente verá.“
O 2x campeão do Tour de France comentou uma teoria defendida pela Visma-Lease a Bike, segundo a qual o Jonas Vingegaard costuma apresentar rendimento superior em sua segunda grande volta da temporada.
“Vamos ver essa teoria que a equipe tem, me surpreende a ênfase com que o diretor comenta, que na segunda grande volta ele sempre vai melhor. Na segunda grande volta dele até agora Pogacar nunca esteve“, finalizou o enfático Alberto Contador.