UAE Emirates surpresa com nível de Paul Seixas para o Tour de France “mais forte do que pensávamos, no nível de Vingegaard”
O diretor esportivo da UAE Emirates, Joxean Matxin Fernández, concedeu uma entrevista ao canal italiano Bici.Pro e fez uma avaliação bastante significativa sobre o jovem talento francês Paul Seixas (Decathlon CMA CGM).
Aos 19 anos, o ciclista foi comparado pelo dirigente ao principal adversário de Tadej Pogacar (UAE Emirates), o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike).

“Vimos um Paul Seixas muito mais forte do que pensávamos“
Matxin destacou que o desempenho apresentado por Seixas no Tour Auvergne Rhône Alpes chamou muita atenção, não apenas pelo resultado obtido, mas principalmente pela forma como o francês enfrentou as dificuldades durante a competição.
“Vimos um Paul Seixas no Tour Auvergne Rhône Alpes super forte, muito mais do que pensávamos, e não estou olhando para o resultado final, mas para o seu comportamento”, inicia o basco.
“Considero isso um dos principais obstáculos no caminho para a vitória de Tadej no Tour. A queda que ele sofreu mostra que ele não é forte apenas nas pernas, mas também no caráter; ele não desiste, senão não teria feito aquela sensacional virada em 4 minutos”, continuou Matxin, lembrando a recuperação de Paul Seixas após a forte queda na penúltima etapa.

“Considero-o no mesmo nível de Jonas Vingegaard“
Questionado sobre o impacto que Seixas poderia ter no próximo Tour de France, Matxin ressaltou que, apesar da pouca experiência em provas de três semanas, o francês já demonstrou qualidades suficientes para ser considerado uma ameaça.
“Isso deve ser levado em consideração na classificação geral, mesmo que ele nunca tenha disputado uma Grande Volta. Quando se demonstra esse tipo de desempenho, não se pode temer uma corrida de 3 semanas”.
“Considero-o no mesmo nível de Jonas Vingegaard e do que o dinamarquês mostrou no Giro. Realmente não podemos subestimar ninguém.”

Apesar das atenções voltadas para os grandes favoritos, a vitória no antigo Dauphiné terminou com Isaac Del Toro (UAE Emirates), passando um claro recado aos rivais no Tour de France.
“Bem, acho que também passamos uma boa mensagem, mostramos que Del Toro está em boa forma para o Tour. Gostei especialmente do fato de ele nunca ter se desanimado, nunca ter perdido de vista o objetivo final, nem mesmo considerando a fuga que havia desestabilizado um pouco a classificação nos primeiros dias.”
“Isaac del Toro é o plano B no Tour de France“
Isaac Del Toro chegará ao Tour de France após uma grande evolução. No ano passado, o mexicano esteve próximo de conquistar o Giro d’Italia, e agora terá a missão de auxiliar Tadej Pogacar. Para Matxin, porém, suas características permitem pensar em objetivos ainda maiores.
“A qualidade que ele tem permite que ele aspire a qualquer coisa. Nunca gostei muito da palavra ‘capitão’, embora seja óbvio que em uma grande equipe deva haver uma hierarquia”.
“Tenho interesse em saber que Isaac tem todas as chances de se destacar, o que significa que podemos encarar o Tour com um plano B na manga. Ele sabe que é capaz de vencer uma Grande Volta, e isso é o que importa.”

Na avaliação de Matxin, Tadej Pogacar, Jonas Vingegaard, Paul Seixas e Remco Evenepoel aparecem naturalmente como os principais candidatos, mas o dirigente acredita que outros ciclistas também podem surpreender.
“Em teoria, esses são sempre os nomes. Mas a própria corrida tende a destacar um em detrimento de outro, o que significa que haverá outros ciclistas a serem considerados. O próprio Juan Ayuso me impressionou no Tour Auvergne-Rhône-Alpes; ele estava forte, então pode ser um fator importante. Isso não muda o fato de que esses são os favoritos.”
“Vimos isso no Giro, com Afonso Eulálio”
Sobre a possibilidade de uma fuga alterar novamente a classificação geral, como aconteceu no Giro d’Italia, Matxin afirmou que esse cenário sempre pode ocorrer, especialmente em uma corrida com o nível de tensão do Tour de France.
“Sim, sempre. Vimos isso no Giro, com Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) vestindo a Maglia Rosa por um longo tempo”.

“Obviamente, o Tour é uma corrida com enorme pressão, onde cada etapa é importante, onde todos os ciclistas querem ser protagonistas e onde há mais tensão do que em qualquer outra prova. Todos querem estar sempre na frente, o que torna a corrida cada vez mais tensa. É por isso que é a mais difícil de todas”, finalizou Joxean Matxin Fernandéz.