“É impossível fazer Tadej Pogacar sofrer, ele está muito acima” Richard Carapaz admite mudança de objetivos no Tour de France
Após o 2º lugar no Tour de Suisse, Richard Carapaz (EF Education-EasyPost) chega ao Tour de France 2026 com objetivos bem definidos.
O campeão do Giro d’Italia (2019) admite que sonhar com a classificação geral continua sendo algo natural, mas diante do domínio de Tadej Pogacar (UAE Emirates), a realidade o direciona para vitórias de etapas e para a conquista da Classificação de Montanhas.

“Adoraria brigar pelo GC, mas, no momento é impossível”
Em entrevista ao Escapa Podcast, nesta quarta-feira, Carapaz explicou que ainda sente atração pela disputa do pódio, mas acredita que esse objetivo só seria viável com uma estrutura mais forte ao seu redor.
“Obviamente, eu adoraria brigar pela classificação geral, mas, no momento, estando sozinho, é impossível”, admitiu Carapaz. “Quando você vai para o Tour, precisa de todos a 100%, e agora não temos isso. Precisamos ser realistas.”
No Tour de France 2024 Carapaz vestiu a camisa amarela e posteriormente conquistou a classificação de montanha, além de vencer a etapa de SuperDévoluy. Agora, ele pretende seguir uma estratégia semelhante.
“A princípio, tentarei fazer o mesmo que fiz há 2 ou 3 anos. Se eu conseguir pegar a camisa amarela, tentarei, obviamente”, disse ele. “Depois disso, se não der, chegará um momento em que teremos que tirar o pé e avaliar quais oportunidades surgirão pela frente.”
O ciclista acredita que a corrida começará em ritmo intenso, sem espaço para estratégias conservadoras. “Isso vai criar algumas diferenças. No mais alto nível atual, todos correm para vencer tudo, e a maioria das equipes vai para cima.”

“É impossível fazer Pogacar sofrer, ele está muito acima de todos os outros”
A atuação de Tadej Pogacar (UAE Emirates-XRG) no Tour de Suisse ilustra a impressão de Carapaz sobre a superioridade do esloveno. “Hoje é impossível fazer Pogacar sofrer. Ele está muito acima de todos os outros”, disse Carapaz.
“O que ele mostrou na Suíça foi incrível. Ele é o único ciclista capaz de desafiar Mathieu van der Poel (Alpecin-Premier Tech) em uma Clássica ou na Paris-Roubaix e, na sequência, vencer a Flèche Wallonne, a Liège-Bastogne-Liège, a Il Lombardia, a Strade Bianche ou o Tour de France.”

“Não podemos dizer que o Tour já está decidido“
Apesar dos elogios ao atual campeão mundial, o equatoriano não considera que a disputa esteja definida antes da largada. Para Carapaz, o favoritismo de Pogacar é evidente, mas fatores imprevisíveis continuam podendo alterar o rumo da corrida.
“Não podemos dizer que o Tour já está decidido, pois é uma corrida de bicicleta e tudo pode acontecer”, afirmou.
“Uma queda ou uma doença podem influenciar o resultado. Teoricamente, Pogacar é o grande favorito, obviamente, mas a Visma-Lease a Bike e a Red Bull BORA também trarão ciclistas para tentar a disputa.”
Com isso, o plano do equatoriano passa por aproveitar oportunidades específicas ao longo da prova: buscar a “Maillot Jaune” nas etapas iniciais, disputar a Classificação de Montanha caso a Geral se torne inviável, além de vencer uma etapa através de uma fuga.

“O Alpe d’Huez realmente me empolga”
Entre todas as etapas do percurso, duas etapas (19 e 20) chamam especialmente a atenção do equatoriano. “Alpe d’Huez é uma etapa de que gosto e que realmente me empolga”, disse Carapaz, sem definir qual etapa se referia.
“É uma subida muito dura e todos sabem disso. Mas, na teoria, as coisas sempre podem mudar. É preciso ser inteligente, saber em qual fuga entrar e aproveitar as oportunidades que surgirem.”

“O Tour é tão sério, que se você não estiver preparado, é melhor não ir”
O 2º lugar conquistado no Tour de Suisse, somente atrás de Tadej Pogacar, serviu como um importante indicador de que sua preparação está no caminho certo.
“O Tour de Suisse foi algo muito especial”, disse Carapaz. “Tratou-se de me reencontrar e de poder lutar novamente por um pódio. Isso confirma que fizemos uma boa preparação. Foi o melhor teste que poderíamos ter tido antes do Tour.”
O resultado trouxe tranquilidade e confirmou que ele está pronto para enfrentar o desafio francês.
“Se eu tivesse terminado em 20º ou pior, a meia hora ou 40 minutos atrás dos melhores ciclistas, talvez você comece a repensar as coisas”, disse ele. “O Tour é uma prova tão séria que, se você não estiver devidamente preparado, é melhor não ir”, finalizou Richard Carapaz.