“Tadej Pogacar é favorito, mas não subestime Vingegaard, ele está melhor” campeão do Tour de France analisa a competição
Campeão do Tour de France de 1997, Jan Ullrich analisou as perspectivas para a edição de 2026 da competição, que começa no próximo sábado com um Contrarrelógio por Equipes em Barcelona.
Em entrevista ao jornal Sport Bild, o ex-ciclista alemão de 52 anos falou sobre as chances de seu compatriota Florian Lipowitz, comentou a estratégia da Red Bull-Bora-hansgrohe e avaliou a disputa entre Tadej Pogacar (UAE Emirates) e Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) pelo título.

“Florian Lipowitz pode fazer a diferença nas montanhas”
Questionado sobre as possibilidades de Florian Lipowitz, 3º colocado na Classificação Geral do Tour no ano passado, Jan Ullrich acredita que o alemão tem condições de voltar ao pódio.
“O pódio está definitivamente ao seu alcance novamente. Ele é capaz disso. Na primavera, ele estava competindo com os melhores e, mais recentemente, venceu o Tour da Eslovênia de forma convincente.”
“O importante é que ele passe pela primeira semana sem problemas. As etapas planas são as mais perigosas para os candidatos à classificação geral. É crucial que Florian seja protegido pela equipe.”
Ullrich relembrou ainda um episódio da edição passada, quando Lipowitz perdeu tempo após um problema mecânico.
“No ano passado, ele teve que pedalar sozinho por um longo tempo após um pneu furado para se juntar ao pelotão novamente. Isso não acontecerá este ano. Florian pode fazer a diferença nas montanhas.”

“Florian Lipowitz é melhor que Remco Evenepoel”
A Red Bull-Bora-hansgrohe disputará o Tour com liderança dividida entre Florian Lipowitz e Remco Evenepoel. Para Jan Ullrich, Lipowitz está melhor preparado para a competição.
“Sim. Já vimos isso na primavera (Volta a Catalunya). Remco (finalizou na 5ª posição) não se importou em dar apoio a Florian (3º colocado).
“Pessoalmente, acho que Florian é melhor. Quanto a Remco, tenho uma dúvida. Ele pedalou bem na primavera, mas teve dificuldades nas subidas longas e não correu desde então.”
Perguntado se Florian Lipowitz poderá vencer o Tour de France no futuro, Jan Ullrich demonstrou otimismo.
“É sempre difícil dizer. Ele é ciclista profissional há apenas 7 anos. Portanto, acredito que ele continuará a se desenvolver e a se tornar ainda mais forte. Ele ainda não atingiu seu auge. Ele tem uma equipe fantástica ao seu redor e está em um ótimo caminho.”

“Tadej Pogacar é favorito, mas eu não subestimaria Jonas Vingegaard”
Na avaliação de Jan Ullrich, Tadej Pogacar inicia o Tour como principal favorito, embora Jonas Vingegaard continue sendo um adversário capaz de ameaçar o domínio do esloveno.
“A forma como ele pedala é incrível. Vimos isso novamente no Tour de Suisse, onde ele pedalou sozinho por 70 km na primeira etapa e venceu.”
Mesmo assim, o alemão alerta para o potencial do dinamarquês. “Mas eu não subestimaria Jonas Vingegaard. Ele é tão bom que pode ser perigoso para Pogacar. Ele venceu o Giro de forma dominante, depois diminuiu o ritmo um pouco e fez alguns treinos em altitude, essa estratégia pode dar certo.”

“Jonas Vingegaard estará melhor que no ano passado”
“Acho que ele estará ainda melhor do que no ano passado. Será difícil deixá-lo para trás nas montanhas, especialmente nas subidas longas.”
“Pogacar é o favorito, mas não vejo Vingegaard tão atrás; ele pode reagir. Os dois estão acima dos demais. Eles estão dominando novamente nesta temporada. Onde quer que larguem, eles vencem.

“Pogacar é o Eddy Merckx dos nossos tempos”
Jan Ullrich também comentou sobre o contato que teve com Tadej Pogacar e fez elogios ao atual campeão. “Conheci-o há alguns anos em Paris e depois falei novamente com ele na Itália. Gosto muito dele; ele é um cara muito agradável, tranquilo e pé no chão.”
“Ele também é engraçado — basta ver as postagens dele nas redes sociais. Ele é uma superestrela, mas não mudou”, complementou Ullrich.
“É um embaixador fantástico para o nosso esporte, não só no ciclismo. Ele já é incrível lá também. Ele não compete apenas para vencer o Tour de France, mas também nas Clássicas da primavera. Pogacar é o Eddy Merckx dos nossos tempos.”