“Se Tadej Pogacar quiser repetir o que fez, Vingegaard estará com ele”, Alberto Contador analisa os favoritos ao Tour de France; assista o vídeo
Alberto Contador, 2x Campeão do Tour de France (2007 e 2009) concedeu uma longa entrevista ao jornal MARCA, na qual fez uma análise sincera sobre o Tour de France 2026, destacando os principais candidatos ao título e a força das equipes.
Embora reconheça que Tadej Pogacar (UAE Emirates) chega como o grande favorito, o espanhol acredita que a última semana, repleta de etapas de alta montanha, pode equilibrar a disputa e abrir oportunidades para seus rivais, especialmente Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike).

“Se Tadej quiser repetir o que fez na Suíça, Vingegaard estará com ele”
Alberto Contador iniciou sendo questionado sobre suas expectativas para a corrida, o espanhol iniciou elogiando o desenho do percurso.
“Vejo um Tour de France que me agrada bastante devido ao percurso. Temos um favorito claro, Tadej Pogacar. Há algumas etapas interessantes antes da última semana, mas grande parte da dificuldade está concentrada nesse trecho. Acredito que isso foi feito para evitar que a corrida não seja decidida muito cedo.”
Para Contador, o desempenho de Tadej Pogacar no Tour de Suisse foi impressionante, mas ele acredita que o nível dos adversários no Tour será muito superior.
“Na Suíça, ele seguiu sozinho, sem querer. É verdade também que alguns ciclistas não estavam exatamente na roda dele. Se Tadej quiser fazer isso no Tour, Jonas Vingegaard estará lá com ele.”
“Na Suíça, a superioridade dele foi impressionante. Não acho que ele terá a mesma vantagem aqui, porque há ciclistas de outro nível. Aqui tem Vingegaard, Seixas, Lipowitz, que é muito forte em subidas longas, Remco, Ayuso… Este ano, no Tour, será um pouco mais complicado para ele. O importante para Pogacar será não cometer erros.”

“A teoria diz que Vingegaard é mais escalador que Pogacar, mas Pogacar quebra todas as teorias“
“Na Suíça, a superioridade dele foi impressionante. Não acho que ele terá a mesma vantagem aqui, porque há ciclistas de outro nível. Aqui tem Vingegaard, Seixas, Lipowitz, que é muito forte em subidas longas, Remco, Ayuso… Este ano, no Tour, será um pouco mais complicado para ele. O importante para Pogacar será não cometer erros.”
Ao comparar os 2 grandes favoritos, Contador acredita que a teoria favorece Jonas Vingegaard nas escaladas mais duras. “A teoria nos diz que Vingegaard, devido ao seu peso (58 kg) e físico, é mais um escalador do que Pogacar (66 kg). Mas Pogacar consegue ser tão rápido quanto ele, ou até mais, graças ao seu motor.”
“Quando você não é um escalador e depende mais da potência do motor, parece que esse motor trabalha mais do que o de um escalador puro. Mas Pogacar quebra todas as regras e todas as teorias. Ele pode te vencer em qualquer terreno.”
Ainda assim, acredita que existe um cenário favorável ao dinamarquês. “A corrida nos dirá como ele realmente se sai. Mas se há um lugar onde Vingegaard pode pressionar Pogacar um pouco mais, eu acho que é nas altas montanhas.”

“A equipe de Vingegaard não é a mesma”
Na visão de Contador, a Visma-Lease a Bike já não possui a mesma formação que ajudou Jonas Vingegaard a conquistar seus títulos. “A equipe que ele tem não é a mesma dos anos anteriores, e isso é um fato.”
Ele relembra o papel decisivo dos antigos companheiros.
“No ano em que ele venceu, ele tinha Primoz Roglic atacando no Galibier. No final, eles provocaram o colapso de Pogacar. Ele tinha Van Aert, que subia, descia, forçava o ritmo, fazia de tudo. Ele não tem mais isso.”
Alberto Contador acredita que a estratégia da Visma-Lease a Bike deverá ser diferente. “Sem dúvida, esse é um fator muito importante para vencer o Tour. É por isso que acho que a estratégia de Vingegaard precisa se concentrar nas etapas finais.”

“Se Vingegaard tiver que passar 3 meses num quarto de 15m², ele fará porque quer vencer“
Contador acredita que disputar o Giro pode afetar Vingegaard durante a 3ª semana do Tour. “Certamente isso pode afetá-lo, dado o esforço exigido.”
Segundo ele, tudo dependerá do desgaste no Grand Tour italiano. “O interessante seria saber a que percentagem do seu melhor desempenho Vingegaard estava no Giro e o quanto ele se esforçou lá. Acho que esse é um fator muito importante e pode influenciar bastante a forma como ele chegará ao Tour de France.”
Mesmo assim, ressalta a confiança do dinamarquês. “Tanto Vingegaard quanto sua equipe estão confiantes de que ele chegará em melhor forma do que nunca e que está melhor preparado do que nos anos anteriores. Mas teremos que ver isso na estrada.”
Contador discorda da declaração do diretor esportivo da UAE Emirates, Joxean Matxin Fernadez, que afirmou ao MARCA que disputar dois Grand Tours em sequência, pode afetar mentalmente um atleta, Contador discorda.
“Ele é um campeão que quer vencer. Se tiver que passar 3 meses num quarto de 15 m², ele fará porque quer vencer. Para um campeão, isso não é problema nenhum.”

“Isaac del Toro está voando”
Para Contador, a presença de Isaac del Toro representa uma enorme vantagem para a UAE Emirates. “Ele será um ciclista muito importante. No final (da etapa), pode haver 3 ou 4 ciclistas na frente e Pogacar pode estar com um companheiro de equipe.”
O espanhol lembra que isso já aconteceu anteriormente com Adam Yates, mas acredita que Del Toro chega ainda mais forte.
“Já vimos isso antes, Adam Yates subiu ao pódio ao lado de Pogacar no Tour de France (2023). Mas estamos falando de um ciclista que está voando. Ele venceu o UAE Tour, a Tirreno-Adriatico e o Critérium du Dauphiné. Ele está chegando em uma forma incrível.”

“Remco Evenepoel diz estar na melhor forma da sua vida”
Sem competir desde as Clássicas das Ardenas, Remco Evenepoel chega cercado de dúvidas. “Vimos Vingegaard em ótima forma no Giro, Pogacar na Suíça também, Del Toro, Ayuso e Lipowitz, que também mostrou um alto nível em uma prova menor como o Tour da Eslovênia.”
Sobre o belga, ele prefere aguardar. “O caso de Remco é um pouco incerto. Ele diz estar na melhor forma da sua vida. Agora precisamos ver se isso se confirma na estrada.

“Paul Seixas é uma incógnita“
Apesar da pouca idade, Paul Seixas impressiona o espanhol. “É evidente que ele é uma incógnita, pois nunca disputou uma Grande Volta e tem apenas 19 anos. Mas, com o talento que possui, é claro que não se pode descartá-lo na disputa por um lugar no pódio.”
Ele também comentou a estrutura da Decathlon. “Vale mencionar que a Decathlon dividiu a equipe. Investiram significativamente em Kooij, Cees Bol e Daan Hoole, alocando três ciclistas para ele”.
“O potencial de gregários da Decathlon não é tão forte quanto o de outras equipes, mas isso não deve ser um problema no início, já que o peso da corrida recairá sobre outros.”
E concluiu: “Veremos até onde ele chega, mas tenho certeza de que, no mínimo, ele almeja o pódio.”

“Juan Ayuso definitivamente está no grupo de candidatos ao pódio”
O espanhol também vê Juan Ayuso entre os favoritos ao Top 3. “Ele definitivamente está no grupo de candidatos ao pódio.”
“É verdade que veremos Skjelmose. Mas ele tem ciclistas como Verona, Gee, Pedersen, que entra em fugas e se movimenta muito bem, Quinn Simmons, a sensação do Tour do ano passado, Skujins… Acho que a Lidl-Trek tem uma ótima equipe para ajudar Ayuso a buscar esse pódio.”
“A força de Juan reside na sua versatilidade como ciclista em todos os tipos de terreno, aliada à sua impressionante capacidade de recuperação. A chave para ele é ser confiável e consistente, pois isso é fundamental para alcançar um lugar no pódio no Tour.”

O desafio do calor extremo “não gosto muito de falar”
Encerrando a entrevista, Contador comentou as altas temperaturas que os ciclistas devem enfrentar, especialmente na primeira enfrentadas pelos ciclistas. “É complicado propor alternativas.”
Embora reconheça a dificuldade de mudar os horários das etapas, acredita que os protocolos atuais são o melhor caminho.
“Estão implementando protocolos de resfriamento muito bons, treinamento específico para adaptação ao calor e até sessões de sauna após o treino. Além disso, há uma grande equipe de apoio com gelo, água e assistência constante a cada poucos quilômetros. Há pouco mais que possa ser feito.”
Sobre o treinamento em ambientes quentes, ele vê benefícios claros. “Sem dúvida, se eles já estão trabalhando nisso, pode ser um fator muito importante.”
Mas faz um alerta. “É um assunto sobre o qual não gosto muito de falar quando estou transmitindo para a Eurosport, porque é delicado e exige profissionais altamente treinados para operar em calor extremo. Tem que ser feito gradualmente para evitar a exaustão”, encerrou Alberto Contador.