“O Tour de France está decidido, não espero mais nada de Paul Seixas”, diretor da lenda Bernard Hinault analisa com sinceridade a prova, assista o vídeo
Após 9 etapas e uma primeira semana repleta de ação, Cyrille Guimard, ex-diretor esportivo de Bernard Hinault, 5x campeão do Tour de France, compartilhou sua análise sincera da competição, em entrevista ao site francês Cyclism’Actu.
“Vimos muitas coisas interessantes“
“Me diverti muito talvez seja um pouco exagerado. Não me senti nada entediado. Vimos muitas coisas interessantes e, como sempre digo, os cenários se desenrolaram de maneiras que não eram necessariamente o que esperávamos” iniciou o francês.
“Presenciamos uma corrida animada, com alguns momentos realmente intensos, principalmente a vitória de Mathieu Van der Poel em uma etapa verdadeiramente extraordinária”.

“Eu diria que o Tour de France está decidido”
Ao ser perguntado se a disputa pela vitória do Tour de France já estaria decidida, Guimard foi categórico ao analisar a classificação geral.
“Para o primeiro lugar, eu diria que sim, salvo imprevistos. Além disso, ainda há interesse no Top 10 e em todos aqueles ciclistas que não têm mais esperança na classificação geral, mas que, mesmo assim, são talentosos”.
Com Tadej Pogacar abrindo 2min 42seg sobre Jonas Vingegaard após apenas uma semana de competição, Guimard também comentou as declarações do diretor da prova, Thierry Gouvenou, que não imaginava uma diferença de tempo tão expressiva.
“Os organizadores têm uma coisa em mente, mas são os ciclistas que fazem a corrida e escrevem o roteiro. Acho que eles não esperavam uma diferença tão grande entre o 1º e o 2º lugar. Isso demonstra que são os ciclistas que decidem, não Thierry Gouvenou ou Christian Prudhomme (diretor geral do Tour), complementou o francês.

“Você precisa lembrar que Eddy Merckx venceu após um ataque a 120km”
O experiente dirigente também destacou que a evolução da tecnologia permite que as equipes conheçam cada detalhe do percurso, mas lembrou que ataques de longa distância sempre fizeram parte da história do ciclismo.
“Hoje em dia, com todos os sensores e toda a tecnologia disponível, todos sabem como explorar um percurso. E vamos parar de reescrever a história”.
“Quando você vê Pogacar atacar a 40 km da chegada no Tourmalet, precisa se lembrar que, naqueles mesmos Pirineus, Eddy Merckx atacou a 120 km da chegada em 1969 e venceu com quase 8 minutos de vantagem”, fala o francês, lembrando da 17ª etapa do Tour de 1969, entre Luchon e Mourenx.
“Nós testemunhamos 5 vitórias de Merckx, onde seu domínio foi tão avassalador quanto o de Pogacar hoje. E ele também tinha a melhor equipe, porque os maiores ciclistas geralmente têm a melhor equipe. Não devemos esquecer a história”, complementa Cyrille Guimard.

“Não espero mais de Paul Seixas, ele é muito jovem para o Tour”
Guimard finalizou a entrevista analisando a campanha do jovem Paul Seixas (Decathlon CMA CGM), que ocupa a 6ª colocação no GC a 3min 55seg de Pogacar. Na opinião do ex-dirigente, a equipe já atingiu seus objetivos para a prova.
“A minha opinião sobre Seixas é que a Decathlon venceu. Eles estão na mídia todos os dias e, além disso, conquistaram uma vitória de etapa em um sprint (com Olav Kooij). Portanto, o retorno do investimento é um sucesso”.
“Em termos pessoais, talvez voltemos a falar sobre isso daqui a alguns anos. Mas hoje, não espero mais de Seixas. Ele está no seu nível, onde deve estar”.
“Por enquanto, ele está no caminho certo para terminar entre os 10 primeiros, e todos ficarão felizes com isso. É uma pena, mas vou dizer, é o que eu penso. Continuo achando que Paul Seixas é muito jovem para disputar o Tour”, finalizou Cyrille Guimard.
