Vuelta a España 2026: Gregário de Tadej Pogacar admite surpresa com presença e afirma “as equipes buscarão maneiras não convencionais de vencer”
Depois de 6 temporadas defendendo a Picnic PostNL e suas equipes antecessoras, Kevin Vermaerke deixou a formação no ano passado e, em 2026, deu um importante passo na carreira ao ingressar na UAE Emirates-XRG, com um contrato até o final de 2027.
O norte-americano foi incluído na equipe que disputará a Vuelta a España, com a missão de trabalhar para Tadej Pogacar, que buscará conquistar pela primeira vez a corrida e, assim, completar seu ciclo de vitórias nos 3 Grand Tours.

“A UAE não é equipe para quem quer ter liderança garantida”
Em entrevista ao canal Domestique, Vermaerke fez uma análise de sua chegada à equipe e sua expectativa para a Vuelta a España.
“Definitivamente, a UAE Emirates não é a equipe para quem quer ter um papel de liderança garantido ou um calendário de corridas específico”, inicia Vermaerke.
“Você realmente precisa lutar pelo seu lugar, porque o nível de competição é muito alto. Mas isso eu considerava prioritário, porque sabia que me motivaria a elevar ainda mais o meu desempenho. Era essa a atmosfera que eu queria, e tem sido um alívio”, complementa o americano.
Kevin Vermaerke também reconheceu que existe pressão sobre os integrantes da equipe, mas destacou que ela não se transforma em uma cobrança excessiva. “Todos sabem que precisam ter um bom desempenho, mas não há estresse desnecessário, o que muitas vezes pode levar a resultados negativos.”
“Em uma equipe menor, se você estiver muito preocupado com o orçamento ou com os pontos da UCI, pode começar a se angustiar rapidamente com pequenas coisas que talvez não importem tanto.”

“Eu já achava que não disputaria um Grand Tour”
A presença de Kevin Vermaerke na equipe para a Vuelta a España também foi uma surpresa para o próprio ciclista. Ele revelou que não esperava disputar uma Grande Volta nesta temporada.
“Na verdade, eu já achava que não disputaria um Grand Tour, e acho que teria ficado perfeitamente bem com isso”, admite o ciclista.
“No início do ano, meu objetivo era aproveitar ao máximo os recursos da equipe, explorar novas corridas menores, conquistar minha primeira vitória como profissional e dar um passo à frente na minha carreira”, complementa o ciclista de 25 anos que ainda não registra uma vitória profissional.
Trabalhar na mesma equipe que Tadej Pogacar também permitiu a Vermaerke vivenciar uma realidade completamente diferente daquela que conhecia na Picnic PostNL.
“Eu fiz parte de uma equipe que tivesse vencido uma prova do WorldTour, mas este ano fiz parte da equipe que venceu o UAE Tour, a Strade Bianche, a Tirreno-Adriatico, o Criterium du Dauphiné e o Tour de Romandie. Então, acho que a Vuelta será definitivamente um teste para o ano que vem, especialmente para correr ao lado de Tadej.”

“A energia de Tadej Pogacar contagia a todos”
Kevin Vermaerke também revelou que gostaria de ter a oportunidade de disputar o Tour de France ao lado de Tadej Pogacar no futuro. Para isso, ele sabe que precisa continuar demonstrando sua capacidade de cumprir funções importantes dentro da equipe.
“Eu realmente gostaria de fazer o Tour com ele em algum momento, e acho que se eu conseguir provar o quão confiável posso ser nas próximas 3 semanas, isso definitivamente será algo que a equipe levará em consideração.”
“A calma do Tadej te dá ainda mais força para fazer seu trabalho com mais eficiência”, revela o ciclista.
“Acho que ele tem uma energia muito tranquila na maneira como lida com as coisas, e todos ao seu redor se contagiam com isso. Além disso, ele sabe como dar uma palavra de incentivo aqui e ali, especialmente depois de uma corrida”, complementa Vermaerke.

“Tadej faz com que todos se sintam parte da vitória”
Para Vermaerke, uma das principais qualidades de Pogacar está na maneira como ele reconhece o trabalho dos companheiros.
“Já estive em algumas equipes em que estávamos nos sacrificando pelo líder da equipe e não havia muito reconhecimento depois, então você fica com a sensação de ‘Cara, eu sacrifiquei minha corrida’.
“Mas com o Tadej, quando ele vence a corrida, ele faz com que todos se sintam parte da vitória, desde os mecânicos aos massagistas e aos seus companheiros de equipe.”
“Esse é um dos seus superpoderes, a capacidade de motivar as pessoas. Ele realmente faz você se sentir como se estivesse contribuindo para o sucesso dele, e eu acho que isso é algo muito especial.”

“Outras equipes buscarão maneiras não convencionais de vencer a prova”
Apesar do favoritismo de Tadej Pogacar, Vermaerke alerta que conquistar uma Grande Volta continua sendo uma tarefa extremamente difícil. O fato de o esloveno chegar à Vuelta a España como principal candidato não significa que o resultado esteja garantido.
“As pessoas presumem: ‘Ah, o Tadej vai para a Vuelta, então é uma vitória fácil’, mas nunca é fácil vencer uma corrida de 3 semanas, é muito imprevisível ao longo de 21 etapas”, insiste Vermaerke.
O norte-americano finaliza revelando que espera que os adversários adotem estratégias diferentes para tentar impedir mais uma vitória do até agora imbatível Tadej Pogacar.
“E, especialmente agora, com o domínio que o Tadej tem demonstrado, outras equipes buscarão maneiras não convencionais de tentar vencer a prova”, encerrou Kevin Vermaerke.