Ciclistas belgas teriam se recusado a participar do Mundial “como ciclista da UAE, você não poderia reconsiderar?” questiona ex-diretor
Em sua tradicional coluna semanal no jornal belga Het Nieuwsblad, Patrick Lefevere analisou as convocações para o Campeonato Mundial em Montreal e destacou uma mudança significativa na maneira como os ciclistas encaram os convites para representar seus países.
O ex-dirigente da Soudal Quick-Step utilizou as seleções da Bélgica e dos Países Baixos como exemplos para mostrar como a postura dos atletas mudou ao longo dos anos, com alguns recusando-se a servir as equipes nacionais.
“Os ciclistas ficavam ao lado do telefone com os dedos cruzados“
“Houve uma época em que os ciclistas ficavam sentados ao lado de seus telefones, com os dedos cruzados, no dia da seleção para o Campeonato Mundial, na esperança de ver o nome do técnico nacional aparecer na tela”, inicia o ex-dirigente.
“Ser selecionado para o Campeonato Mundial significava algo: você estava entre os 9 melhores ciclistas do seu país. Você tinha permissão para ir”, complementa Lefevere.
“Como ciclista da UAE, você não poderia reconsiderar?”
Segundo Lefevere, atualmente a situação é bastante diferente. Ele chama atenção para o fato de que alguns importantes ciclistas belgas teriam recusado o convite para disputar o Mundial.
“Hoje, claramente funciona de forma diferente. Li que Tim Wellens, Florian Vermeersch (ambos da UAE Emirates) Victor Campenaerts (Visma), Cian Uijtdebroeks (Movistar) e Ilan Van Wilder (Soudal Quick-Step) recusaram a honra (a equipe belga será anunciada oficialmente nesta segunda-feira).”
“Como ciclista da UAE, você não poderia reconsiderar sua decisão e se disponibilizar?”, questiona Lefevere.
O ex-chefe da Soudal Quick-Step segue revelando sua surpresa diante das decisões. “Francamente: não entendo o porquê”, afirma Lefevere enfaticamente em sua matéria no jornal belga.
Para ele, mesmo diante das ausências, a Bélgica ainda teria condições de formar uma equipe competitiva, graças à qualidade dos ciclistas disponíveis.
“Com ciclistas completos como Quinten Hermans (Pinarello Q36.5), Tiesj Benoot (Decathlon CMA CGM) e Maxim Van Gils (Red Bull Bora-hansgrohe), você nunca tem uma equipe fraca. Alec Segaert (Bahrain Victorious) é presença garantida para o longo terreno plano e para o contrarrelógio.”
“O tesoureiro da federação auxilia na seleção”
Lefevere também destaca uma particularidade da seleção belga para um Campeonato Mundial realizado longe da Europa, como será o caso do Canadá. Segundo ele, questões financeiras e logísticas também acabam influenciando a composição da equipe.
“Em um Campeonato Mundial distante, como o do Canadá, o tesoureiro da federação de ciclismo também auxilia na seleção. Os ciclistas para o contrarrelógio terão que vir da seleção de estrada.”
Apoio a Mathieu van der Poel também é questionado
O ex-dirigente belga ressaltou ainda que a situação não é exclusiva de seu país. A seleção holandesa também precisou lidar com algumas ausências importantes. “Recusas não são um fenômeno exclusivo da Bélgica”, diz ele, referindo-se à equipe neerlandesa.
Ao analisar a equipe de apoio que estará ao redor de Mathieu van der Poel, Lefevere demonstrou surpresa com a ausência de alguns dos principais nomes inicialmente esperados.
“Quando olho para a equipe de apoio que rodeia Mathieu van der Poel, não creio que envolva os primeiros 8 nomes da lista do treinador holandês Koos Moerenhout.”
Na avaliação de Lefevere, alguns ciclistas experientes ficaram de fora, enquanto outros nomes foram chamados para completar a seleção.
“Sem Wilco Kelderman, Dylan van Baarle ou Thymen Arensman, mas Mathijs Paasschens, Menno Huising e o bom e velho Bauke Mollema”, encerrou Lefevere.