Campeonato Mundial: Paul Seixas admite ter sido beneficiado com queda de adversário “não gosto de dizer isso, mas ele caiu”, assista o vídeo
O francês Paul Seixas, de apenas 19 anos, conquistou neste domingo a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Contrarrelógio, completando o pódio ao lado de dois ícones da especialidade, Remco Evenepoel e Filippo Ganna.
Após a prova, o francês fez uma análise do seu desempenho ao canal Eurosport, comemorando o resultado, mas também admitindo que foi beneficiado pela queda de Jakob Söderqvist. O sueco vinha com um forte desempenho antes de sofrer uma queda, finalizando na 5ª posição, com somente 13 segundos de atraso em relação ao francês.
“Em termos de gerenciamento foi quase perfeito”
Questionado sobre a satisfação com o resultado, Seixas destacou a importância de ter conseguido executar quase perfeitamente sua estratégia.
“Estou muito feliz. Fiz um tempo que em termos de gerenciamento quase perfeito. As sensações estavam lá. Eu estava bem, fisicamente forte, e conseguimos administrar bem o tempo com a equipe, que me colocou nas melhores condições para isso.”
O francês também destacou o apoio recebido tanto da seleção francesa, quanto de sua equipe.
“Estou contente com o trabalho, seja do meu treinador, da seleção francesa e da minha equipe que sempre me apoia, isso é ótimo. Agora estou feliz de trazer essa bela medalha e espero que isso também dê confiança para o contrarrelógio nas categorias mais jovens.”
“Vimos que o Remco está realmente acima”
Aos 19 anos, Seixas alcançou seu primeiro pódio no Mundial de Contrarrelógio, com a mesma idade que Remco Evenepoel conquistouo seu primeiro pódio na especialidade (2º lugar em Harrogate, Inglaterra). O francês pensa na possibilidade de, no futuro, lutar pelo título mundial.
“Claro. A longo prazo, talvez um dia eu possa mirar o 1º lugar, agora ainda está longe. Vimos que o Remco está realmente acima. Ele é um grande campeão, 4 vezes campeão mundial, é respeitável. Filippo também é um grande campeão. Estou feliz por estar ao lado desses dois caras.”
“Tive um pouco de sorte, não gosto de dizer isso“
Apesar da satisfação, Seixas não escondeu que a queda de Jakob Söderqvist a 3 km da chegada teve influência direta na disputa pelo pódio. O francês lamentou que o resultado possa ter sido afetado pelo acidente.
“Tive um pouco de sorte, não gosto de dizer isso, mas o Söderqvist estava muito sólido hoje, ele caiu, e isso certamente não é algo que se aprecia, mesmo que me favoreça no fim das contas”
“Mas sempre fica aquele pequeno amargor de pensar que, bom, eu fiquei em 3º lugar porque um cara caiu e não sabemos o que poderia ter acontecido, mesmo que eu não saiba exatamente quanto tempo ele perdeu, mas não é algo bom para ele.”
Seixas também explicou que adotou uma abordagem mais conservadora nas curvas, estratégia que contribuiu para preservar sua posição.
“Acho que hoje corri talvez com um pouco menos de risco nas curvas, o que me permitiu garantir essa colocação, e é isso. Depois, fiz o que tinha que fazer e estou feliz com minha medalha.”
“Temos as cartas na mão, só resta jogar”
Com apenas uma semana até a disputa do Campeonato Mundial de Estrada, Seixas já começa a projetar um novo desafio. “Espero fazer melhor do que hoje e estar em outra posição no pódio. Acho que temos a equipe para isso.”
O jovem francês ressaltou, porém, que a prova de estrada exigirá uma abordagem completamente diferente daquela utilizada no contrarrelógio.
“Na estrada, penso que é diferente, não podemos comparar com um esforço num contrarrelógio, porque há a durabilidade, a tática e o esforço é completamente diferente. Acho que fisicamente estou forte e me sinto bem, isso é uma ótima notícia. Hoje, me senti forte novamente.”
Para Seixas, o próximo passo será transformar essa condição física em uma atuação inteligente durante a corrida. “Agora é preciso correr bem, correr inteligentemente. Há grandes ciclistas à minha frente e espero que tudo corra bem. Mas, de qualquer forma, temos as cartas na mão, só resta jogar”, finalizou Paul Seixas.