“Paul Seixas fracassou por causa dos seus colegas” ex-ciclista francês faz fortes críticas à seleção francesa
Considerado um dos candidatos ao título, Paul Seixas teve um resultado decepcionante no Campeonato Mundial, no último domingo, em Montreal. O francês terminou na 15ª posição, a 2min 47seg do campeão Brandon McNulty, deixando Montreal em realizar o sonho de conquistar a camisa arco-íris.
O ex-ciclista Jérôme Pineau, vencedor de uma etapa no Giro d’Italia, e comentarista do canal RMC, analisou o desempenho francês no programa Super Moscato Show. Para ele, a estratégia francesa acabou quando os gregários de Paul Seixas ficaram para trás, deixando seu capitão sozinho.
“A equipe francesa implodiu como pipoca”
“Paul Seixas pagou o preço pelo fracasso de alguns de seus companheiros franceses”, iniciou o comentarista. “Não devemos nos esconder atrás da estratégia. A estratégia era sólida. Mas só era sólida se nossos ciclistas conseguissem se manter firmes e estivessem em boa forma. Faltou força coletiva no lado francês”, inicia Jérôme Pineau.
“Também pagamos o preço pelo fracasso da equipe belga; eles simplesmente não estavam à altura da tarefa. Deveria haver um favorito, Evenepoel, e ele acabou sendo ofuscado”.
“E a equipe francesa, depois do magnífico trabalho de Bruno Armirail, implodiu e se desfez como pipoca. Não sobrou ninguém ao redor de Paul a 70 km da chegada.”
Antes de ficar fora da disputa, a seleção francesa trabalhou em alta intensidade, uma postura que, segundo Remco Evenepoel, pode ter prejudicado o próprio líder. O belga avaliou que a França poderia ter “talvez destruído seu próprio líder com isso”.
“Venceram porque, sem Pogacar, a corrida é diferente“
Pineau também destacou o peso da superioridade numérica dos Estados Unidos na parte decisiva da corrida. “Foi a vantagem numérica que fez a diferença”, continuou Jérôme Pineau.
“Os três americanos (Brandon McNulty, Quinn Simmons e Matteo Jorgenso) estavam incrivelmente fortes e tinham a vantagem numérica na reta final… e venceram! Venceram porque, sem Pogacar, a corrida é diferente, e vimos que eles não sabem como fazer isso.”
Na visão de Pineau, a situação de Paul Seixas ficou ainda mais complicada quando o francês passou a ter de assumir tarefas que deveriam estar sob responsabilidade dos gregários.
“Paul teve cãibras porque, a 70 km do fim, ele teve que carregar as garrafas de água, anular diferenças, pedalar no plano… Mesmo sendo um jovem de 20 anos e a maior estrela, é demais!”
“A duas horas da chegada, Paul Seixas estava sozinho“
“Houve vários momentos em que um Sivakov ou um Prodhomme deveriam estar lá para dizer a ele: ‘Beba água’, ‘Eu te dou uma garrafa’. Eles não estavam mais lá! A duas horas da chegada, Paul Seixas estava completamente sozinho. Para uma grande nação, isso não é normal”, concluiu Jérôme Pineau.
Apesar das críticas de Pineau à atuação coletiva da França, Paul Seixas adotou uma postura diferente ao explicar sua própria atuação. O jovem ciclista classificou o problema como um “erro infantil” e afirmou sentir “vergonha” pelo resultado.
“Eu tinha tudo o que precisava para conseguir, mas acho que administrei mal minha nutrição e hidratação. Nunca tive cãibras em uma bicicleta antes, e aconteceu hoje (domingo)”, lamentou o líder francês.