“Paul Seixas ganhará milhões, mas não mais que Tadej Pogacar”, agente de Pogacar analisa orçamentos no WorldTour
Nos últimos anos, o mercado do ciclismo profissional passou por uma transformação significativa, marcada por contratos cada vez mais longos e milionários, além de rescisões antecipadas entre ciclistas e equipes.
Diante dessa nova realidade do WorldTour, o agente de Tadej Pogacar (UAE Emirates), Alex Carera, concedeu entrevistas nas quais analisou os fatores responsáveis por essa tendência, comparando seu representado, Pogacar e o jovem prodígio francês Paul Seixas (Decathlon CMA CGM).
“Um orçamento de € 25 milhões estaria entre os 5 piores”
Para Carera, um dos principais motivos dessa mudança é o aumento da duração média dos contratos. Outro fator importante está relacionado à transformação no perfil dos proprietários das equipes.
“Até 5 ou 6 anos atrás, na maioria dos casos, os donos das equipes eram os próprios gerentes, frequentemente ex-ciclistas. Eles não tinham uma visão de longo prazo e não queriam correr o risco de sofrer penalidades por contratar ciclistas de outras equipes”, afirmou Carera ao La Gazzetta dello Sport.
Segundo ele, atualmente, a realidade é diferente. Os principais patrocinadores passaram a desempenhar um papel central na gestão das estruturas do ciclismo profissional.
“Os donos das equipes são… os próprios patrocinadores. UAE, Decathlon, Lidl, Red Bull, para citar alguns. Além disso, o capital aumentou enormemente: em 2020, se uma equipe tivesse um orçamento de € 25 milhões, poderia ser considerada rica. Agora, estaria entre as 5 piores”.
“Tadej Pogacar ultrapassou os limites do ciclismo”
O crescimento dos investimentos também levanta questões sobre os valores envolvidos nas cláusulas de rescisão dos principais contratos. No caso de Tadej Pogačar, Carera considera que o esloveno ocupa uma posição excepcional.
“Sim, porque tem um valor muito elevado, a cláusula é quase simbólica: Tadej ultrapassou os limites do ciclismo.”
A declaração reforça a percepção de que o valor esportivo e comercial de Pogacar o coloca em uma categoria própria, tornando sua situação contratual diferente daquela da maioria dos profissionais.
“Paul Seixas ganhará milhões, mas não mais do que Pogacar”
Em participação no podcast Triciclo, Alex Carera também comentou as perspectivas financeiras do jovem francês Paul Seixas. O francês deverá receber um novo contrato com a Decathlon CMA CGM, que poderia ter números semelhantes aos de Pogacar.
Tadej Pogacar teria um contrato de cerca de 8 milhões de euros por temporada com a UAE Emirates, no entanto, patrocinadores pessoais elevariam seus rendimentos para perto de €13 milhões.
Durante o Tour de France, circularam rumores, nunca confirmados, de que Paul Seixas poderia ter recebido uma proposta de até € 13 milhões da Pinarello-Q36.5, equipe do bilionário Ivan Glasenberg.
“Com certeza, o próximo contrato de Paul Seixas valerá milhões, mas ele não ganhará mais do que Tadej Pogacar”, afirmou Carera.
“É impossível ver as ofertas reais que estão na mesa, em vez dos valores divulgados pela mídia. Mas considerando o que ele fez em 2026, desde a Strade Bianche, Liège-Bastogne-Liège, a vitória na La Flèche Wallonne, sua participação no Tour e a vitória na Il Lombardia, é claro que ele vale milhões, complementa o italiano.
“Um francês não pode se mudar para Mônaco para pagar menos impostos“
Na avaliação de Carera, 3 características ajudam a explicar o elevado interesse comercial em Paul Seixas. “Seixas é jovem, já venceu um Monument Classic e é francês. São três aspectos importantes. Isso influencia o mercado e o valor do seu contrato”, explicou o empresário.
“Há também outros fatores. É importante considerar os impostos que um piloto paga. Por exemplo, um ciclista francês não pode se mudar para Mônaco para pagar menos impostos, devido à legislação francesa. Isso impacta seus ganhos”, afirma Carera.
“Um bom agente precisa ser capaz de avaliar o valor de mercado de um ciclista e iniciar as negociações a partir daí. Também leva em consideração os resultados, o desempenho e o potencial de liderança que o ciclista demonstra.”
O italiano explicou ainda que os valores dos contratos variam de acordo com a especialidade e a importância esportiva de cada corredor.
“O valor de um sprinter é menor do que o de um bom escalador, especialmente se comparado ao de um ciclista de Grand Tours. Novamente, trata-se de forças de mercado. Cada atleta é único”, finalizou Alex Carera.