“Jonas Vingegaard deveria se libertar dessa armadilha do Tour de France, Tadej atrapalha”, campeão da Vuelta é franco com o dinamarquês
Em 2025, completa-se dez anos desde a vitória de Fabio Aru na Vuelta a España. Para marcar a data, o italiano de 35 anos concedeu uma entrevista ao canal italiano TuttoBiciWeb, na qual revisitou sua conquista e aproveitou para oferecer conselhos ao atual favorito da prova, Jonas Vingegaard.
Ao recordar o triunfo de 2015, Aru não escondeu a emoção:
“Continua sendo incrivelmente emocionante, especialmente agora que estou lá como embaixador”, afirmou o ex-ciclista, que junto com a Astana conseguiu tirar de Tom Dumoulin (Giant-Alpecin) a camisa vermelha na 20ª etapa, com chegada em Cercedilla.

Ele destacou a dureza daquela batalha:
“Tínhamos uma boa estratégia e nos sentíamos fortes, mas o Dumoulin lutou até o último dia (Dumoulin acabou na 6ª colocação geral, ed.) Não se pode simplesmente derrubar um ciclista assim”.
“Tentamos atacá-lo durante toda a última semana, mas ele não cedeu um metro. Felizmente, com o apoio da minha equipe, a situação mudou e eu venci.”

“Ciclistas como Vingegaard não deixarão nada para outros do GC”
Além de analisar os favoritos, Aru mostrou entusiasmo com seus compatriotas Giulio Ciccone (Lidl-Trek) e Giulio Pellizzari (Red Bull Bora-hansgrohe).
O ex-campeão espera que Pellizzari confirme as boas impressões deixadas no Giro d’Italia. “No Giro, ele primeiro teve que correr pelo Roglic, e só depois pôde correr por si mesmo. O Roglic não estará nesta Vuelta, e acho que o veremos um pouco mais livre, então acho que ele pode se sair bem.”

Aru aconselhou Ciccone a traçar metas realistas. “Concentre-se em algumas etapas em vez de mirar imediatamente na classificação geral. Escaladores como Vingegaard não deixarão nada para outros ciclistas da classificação geral nas grandes subidas.”
“Temos que esperar para ver como Vingegaard se recuperou do Tour de France”
Embora o dinamarquês da Visma-Lease a Bike, seja apontado como principal candidato à vitória, Aru prefere adotar cautela.
“Ele pode ter um desempenho forte, mas temos que esperar para ver como ele saiu do Tour de France e como se recuperou”, avaliou.
No último Tour de France, Vingegaard mais uma vez não conseguiu superar Tadej Pogacar, fato que, segundo Aru, exige uma mudança de estratégia.
“Nos últimos dois Tours, ele pode ter sido ainda mais forte do que quando venceu, mas não conseguiu sequer uma vitória de etapa este ano”, destacou.

“Jonas Vingegaard deveria se libertar dessa armadilha do Tour de France”
Para Aru, insistir exclusivamente na rivalidade com Pogacar pode ser prejudicial. O italiano acredita que Vingegaard deveria diversificar seu calendário e buscar novos desafios. “Ele deveria tentar ganhar algo diferente para expandir sua lista de conquistas e se libertar dessa armadilha do Tour”.
“Também acho que ele precisa se distanciar da dualidade Vingegaard-Pogacar, porque, no fim das contas, Tadej atrapalha um pouco, e os resultados são o que são”, finalizou Fabio Aru.
