João Almeida concede entrevista antes da Vuelta da España e afirma que atritos com Juan Ayuso estão superados “tem que haver respeito mútuo, obviamente”
João Almeida está de volta a um Grand Tour depois da queda que o obrigou a abandonar o Tour de France ainda na 9ª etapa. O português, de 26 anos, alinhará novamente como líder da UAE Emirates-XRG na 80ª Vuelta a España, desta vez em dupla com o jovem espanhol Juan Ayuso, onde enfrentarão Jonas Vingegaard e a poderosa Visma-Lease a Bike.
O último Grand Tour da temporada, que começa neste sábado em Turim, será a 3ª participação de Ayuso na prova e a 4ª consecutiva de Almeida.

“Treinei apenas duas semanas a 100%, sem limitações”
Almeida reconhece que chega com menos preparação do que gostaria. “Infelizmente, tive que abandonar o Tour por causa do acidente, o que limitou minha preparação para a Vuelta”, afirmou em entrevista ao jornal português A Bola.
“Basicamente, treinei apenas duas semanas a 100%, sem limitações. Mesmo assim, acho que estou num estado de condicionamento físico minimamente bom. Vou dar o meu melhor e ver como termino”, iniciou João Almeida.

“Quando você se administra bem, chega mais forte na última semana. Esse é o meu objetivo”
Ciente de que ainda não está no auge da forma, o português aposta na evolução ao longo das três semanas de corrida. “Eu diria que talvez 90%”, explicou o ciclista de Caldas da Rainha.
“Estou em boa forma, mas não me sinto no meu melhor. Mas são três semanas, então temos tempo para nos sentirmos 100%, não é? Você pode evoluir dia a dia, semana a semana. Quando você se administra bem, chega mais forte na última semana. Esse é o meu objetivo.”

Apesar disso, o português vê pontos positivos: “Quando você começa revigorado e em boa forma, você melhora e fica com uma melhor forma física ao longo da corrida”.
“Às vezes, começamos no nosso limite e com algum cansaço, e acabamos terminando mal e cansados. Também se trata de saber como lidar com isso, e nos dias em que você tem que dar tudo de si, talvez fazer a diferença, quem sabe. Apostando tudo e não tendo medo.”

“Com a Visma é mais fácil ter uma corrida mais controlada, pode me ajudar”
Quanto à presença de Jonas Vingegaard e da poderosa Visma-Lease a Bike, o português prefere encarar como uma oportunidade.
“Sim, ele leva uma equipe muito forte para todas as corridas. Todos esperavam por isso. Mas acho que isso acaba me favorecendo. Com uma equipe forte, eles querem assumir o controle, e isso torna a corrida mais difícil e previsível”.
“Às vezes, quando nenhuma equipe assume a responsabilidade, as coisas ficam caóticas. Mas com blocos fortes, é mais fácil ter uma corrida mais controlada. Isso pode me ajudar.”

Atritos com Juan Ayuso ficam para trás “tem que haver respeito mútuo, obviamente”
Uma das grandes apostas da UAE Emirates para esta edição é a liderança compartilhada entre Almeida e Ayuso. Apesar dos atritos passados, João garante que a relação é hoje positiva. “Sim, nos damos bem. Tivemos pequenos atritos no passado, mas as coisas sempre se resolvem na hora”.
“É natural que esse tipo de coisa aconteça às vezes, mas, no geral, nos damos bem. Vamos com o objetivo de vencer como equipe, de tentar vencer a Vuelta. Acho que vai dar tudo certo.”
Para Almeida, essa dupla liderança pode ser uma arma contra Vingegaard. “Não acho que haja nenhuma luta interna. Tem que haver respeito mútuo, obviamente”.
“Mas como temos um adversário muito forte como Vingegaard, se pudermos jogar com duas cartas para cansá-lo, acho que será uma grande vantagem. Existe esse lado positivo”, finalizou João Almeida.
