Ex-ciclista top 5 na Paris-Roubaix analisa risco de Tadej Pogacar na prova “você não corre mais riscos na Paris-Roubaix”
A UAE Emirates-XRG confirmou oficialmente que Tadej Pogacar disputará a Paris-Roubaix no próximo dia 13 de abril. No entanto, antes do anúncio, feito após a Milan-Sanremo, havia um grande ceticismo dentro da equipe sobre essa decisão.
O diretor esportivo Mauro Gianetti chegou a afirmar, após a Strade Bianche, que esperava que o campeão mundial desistisse, talvez optando por esperar mais um ano.
“Você não corre mais riscos na Paris-Roubaix”
Stefano Zanini, diretor esportivo da XDS Astana e ex-ciclista, com dois top 5 na Paris-Roubaix (1996 e 2000), acredita que a participação de Pogacar poderia representar um risco, mas o italiano pondera ao Bici.Pro, que os riscos fazem parte do ciclismo.
Você teria reservas em deixar Tadej Pogacar correr a Paris-Roubaix? “Talvez sim. Também é verdade, que se você observar o risco de quedas, você não corre mais riscos na Paris-Roubaix, porque elas sempre podem acontecer, como temos visto nos últimos anos”.

“Ele caiu na Liège-Bastogne-Liège, onde ninguém esperava”
“Por exemplo, há dois anos ele caiu na Liège-Bastogne-Liège, onde ninguém esperava, o que comprometeu seu Tour”, ponderou Zanini, lembrando o acidente em 2023, onde Pogacar fraturou o pulso, comprometendo suas chances no Tour de France.
O italiano também reconhece que algumas equipes devem proteger seus principais ciclistas. “Eles têm que colocar tudo na mesa e depois decidir. Eu também gostaria de ter que tomar essas decisões, mas infelizmente, pelo menos por enquanto, não as temos.”

Uma queda da Paris-Roubaix é realmente mais perigosa?
Zanini refuta a ideia de que cair na Paris-Roubaix seja, necessariamente, mais perigoso do que em outras corridas.
“Na minha opinião, não. Depende sempre da queda. Mesmo descendo, você pode deslizar sem consequências, enquanto às vezes, ao atingir o chão em baixa velocidade, você pode quebrar um pulso ou uma clavícula”.
“Depende muito da sorte. Já sofri quedas inofensivas em alta velocidade e consequências sérias quando caí de forma imprudente. Existem muitas variáveis.”

“Talvez alguns ciclistas sejam menos habilidosos”
Outro ponto abordado por Zanini é a frequência com que alguns ciclistas caem mais que outros. “Eu nem sei, claro que tem azar, mas talvez alguns ciclistas sejam menos habilidosos para andar de bicicleta, o que as leva a se envolverem mais do que outras.”
Ele também comenta sobre os pneus furados e atribui isso em parte à inexperiência. “Na minha opinião, é apenas uma coincidência. Mas, novamente, há variáveis”.
“Por exemplo, é importante ficar no centro da estrada (os paralelepípedos são melhores, especialmente quando estão molhados), se você andar de lado nas poças d’água, nunca saberá o que há por baixo, finalizou Zanini.”
