Tom Pidcock explica ausência no Tour de France “nos últimos anos não correspondi e honestamente não gostei”
Tom Pidcock decidiu não participar do Tour de France deste ano, optando por concentrar seus esforços nas clássicas e monumentos. Após sua movimentada transferência para a Q36.5 Pro Cycling, o britânico de 25 anos revelou suas razões para evitar a tradicional corrida de três semanas.
Em entrevista ao Rouleur, ele explicou por que não considera o Tour de France uma competição divertida e como essa experiência afeta ciclistas como ele.
“Eu não as correspondi às expectativas por vários motivos”
Pidcock relembrou sua estreia na competição francesa com entusiasmo, mas destacou que sua experiência nos anos seguintes não foi tão positiva.
“Meu primeiro ano no Tour (2022) foi ótimo”, afirmou o ciclista. “Eu ganhei uma etapa e G (Geraint Thomas) estava no pódio. Mas nos últimos 2 anos, eu honestamente não gostei. Foi difícil, eu não ganhei uma etapa e, como equipe, não fomos tão bem-sucedidos quanto estávamos acostumados.”
O britânico complementou. “Eu só quero me divertir e sentir que faço parte do jogo. Eu também acho que as expectativas aumentaram nos últimos anos. E sim, eu não as correspondi por vários motivos. Isso não é legal, claro.”
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“Você é questionado e tem que responder positivamente”
Além da intensa disputa, Pidcock mencionou o peso da constante atenção da mídia e das cobranças sobre os ciclistas durante o Tour de France.
“Há olhares sobre você todos os dias”, disse ele. “E perguntas são feitas quando as coisas não estão indo do jeito que você quer. Por exemplo, antes de cada etapa, você é questionado sobre suas expectativas e você sempre tem que responder positivamente”.
“Você não pode simplesmente dizer: Acho que vai ser ruim. E se for ruim, você tem que responder perguntas sobre o porquê de ter dado errado”, complementou Pidcock.
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“É ainda pior para Mathieu van der Poel do que para mim”
A visão de Pidcock sobre o Tour se assemelha à de Mathieu van der Poel, que também revelou não sentir muito prazer em participar da competição. Embora inicialmente tenha considerado pular a prova, o holandês acabou decidindo correr este ano.
Pidcock compartilhou uma lembrança que reforça essa similaridade. “Lembro-me de um dia no final (do pelotão) no Tour, Van der Poel estava bem na minha frente. Não falei com ele, mas pensei pela sua linguagem corporal que ele tinha o mesmo sentimento que eu”.
“Tipo: isso é chato. Ele não estava gostando, mesmo que você esteja na maior corrida do mundo e haja milhares de pessoas torcendo. E provavelmente é ainda pior para ele do que para mim”, concluiu Pidcock. “Ele era o Campeão Mundial, vestia a camisa arco-íris e era o capitão da equipe.”