João Almeida concede emocionada entrevista “liguei para minha mãe chorando, não queria mais pedalar” português analisa a carreira

Em uma extensa entrevista ao canal espanhol Ciclismo a Fondo, o português João Almeida (UAE Emirates) analisou os aspectos que contribuíram para que ele se tornasse um dos principais ciclistas do mundo.

Embora seja reconhecido como um dos atletas mais fortes do pelotão profissional, reconhecido como um dos principais motores quando surgem as grandes montanhas, o ciclista de Caldas da Rainha revelou que sua verdadeira dominância reside em sua força mental.

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Sinto que dei um grande passo em frente neste ano

João iniciou a entrevista confirmando que a temporada que se encerrou foi a mais vitoriosa de sua carreira, um resultado que ele atribui ao trabalho consistente e à autoconsciência.

“Sim, com certeza. Tive muitas vitórias importantes. Sinto que dei um grande passo em frente neste ano, o que é um sinal de que estou indo muito bem.”

Embora os resultados não sejam garantidos, João afirma ter uma noção clara de seu potencial quando se prepara corretamente.

“É verdade. Quando você treina e faz as coisas direito, geralmente sou um ciclista que sabe do que é capaz. Você tem consciência do que pode fazer; alcançar isso é outra história, porque existem aspectos que você não pode controlar”.

“Se você cair, por exemplo, como aconteceu comigo no Tour de France. Eu estava me sentindo ótimo e não fiz nada. Essas coisas podem acontecer, mas tudo acaba se encaixando se você sabe que tem o que é preciso e trabalhou para isso”, afirmou João ao Ciclismo a Fondo.

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João Almeida no pódio da Volta ao Basco 2025

Queda no Tour de France: “não senti que a costela estivesse fraturada

Apesar do sucesso, a temporada foi marcada pelo abandono precoce no Tour de France após uma queda. Almeida expressou a dor de ter deixado a competição e a equipe tão cedo.

“Acho que eu poderia ter me saído muito bem. Não só pessoalmente, mas também como equipe, foi doloroso deixá-los tão cedo. Por isso, tentei até não poder mais, mas milagres não existem. Ainda tenho muitos anos pela frente e voltarei; tenho certeza disso.”

Relatando a gravidade da queda, ele descreveu como o diagnóstico da costela fraturada se confirmou gradualmente. “Sim, senti imediatamente no meu corpo que tinha sido uma queda muito forte, embora não me tivesse machucado muito gravemente”.

Talvez as minhas mãos doessem mais; pensei que tinha fraturado um dedo, não senti que a costela estivesse fraturada. Comecei a notar quando estava a fazer o raio-x e começou a aparecer uma equimose perto das minhas costelas”.

Então disse aos médicos: ‘Vejam, podem dar uma olhada aqui, porque quando toco, dói?’ Eles examinaram e, de fato, estava quebrada.”

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João Almeida abandona o Tour de France 2025

Tadej Pogacar é o melhor ciclista de todos os tempos, um alienígena”

João Almeida divide a liderança e o pelotão com o maior ciclista da atualidade: Tadej Pogacar. O português descreve a dinâmica da equipe como desafiadora e, ao mesmo tempo, relaxada, reconhecendo a superioridade do colega de equipe

“Eu gosto. É desafiador, e ao mesmo tempo, me sinto relaxado porque sempre temos um plano. Você faz parte da história quando está com ele; para mim, ele é o melhor ciclista de todos os tempos”.

Ele é alguém especial. Ainda me impressiona vê-lo correr porque o que ele faz não é normal. Às vezes me sinto ótimo, e Tadej está sempre um nível acima de mim. E você pensa: ‘Isso não é normal; ele é um alienígena.'”

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Minha motivação todas as manhãs é ser a melhor versão de mim mesmo”

Apesar da dominância de Pogačar, Almeida mantém seu foco na evolução pessoal. “Eu sempre me concentro em mim mesmo. Minha motivação todas as manhãs para treinar é ser a melhor versão de mim mesmo”.

“Se eu estiver no nível do Tadej, do Jonas Vingegaard, do Remco Evenepoel ou de qualquer outro, não importa, mas eu quero ser o melhor que eu puder. Espero estar sempre perto do Tadej (risos). Mas, no fim das contas, o importante é maximizar o que eu tenho nas pernas.”

Ele também assegurou que, apesar da era dominada por Pogacar, Vingegaard e Evenepoel, ainda há espaço para seu talento.

“Sim, também há espaço para mim; há muitas corridas. As coisas nem sempre correm bem ou conforme o planejado, nem para mim, nem para os outros. Às vezes, o azar de uma pessoa é a sorte de outra. O mais forte nem sempre vence.”

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João Almeida mostra a Jonas Vingegaard que há espaço para ele, durante o ataque na Bola do Mundo na Vuelta a España

Vitórias em 2026

Questionado sobre sua maior vitória, João Almeida teve dificuldade em escolher. “(Ele pensa por um instante) Não sei, tenho várias vitórias muito boas, mas gosto especialmente da Itzulia (Volta ao País Basco) deste ano”.

“Foi a primeira corrida por etapas que venci nesta temporada. Também destacaria o Tour da Suíça, porque o venci depois de ter recuperado terreno. Não ganhei muitas, então todas são boas e de alta qualidade. É difícil escolher apenas uma; todas são importantes e têm algo de especial.”

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João e o belo troféu do Tour de Suisse

Início da carreira: “um dia, experimentei o ciclismo de estrada, aqui estou”

O ciclista relembrou seus primeiros passos no esporte, que vieram do Mountain Bike após se cansar do futebol e da natação. “Eu jogava futebol e também nadava, mas cansei um pouco desses esportes e queria fazer algo diferente. Sempre andei de bicicleta e comecei a praticar Mountain Bike”.

“Um dia, experimentei o ciclismo de estrada, eu tinha uns 12 ou 13 anos e gostei muito. Percebi também que era ali que estava o meu maior potencial, então aqui estou”.

Rui Costa o ídolo de infância “aprendi muito com ele

Ele citou o compatriota Rui Costa como modelo a seguir, lembrando-se de sua vitória no Campeonato Mundial.

“Rui Costa já estava por aí nessa época, embora eu tenha começado a acompanhá-lo mais tarde. Ele tinha acabado de ganhar o Campeonato Mundial em Florença (2013) e eu me lembro de ter um pôster enorme dele pendurado na parede do meu quarto.”

“E também como companheiro de equipe durante os anos em que ele esteve aqui, na UAE Emirates. Aprendi muito com ele. Ele venceu corridas porque era forte, mas também outras porque era o mais inteligente. E ele sabe disso”.

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João Almeida e Rui Costa

“Liguei para minha mãe chorando, não queria mais pedalar”

Almeida reiterou o que considera ser seu principal trunfo para vencer. “Acho que o mesmo que com Rui Costa. Tenho pernas fortes, mas sempre venço com a cabeça.”

Ele também compartilhou o momento quando decidiu dedicar-se integralmente ao ciclismo profissional. “Eu estava na Axeon e antes disso numa equipe continental italiana. Eu não tinha certeza do que queria ser até completar 18 ou 19 anos”.

“Foi quando eu disse para mim mesmo: ou eu me esforço de verdade, ou desisto e nunca mais pedalo. Foi o ano mais importante da minha vida”.

Um dia liguei para minha mãe chorando, queria ir para casa, dizendo que não queria mais pedalar… (ele se emociona, a voz embarga, à beira das lágrimas). Sim, foi muito difícil”, afirmou o português, descrevendo a dificuldade que os jovens ciclistas enfrentam no início da carreira profissional.

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João Almeida ao vencer a Liège-Bastogne-Liège com as cores da Axeon Hagens Berman

“Ganhar uma Grande Volta é o meu sonho

Para finalizar, João Almeida não esconde que seu grande sonho permanece: vencer um Grand Tour. “Ganhar uma Grande Volta, qualquer Grande Volta, é o meu sonho. Já venci importantes corridas de uma semana, e uma Grande Volta de três semanas seria ainda mais emocionante”.

“Tenho a sorte de poder liderar algumas corridas em que o Pogacar não está competindo. Talvez se eu pedisse à equipe para ser co-líder com ele, eles me dariam a oportunidade, mas prefiro ir ajudá-lo, e se um dia eu conseguir um bom resultado, farei isso, mas sem comprometer a vitória dele”, finalizou João Almeida.

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