“Me pergunto se existem outros motivos…” aposentadoria repentina de Simon Yates tem forte repercussão
A decisão repentina de Simon Yates de encerrar sua carreira profissional segue gerando repercussões, especialmente na Dinamarca, país de Jonas Vingegaard, líder da Visma-Lease a Bike.
Após as críticas do analista Brian Holm, do tradicional Ekstra Bladet, agora foi a vez de Emil Axelgaard, da igualmente influente TV2 dinamarquesa, se manifestar sobre o caso.

“Eles já estavam enfrentando a temporada com um elenco enfraquecido”
Para Emil Axelgaard, a forma e, sobretudo, o momento em que a aposentadoria foi anunciada trazem consequências que não podem ser dissociadas da escolha em si.
“Sua decisão coloca a Visma em uma posição muito delicada”, escreveu o analista em sua coluna para a TV2.
“Eles já estavam enfrentando a próxima temporada com um elenco enfraquecido e, nos últimos anos, Yates foi, de fato, seu único reforço externo realmente significativo.”

“Essa decisão deve ter sido tomada durante o Natal e o Ano Novo”
As últimas aparições públicas de Simon Yates como ciclista da Visma-Lease a Bike ocorreram em dezembro, durante as atividades de inverno da equipe.
“Ele participou do período de treinamentos da equipe em dezembro, e a equipe publicou fotos dele quando apresentou o novo uniforme”, afirmou Axelgaard. “Em outras palavras, essa decisão deve ter sido tomada durante o Natal e o Ano Novo.”
Para Axelgaard, a questão central não é o direito do atleta de encerrar a carreira, mas o pouco tempo deixado para que a equipe pudesse reagir.
“Nesse sentido, seria razoável esperar e exigir que ele tomasse a decisão com antecedência suficiente para que a equipe tivesse tempo de reagir. Essa decisão tardia os deixou sem nenhuma chance”, afirmou o dinamarquês.

“Não posso deixar de me perguntar se existem outros motivos…”
Axelgaard também levantou dúvidas sobre se todos os fatores por trás da decisão vieram a público. “Não posso deixar de me perguntar se existem outros motivos não revelados por trás disso, isso é pura especulação, é claro”.
O analista reforça que desconhece o que ocorreu nos bastidores. “Claro, não sabemos os detalhes e não sabemos o que aconteceu nos bastidores, mas, em todo caso, foi uma decisão repentina.”
Segundo ele, esse caráter inesperado influencia a maneira como a situação é percebida internamente. “É por isso que a direção também tem motivos para estar insatisfeita com a decisão de Yates”, afirmou.

“Talvez ele esteja insatisfeito com o seu calendário de provas”
Axelgaard citou ainda um fator que poderia ter influenciado Yates, deixando claro que se tratava apenas de especulação. “Talvez ele estivesse insatisfeito com o calendário de provas que foi definido para ele e discutido no Training Camp em dezembro”, disse.
“Provavelmente, isso significaria que ele trabalharia como gregário de Jonas Vingegaard e, talvez, teria sua própria chance na Vuelta.”
Mesmo assim, o analista considera que isso não justificaria o momento da decisão. “Essa não é uma desculpa válida, porque ele sabia das condições quando mudou de equipe e deixou um time onde era a grande estrela”, argumentou.
“Ele até tem um irmão gêmeo que poderia lhe contar como é ser um gregário de luxo em uma grande equipe (referindo-se a Adam Yates, que trabalha para Pogacar na UAE), não deve ter sido uma grande surpresa”, finalizou Emil Axelgaard.