“Somente Pogacar e Van der Poel estão fora disso” ex-ciclista do WorldTour fala sobre as grandes mudanças no pelotão profissional

A aposentadoria repentina do campeão do Giro d’Italia, Simon Yates anunciada na última quarta-feira reacendeu o debate sobre as mudanças e as pressões cada vez mais intensas no WorldTour.

Davide Cimolai (ex-Movistar), que também anunciou recentemente sua aposentadoria, após 16 temporadas, abordou esse tema em uma entrevista ao SpazioCiclismo.

Segundo ele, o ciclismo mudou muito nos últimos anos, a ponto de apenas fenômenos como Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel parecerem imunes a esse desgaste extremo.

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Davide Cimolai (dir.) analisa o nível de desgaste físico e mental no WorldTour

“Hoje em dia é muito difícil conciliar carreira e família

Entre os motivos citados por Simon Yates para encerrar a carreira aos 33 anos, está a falta de tempo para conviver com a família. Cimolai concorda com o britânico. “Se o ciclismo tivesse permanecido como era há alguns anos, com certeza teria sido muito mais fácil”, afirmou o italiano.

Ele reforça a dificuldade de equilibrar vida pessoal e carreira nos dias atuais: “Com as exigências do ciclismo profissional hoje em dia, é muito difícil conciliar carreira e família se você quiser criar seus filhos de uma certa maneira”, explicou.

“Se você está ‘satisfeito’, de certa forma, a ideia de seus filhos ficarem com a mãe ou com uma babá, é obviamente diferente“, complementa o italiano.

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Simon Yates encerra a carreira poucos meses após vencer o Giro d’Italia

“Somente Van der Poel e Pogacar estão fora desta pressão”

Com 9 vitórias em 16 anos de carreira, Cimolai testemunhou transformações profundas no esporte. “Como vivenciei as mudanças radicais dos últimos anos, especialmente depois da Covid, entendo o quão difícil é, tanto física quanto mentalmente.”

Cimolai cita a preparação para a Milan–San Remo: “No passado, para se preparar para essa corrida, você chegava ao Tirreno-Adriatico com 80% ou 90% da sua capacidade.”

Segundo o italiano, essa realidade mudou completamente. “Um bom ciclista precisa estar em ótima forma desde a 1ª corrida do ano, caso contrário, corre o risco de não terminar ou de prolongar o tempo de recuperação.”

Essa exigência, de acordo com ele, tem poucas exceções: “Isso se aplica a praticamente todos, exceto a fenômenos como Mathieu Van der Poel e Tadej Pogacar”.

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Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel durante a Milan-Sanremo

“Os ciclistas deixam de se divertir, há uso excessivo das redes sociais

Para Cimolai, esse ambiente altamente exigente acaba corroendo os ciclistas ao longo do tempo. “Uma das coisas que acaba com os ciclistas é que eles deixam de se divertir.”

“Talvez também devido ao uso excessivo das redes sociais, há pouca interação entre os ciclistas. Não existe mais um grupo unido dentro da equipe, como costumava haver.”

O italiano lembra com nostalgia momentos simples do passado: “Percebi isso um pouco na Movistar, onde costumávamos tomar café juntos depois do jantar ou comer um pedaço de chocolate no ônibus.”

Cimolai conclui, que não para ele não havia outra alternativa, além da aposentadoria. “Percebi que não estava mais curtindo as corridas. Talvez fosse só cansaço, né? Mas eu sempre saía das corridas feliz, mas nos últimos anos… bem, você sabe”, finalizou Davide Cimolai.

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Davide Cimolai
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