Principal sprinter da Pinarello-Q36.5 passa por ablação cardíaca “meu coração acelerou, tive uma sensação estranha no peito”
Sam Bennett (Pinarello Q36.5) revelou nesta quinta-feira, que precisou se submeter a uma ablação cardíaca depois de sofrer um episódio de fibrilação atrial em novembro. O irlandês já voltou a treinar, mas ainda não tem data definida para fazer sua estreia pela nova equipe.
Em entrevista ao Irish Independent, Bennett contou que acordou no meio da noite com fortes palpitações cardíacas durante uma viagem a Londres, em novembro. Apesar do susto, decidiu aguardar até a manhã seguinte para procurar ajuda médica.
“Para ser sincero, eu não queria incomodar ninguém. Esperei até ter certeza de que os médicos estariam acordados e liguei para eles então”, afirmou Bennett, que já enfrentava dificuldades nos últimos meses com a Decathlon AG2R, antes de assinar com a nova equipe em outubro.

“Meu coração acelerou e tive uma sensação estranha no peito“
O irlandês, com 71 vitórias profissionais, explicou que, no fim da temporada passada, sentia que algo não estava certo. “No final do ano passado eu não estava bem e não entendia o que estava acontecendo. Voltei a treinar e tive algumas sensações estranhas nos primeiros três dias”.
“Eu estava pensando: ‘Nossa, estou realmente fora de forma!’ Naquela noite, eu estava na cama e comecei a sentir palpitações, meu coração acelerou e tive uma sensação estranha no peito. Eu conseguia sentir meus batimentos cardíacos aumentando e o fato de não saber o que estava acontecendo não ajudou em nada.”

“Quando eu entrava nos sprints, eu tinha que sentar”
“Disseram que era possível que eu estivesse tendo mini-episódios que me impediam de me esforçar mais nos sprints. O que aconteceu comigo foi que as duas câmaras superiores estavam batendo duas vezes mais rápido que as duas inferiores”, revelou o irlandês.
“Eu estava com 30 ou 40% menos fluxo, então quando eu entrava nos sprints, eu tinha que sentar, o que meio que faz sentido, mas eu não vou saber se era isso até começar a competir novamente.”

Após o contato com um médico em Londres, Bennett viajou para Frankfurt, onde realizou a ablação cardíaca em 18 de novembro, depois de analisar as alternativas de tratamento disponíveis.
“Existem diferentes maneiras de tratar isso”, explicou. “Normalmente, os betabloqueadores seriam a primeira opção. É possível restaurar o ritmo cardíaco normal com um choque elétrico, e o próximo passo é a ablação”.
“Conversamos por alguns dias e decidimos optar pela ablação. Achamos que era a melhor maneira de tratar o problema para garantir que ele não retorne durante a temporada.”

“Acho melhor admitir, do que esconder, vão perguntar: ‘Onde está Sam Bennett?'”
Depois da cirurgia, Bennett passou 8 semanas em tratamento com anticoagulantes. Agora, ele já retomou os treinos, embora ainda não haja uma previsão concreta para o início de sua temporada competitiva.
“Acho melhor admitir agora do que esconder, porque as pessoas vão começar a perguntar: ‘Onde está Sam Bennett? Por que ele não está correndo? O que está acontecendo?’”, disse.
“Não há nada planejado, mas não quero relaxar demais. Estou me preparando para o final de março, para não tirar o pé do acelerador, mas só posso fazer o que meu corpo permitir.”
Posição oficial da Pinarello-Q36.5
Em comunicado divulgado na tarde de quinta-feira, a Pinarello-Q36.5 confirmou que Bennett participou recentemente do período de treinamentos da equipe na Espanha, mas reforçou a cautela em relação ao retorno às competições.
“Neste momento, não há um prazo definido para o retorno às competições”, informou a equipe. “O foco continua sendo a continuidade do processo de forma cuidadosa e correta, seguindo as orientações médicas”, finalizou o time suiço.