Diretor do WorldTour lamenta saída de capitão, “é a nova realidade, não sou muito fã disso”
Historicamente, o ciclismo profissional sempre tratou as transferências de forma conservadora, com os contratos sendo respeitados até o seu término. No entanto, esse panorama vem mudando rapidamente.
Cada vez mais ciclistas estão deixando suas equipes antes do fim do vínculo, mediante compensações financeiras elevadas. Um exemplo é Oscar Onley, que, mesmo com contrato válido até o final de 2027, deixou a Picnic PostNL no encerramento da temporada de 2025 para se juntar à INEOS Grenadiers.

O 4º colocado no último Tour de France, teria trocado de equipe, onde será o capitão no próximo Tour de France, mediante uma substancial compensação financeira, ao redor de 4 milhões de euros para a equipe holandesa, segundo o Vélo.
“Fiquei surpreso com essa oferta“
Em entrevista ao WielerFlits, o gerente da Picnic PostNL, Iwan Spekenbrink, detalhou os bastidores da negociação e explicou por que a saída do ciclista escocês foi dura para a equipe, ao mesmo tempo em que simboliza a direção que o esporte vem tomando.
Spekenbrink revelou surpresa com a proposta apresentada pela equipe britânica. “Surgiu de repente, bem no final de 2025. Foi inesperado para nós. Queremos almejar um lugar no pódio do Tour de France e, em última análise, vencê-lo. Fiquei surpreso com essa oferta por alguns dias.”

“Essa é a nova realidade”
Para o dirigente, esse tipo de situação não agrada aos envolvidos. “Isso é algo que ninguém quer”, enfatizou. Ainda assim, ele reconhece que o ciclismo mudou profundamente nos últimos anos.
“Mas o ciclismo mudou nos últimos anos. Onde antes os contratos eram cumpridos, a realidade agora é que estamos caminhando para uma situação com a qual estamos familiarizados no futebol.”
Spekenbrink também admite que a própria Picnic PostNL precisou se adaptar a esse novo contexto.
“Você recebe uma ótima oferta por um ciclista que você desenvolveu. Isso cria um novo jogo. Estamos vendo cada vez mais um sistema de transferências no ciclismo, e você precisa elaborar uma estratégia para isso. Essa é a nova realidade”.

“Não sou muito fã disso“
Apesar de compreender o processo, o gerente não escondeu o incômodo com o momento da negociação. “Não vou negar, bem antes do Ano Novo. Você não quer isso. Você planeja quando quer contratar ou dispensar ciclistas”.
“Teríamos feito tudo perfeitamente se o Oscar tivesse nos deixado no final de 2027. Mas aí não teríamos conseguido o prêmio máximo por ele. Agora, isso foi possível com muito pouco tempo de antecedência.”
Ele concluiu ressaltando que o tema gera opiniões diversas, mas deixou clara sua posição pessoal: “Todos têm direito à sua opinião sobre isso. Para constar: eu não sou muito fã disso. Prefiro aceitar que todos respeitem seus contratos, mas do ponto de vista comercial, a transferência é perfeitamente justificável”, finalizou o diretor.