Giro d’Italia 2026: Favoritos à Classificação por Pontos, entenda a distribuição de pontos para a Maglia Ciclamino
No Giro d’Italia 2026, grande parte das atenções costuma se voltar para a disputa da Maglia Rosa. No entanto, para os velocistas, há outro objetivo igualmente relevante: a cobiçada Maglia Ciclamino, a tradicional camisa roxa destinada ao líder da Classificação por Pontos.
Entre especialistas em sprint e ciclistas versáteis, a disputa promete ser intensa. Nomes como Jonathan Milan (Lidl-Trek) e Dylan Groenewegen (Unibet Rose Rockets) aparecem como velocistas puros no pelotão, mas corredores mais completos, como Paul Magnier (Soudal Quick-Step) e Tobias Lund Andresen (Decathlon CMA CGM), podem levar vantagem ao longo das três semanas.

Como funciona a classificação por pontos
Apesar de ser uma prova com duas montanhas, o histórico do Giro mostra que os vencedores da Classificação por Pontos são, em sua maioria, sprinters puros. Isso se explica pelo modelo tradicional de distribuição de pontos, que favorece desempenhos consistentes nas chegadas em sprint.
Um exemplo disso, ocorreu há 2 anos, quando Tadej Pogacar terminou apenas em 5º lugar nessa classificação, mesmo conquistando 6 vitórias em etapas.

Distribuição dos pontos da Maglia Ciclamino
Etapas planas (1 a 2 estrelas – etapas 1, 3, 4, 6, 12, 15, 18 e 21)
50, 35, 25, 18, 14, 12, 10, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 ponto.
Etapas com montanhosas (3 estrelas – etapas 2, 5, 8, 9, 11, 13 e 17)
25, 18, 12, 8, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 ponto.
Etapas de alta montanha (4 e 5 estrelas – etapas 7, 14, 16, 19 e 20)
15, 12, 9, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 ponto.
Contrarrelógio (etapa 10)
15, 12, 9, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 ponto.
Sprints intermediários (todas as etapas, exceto contrarrelógio)
12, 8, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 ponto.
Critérios de desempate
Em caso de empate na Classificação por Pontos, o número de vitórias em etapas servirá como 1º critério de desempate. Se o empate persistir, será analisado o número de sprints intermediários vencidos. Se ainda assim não houver um vencedor, a classificação geral individual por tempo será considerada.
Uma novidade foi introduzida na edição de 2025 e será repetida em 2026: o Red Bull KM. Trata-se de 1 km patrocinado pela Red Bull que termina com um sprint intermediário. Ao final desse km, é possível conquistar 6, 4 ou 2 segundos de bônus, entretanto não haverá distribuição de pontos.
Principais candidatos à Maglia Ciclamino
10. Paul Penhoët – Groupama-FDJ
O francês Paul Penhoët, de 24 anos, abre a lista. Apesar de ainda ter apenas 2 vitórias como profissional, ambas conquistadas em 2023, ele vem acumulando bons resultados. Após estrear em Grand Tours no Tour de France 2025, Penhoët chega ao Giro d’Italia 2026 ainda em busca de afirmação.

9. Erlend Blikra – Uno-X Mobility
A equipe norueguesa Uno-X Mobility confirmou cedo sua escalação, incluindo Erlend Blikra como aposta para os sprints. O diretor Emil Vinjebo destacou: “Erlend está aqui para o sprint, e há muitas oportunidades no Giro deste ano”.
Esta será a primeira Grande Volta do norueguês de 29 anos, que já soma bons resultados recentes, incluindo 2 segundos lugares no UAE Tour e uma vitória de etapa em Omã.

8. Luca Mozzato – Tudor
O italiano Luca Mozzato é conhecido por seu desempenho nas clássicas. Vice-campeão do Tour de Flandres em 2024 e também 2º colocado na Kuurne-Bruxelas-Kuurne nesta temporada, ele disputa seu 2º Giro d’Italia.
No Giro d’Italia 2025, quando ainda competia pela Arkéa B&B Hotels, ele teve desempenho discreto, mas o percurso da edição de 2026, pode favorecer sua evolução.

7. Ethan Vernon – NSN Cycling
Ethan Vernon chega bem preparado, tendo trabalhado intensamente com seu lançador habitual, Jake Stewart. Os resultados apareceram em provas como a Volta da Catalunya e no Tour de La Loire, onde somou 3 vitórias.
Depois de 2 segundos lugares na Vuelta a España 2025, ele ainda busca sua primeira vitória em um Grand Tour, objetivo claro para esta edição.

6. Dylan Groenewegen – Unibet Rose Rockets
O experiente Dylan Groenewegen surge como uma das principais referências entre os sprinters. Sua equipe sonha em assumir protagonismo logo na 1ª etapa. O irreverente diretor, Bas Tietema chegou a sugerir uma mudança do nome do time para Unibet Roze Rockets, em caso de vitória na 1ª etapa do Giro d’Italia e a conquista da Maglia Rosa.
Embora o foco inicial seja vencer etapas, a regularidade pode naturalmente levá-lo à disputa direta pela Maglia Ciclamino.

5. Orluis Aular – Movistar
O venezuelano Orluis Aular baseia sua candidatura no excelente desempenho no Giro d’Italia de 2025, quando apesar de não vencer nenhuma etapa, ele terminou 4 vezes entre os 5 primeiros. Sua consistência pode ser um fator decisivo na luta pelos pontos.

4. Kaden Groves – Alpecin-Premier Tech
Kaden Groves é presença constante entre os favoritos, mesmo enfrentando problemas no joelho desde fevereiro. Entretanto, há confiança de que estará em plena forma para lutar pela Maglia Ciclamino.
O australiano venceu duas etapas no Giro d’Italia (2023 e 2025) e se destaca pela capacidade de superar terrenos mais exigentes, uma vantagem significativa frente a outros sprinters. Essa versatilidade pode colocá-lo em posição privilegiada, onde nem todos os sprinters resistem.

3. Paul Magnier – Soudal Quick-Step
Pelo 2º ano consecutivo, Paul Magnier (Soudal Quick-Step) inicia o Giro d’Italia. Enquanto no ano passado o objetivo era aprender, nesta temporada ele busca vitórias. E com razão, considerando seu histórico no segundo semestre de 2025 e início de 2026.
Após sua desistência do Giro 2025, na 16ª etapa, Magnier conquistou 18 vitórias. Apesar de performances discretas nas clássicas da primavera, Magnier seguiu para Sierra Nevada para um Training Camp em altitude, onde seus arquivos do Strava configurados como “públicos”, registraram seus melhores níveis de potência.

2. Tobias Lund Andresen – Decathlon CMA CGM
Um dos melhores sprinters da temporada é Tobias Lund Andresen, que brilhou na primavera pela Decathlon CMA CGM. O dinamarquês, acumulou vitórias importantes, incluindo etapas no Tour Down Under, na Tirreno-Adriatico, e na Cadel Evans Great Ocean Road Race.
Sua principal vantagem em relação a nomes como Jonathan Milan é a capacidade de escalar. Ele demonstrou isso recentemente na Eschborn-Frankfurt (1º de maio), onde foi um dos poucos sprinters a resistir ao trecho montanhoso e finalizar na 12ª posição.

1. Jonathan Milan – Lidl-Trek
Jonathan Milan retorna ao Giro d’Italia após um ano de ausência, período em que venceu a Classificação por Pontos do Tour de France. Agora o italiano vai em busca de sua 3ª Maglia Ciclamino, após vencer a classificação por pontos em 2023 e 2024.
Nesta temporada, o objetivo inicial de Milan é conquistar a Maglia Rosa já na primeira etapa, algo que ainda falta em seu currículo. Em seguida, o foco também estará voltado para a Classificação por Pontos.
Para isso, ele contará com o apoio de Simone Consonni e do alemão Max Walscheid, ambos fundamentais na preparação dos sprints.
