Vuelta a España 2026: “Tadej Pogacar não parece sofrer, não sei o que fazer para vencê-lo” Vincenzo Nibali analisa domínio de Pogacar
Vincenzo Nibali, campeão do Tour de France, da Vuelta a España e do Giro d’Italia, concedeu uma entrevista ao canal AS e comentou o favoritismo de Tadej Pogačar para a Vuelta a España, que começa neste sábado com um contrarrelógio em Mônaco.
O “Tubarão de Messina” começou relembrando sua vitória na Vuelta a España de 2010, resultado que representou seu primeiro triunfo em uma das três Grandes Voltas.

“A Vuelta é única”
“Foi maravilhoso. A primeira grande volta que venci. Já faz muito tempo, mas foi ali que comecei a ter aquela sensação de estar numa Grande Volta. A Vuelta é única”, inicia Nibali.
“São três semanas de subidas explosivas. Comparada a outras corridas, a atmosfera é mais descontraída, devido às exigências da televisão; às vezes as etapas começam mais tarde… Mas, o que posso dizer, o público é fantástico”, complementa o italiano.
“Ele é o Merckx da nossa época”
A presença de Tadej Pogačar também foi destacada por Nibali. O esloveno retorna à Vuelta a España depois de sua participação em 2019, quando venceu 3 etapas, em Gredos (20ª etapa) , Andorra (9ª etapa) e Los Machucos (13ª etapa), além de terminar no pódio da classificação geral.
“Fantástico, também para os organizadores da Vuelta. Ter o Tadej de volta, depois de um 3º lugar quando ainda era relativamente desconhecido… Não sei, é simplesmente o melhor. Notícia magnífica. Acho que um ciclista como ele deveria estar na Tríplice Coroa.”

O entrevistador lembrou uma conversa recente com Claudio Chiappucci, na qual o italiano havia ressaltado a enorme diferença entre Pogačar e os demais candidatos.
“Ele parece não sofrer”, afirmou Chiappucci sobre Pogi após sua impressionante atuação no Alpe d’Huez. Nibali, porém, afirmou que o comportamento do esloveno não é nenhuma novidade.
“Li sua entrevista. Tadej é assim; ele sempre foi assim. Sinceramente, não vejo qual é a surpresa. E, com o tempo, ele amadureceu ainda mais. Hoje, ele vence com extrema facilidade. Ele é o Merckx da nossa época.”

“Mesmo sofrendo, Tadej Pogacar não demonstrou dor”
Diante do domínio apresentado pelo esloveno, Nibali foi questionado sobre o que os adversários poderiam fazer para tentar ganhar terreno. “Não sei. Se for verdade que ele não parece sofrer com esforço extremo… talvez precisemos exigir mais dele. Não sei. Vou te dizer mais uma coisa…”
Ao ser questionado sobre o que queria dizer, o italiano recordou momentos em que Pogačar enfrentou dificuldades, especialmente nos duelos contra Jonas Vingegaard no Tour de France.
“Lembro-me de uma grande crise. Quando Vingegaard o derrotou, acho… não sei, o que quero dizer é que, mesmo estando sofrendo, ele não gesticulou, não demonstrou dor, não deixou que as pessoas percebessem.”
Nibali se referia especificamente aos confrontos entre Tadej Pogačar e Jonas Vingegaard na 11ª etapa do Tour de France de 2022, com chegada em Serre Chevalier, e na 17ª etapa de 2023, no Col de la Loze.

“Ele sabe esconder bem a dor e o sofrimento”
Para o ex-ciclista italiano, uma das grandes características de Pogačar é justamente sua capacidade de esconder as dificuldades físicas e emocionais durante a competição. “Eu diria que ele sabe esconder bem a dor e o sofrimento. Angústia, tristeza, o que for”.
“Também digo que, às vezes, quando você cruza a linha de chegada com mais de um minuto de vantagem sobre os outros, não precisa baixar a guarda para demonstrar exaustão, que está morto de cansaço, chegar cansado, suado, mas não se jogar no chão para exagerar assim que cruzar a linha de chegada”, finalizou Vincenzo Nibali.
