Bicampeão Mundial anuncia aposentadoria imediata e se afasta da vida pública “vou parar de falar, não darei mais entrevistas”
Julian Alaphilippe confirmou oficialmente sua aposentadoria do ciclismo profissional, com efeito imediato. Aos 34 anos, o bicampeão mundial em 2020 e 2021, revelou que a decisão surgiu de maneira espontânea, quando percebeu durante um treinamento que a temporada de 2026 seria sua última no pelotão.
Na noite desta sexta-feira, a Tudor Pro Cycling oficializou a aposentadoria do francês por meio de uma entrevista de despedida, na qual o ciclista explicou os motivos que o levaram a encerrar a carreira, afirmando também que não comentará mais o caso.

“Acordei uma manhã e senti: este é meu último ano“
“Dei tudo o que tinha, e o ciclismo me deu tudo em troca”, iniciou Alaphilippe. “É por isso que posso dizer isso com um sorriso: estou parando. Não com tristeza, mas com imensa gratidão. A todos os fãs que me apoiaram em cada subida: obrigado. Obrigado por tudo.”
O francês deixou claro que sua aposentadoria não foi consequência de um resultado negativo, de uma atuação específica ou de algum revés particular. Segundo ele, a escolha surgiu simplesmente da sensação de que havia chegado o momento certo para parar.
“Sempre corri por instinto, atacando quando minhas pernas queimavam, não quando os números me mandavam. Tomei essa decisão da mesma forma. Acordei uma manhã em um Training Camp e senti: este é meu último ano. Sem tristeza”, afirmou.

“Aquele ano foi maior do que eu“
Julian Alaphilippe encerra sua trajetória com um dos currículos mais expressivos de sua geração, registrando 45 vitórias. O francês conquistou dois títulos mundiais consecutivos, em Imola, em 2020, e Leuven, em 2021.
Entre seus principais triunfos também estão a Milan-San Remo, a Strade Bianche, a Clásica San Sebastián, 3 vitórias na Flèche Wallonne e etapas nas três Grandes Voltas.
Um dos capítulos mais marcantes de sua carreira aconteceu no Tour de 2019. Naquele ano, Alaphilippe vestiu a Maillot Jaune durante 14 dias, conquistando o apoio francês com seu estilo ofensivo. Ao final, ele terminou na 5ª colocação do GC.
“Aquele ano foi maior do que eu. Milan San-Remo, Strade Bianche e depois aquele Tour…”, recordou. “Quando vesti a camisa amarela em Épernay, pensei: dois dias, talvez três. Durou quatorze. As estatísticas dirão que perdi aquele Tour; na realidade, continua sendo uma das minhas melhores lembranças.”

“Vou parar de falar por um tempo. Não darei mais entrevistas“
As duas conquistas mundiais tiveram significados diferentes para o francês.
“A mais pessoal [Imola 2020]. Atravessei a linha de chegada e apontei para o céu, para o meu pai. E Leuven, um ano depois, foi a celebração que Imola não pôde ser por causa da Covid. Aquela multidão de pessoas na Bélgica… A Bélgica tornou-se a minha segunda casa. Obrigado.”
Alaphilippe chegou à Tudor Pro Cycling em 2025, com um contrato inicialmente previsto até 2027. Em sua primeira temporada pela equipe suíça, conquistou o Grand Prix Cycliste de Québec. A vitória acabou se tornando o último triunfo profissional de sua carreira.

Ao anunciar o fim da carreira, Alaphilippe também revelou que pretende se afastar temporariamente da exposição pública. O francês afirmou que não pretende conceder novas entrevistas nem continuar respondendo a perguntas sobre sua decisão.
“Só isto: também vou parar de falar por um tempo. Não darei mais entrevistas e não responderei a mais nenhuma pergunta sobre esta decisão.”
“Tudo o que eu queria dizer está aqui. Preciso de paz e sossego e, acima de tudo, de tempo com a minha família. É onde eu quero estar agora. Agradeço a compreensão”, finalizou Juan Alaphilipe.