“Tadej Pogacar quer fazer parte da minha trajetória, coisas não podem ser contadas” Isaac del Toro fala sobre Pogacar e o sonho de vencer o Tour de France
Isaac del Toro (UAE Emirates), já está em Singapura, onde participará neste domingo do Singapura Critérium. A prova marcará seu reencontro com o pelotão após o período de descanso e terá novamente como um dos principais adversários o jovem fenômeno francês Paul Seixas (Decathlon CMA CGM).
Em entrevista ao jornal MARCA, o ciclista mexicano falou sobre suas expectativas para a disputa, avaliou a temporada, além de abordar a influência de Tadej Pogacar em sua carreira e revelou como enxerga suas possibilidades para o futuro.
“O mais importante é continuar trabalhando duro”
O mexicano iniciou sua conversa falando sobre sua chegada a Singapura e os primeiros dias no país. “Sinceramente, está sendo muito bom e agradável. Estou aproveitando o clima bastante úmido e feliz por conhecer outro país”.
“Também estou contente por voltar depois da minha pausa, reencontrar os companheiros no pelotão e ansioso para que a corrida comece”, afirmou.
Ao avaliar a temporada de 2026, marcada por 12 vitórias além do pódio no Tour de France, o mexicano demonstrou satisfação com os resultados e, principalmente, com o aprendizado adquirido ao longo do ano.
“Estou muito feliz, para ser sincero. Fico satisfeito por ter vivido todas as experiências desta temporada e por saber que poderei aproveitar tudo o que aprendi no futuro, buscando sempre evoluir. Naturalmente, o mais importante é continuar trabalhando duro”, declarou.
“Procurei adiar ao máximo assumir a liderança”
Del Toro também comentou sua rápida evolução desde que chegou à UAE Emirates ainda muito jovem. O ciclista revelou que assumir responsabilidades de liderança fazia parte dos planos desde a assinatura do contrato.
“Era algo que procurávamos construir desde o momento em que assinei meu contrato. Não sabíamos quanto tempo levaria para acontecer, se seria rápido ou demorado, nem mesmo se seria possível em uma equipe tão competitiva, na qual todos apresentam um nível muito elevado“, explicou.
“Tudo começou no Tour Down Under (2024). Procurei adiar ao máximo a possibilidade de assumir responsabilidades de liderança, porque queria aprender e evitar ser apenas uma figura decorativa”.
“Depois de um ano, evoluí bastante e comecei a compreender melhor que tipo de ciclista sou. Consigo me adaptar bem a diferentes situações, embora ainda não saiba se sou especialista em alguma coisa”, acrescentou.
Vitórias nos três Grand Tours: “Todas as equipes desejam isso”
Del Toro falou Sobre os planos da UAE Emirates para 2027, o diretor Joxean Matxín Fernandez já mencionou o objetivo de conquistar as três Grandes Voltas na mesma temporada. Questionado sobre a possibilidade de liderar a equipe no Giro d’Italia, Del Toro preferiu destacar que sua participação dependerá do planejamento coletivo.
“Isso dependerá do planejamento geral da equipe, e procuraremos seguir as decisões tomadas. Todas as equipes desejam vencer as três Grandes Voltas no mesmo ano, portanto, não é nenhuma novidade. Vamos descobrir qual será minha função em 2027 e tentar fazer o melhor possível”, afirmou.
“Tadej Pogacar quer fazer parte da minha trajetória”
A relação com Tadej Pogacar também foi um dos assuntos abordados. Quando Del Toro vestiu a Maglia Rosa no Giro d’Italia, o esloveno publicou uma fotografia dos dois e escreveu na legenda: “Eu vejo o futuro”. Para o mexicano, esse reconhecimento representa tanto uma honra quanto um desafio.
“Não é algo simples. Você procura ser a melhor versão de si mesmo e manter a discrição, mas nem sempre sabe como as outras pessoas enxergam você. O fato de ele perceber algo que talvez eu mesmo ainda não consiga enxergar é lisonjeiro, mas também representa um desafio”, comentou.
“Ele quer fazer parte da minha trajetória e me apoia sempre que pode. É algo muito bonito, e me sinto extremamente privilegiado por isso”, revelou.
“Existem muitas coisas que não podem ser contadas”
Del Toro também falou sobre a personalidade de Pogacar longe das câmeras, destacando que o comportamento visto nas transmissões corresponde, em grande parte, à maneira como o esloveno realmente é.
“Existem muitas coisas que não podem ser contadas. Grande parte daquilo que vocês acompanham pela televisão corresponde exatamente à maneira como ele é. É uma pessoa muito genuína e transparente, e acredito que seja justamente por isso que tantas pessoas se identificam com ele”, explicou.
O mexicano acrescentou que Pogacar demonstra uma preocupação genuína em ser uma boa pessoa e que conviver com ele é uma experiência enriquecedora.
“Ele se preocupa muito em ser um bom ser humano e possui objetivos diferentes daqueles que as pessoas talvez imaginem. Ter a oportunidade de estar perto dele e acompanhar tudo isso é ótimo… Às vezes, é difícil mantê-lo humilde (risos)”, brincou.
“Pogacar pode vencer onde quiser“
Outro assunto abordado foi a capacidade de Tadej Pogacar de vencer independentemente das características do percurso do Tour de France. Diante dos comentários de que determinadas edições seriam desfavoráveis ao esloveno, Del Toro demonstrou não acreditar que exista um traçado capaz de limitar seu companheiro.
“Ele pode vencer onde quiser. Não acredito que exista um percurso difícil demais para Pogacar”, afirmou categoricamente.
Por fim, Del Toro falou sobre a possibilidade de um ciclista mexicano conquistar o Tour de France no futuro. “Por que não? Se outros já conseguiram, por que um mexicano não poderia fazer o mesmo? Temos duas pernas, dois braços e uma cabeça… Não vejo isso como algo distante ou impossível”, declarou.
“É difícil, naturalmente, mas acredito que temos as mesmas possibilidades que todos os outros. Conquistei minha primeira vitória de etapa em Barcelona, subi ao pódio no Giro e sei que tenho condições de ser competitivo”, afirmou.
“A cada ano surgem novos atletas. Não estou falando apenas de mim, mas também do crescimento do ciclismo mexicano. Como mexicanos, é claro que temos condições de alcançar esse objetivo”, encerrou Isaac del Toro.