Giro d’Italia na Austrália em 2027? Organizadores não negam interesse na ousada Grande Partenza

A tradicional abertura do Giro d’Italia, a chamada Grande Partenza, pode ganhar um novo e inesperado cenário nos próximos anos: a Austrália.

A possibilidade, que há pouco parecia apenas um rumor exótico, agora surge com força nos bastidores da organização da corrida. A informação foi revelada pelo jornalista australiano especializado em ciclismo Michael Tomalaris e, posteriormente, confirmada pelo jornal belga Sporza.

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Michael Tomalaris

Giro além-fronteiras: uma tendência crescente

Nos últimos anos, o Giro d’Italia vem ultrapassando suas fronteiras geográficas e simbólicas. A edição de 2025, por exemplo, começou na Albânia, e outros exemplos recentes incluem Belfast (2014), Jerusalém (2018) e Budapeste (2022).

Em 2018, a etapa inicial em Israel chamou atenção global e deu novo fôlego à especulação sobre possíveis largadas nos Estados Unidos. Agora, a rota mais ousada parece apontar para o hemisfério sul.

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Giro d’Italia com largada em Israel em 2018

Austrália no radar da RCS Sport

A proposta de levar o Giro à Austrália já está sendo discutida com seriedade. “Há negociações para trazer as três primeiras etapas do Giro 2027 para a Austrália. Não é uma piada nem um boato. É real”, afirmou Tomalaris.

Segundo o jornalista, Perth seria o destino mais lógico devido à sua proximidade relativa com a Europa, mas outras cidades australianas, como Melbourne e Sydney, também demonstram forte interesse em sediar grandes eventos internacionais, como já acontece no tênis e na Fórmula 1.

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Austrália já sedia no início da temporada o tradicional Tour Down Under

“Se os ciclistas forem compensados, talvez pensem duas vezes”

Caso o Giro realmente comece na Austrália, a logística exigirá um grande esforço. Após as 3 etapas iniciais, os ciclistas enfrentariam um voo intercontinental de cerca de 16 horas até a Itália. Isso provavelmente exigiria dois dias extras de descanso antes do reinício da competição em solo europeu.

Tomalaris reconhece que haverá resistência por parte do pelotão. “Mas se os ciclistas forem compensados, talvez pensem duas vezes. No final das contas, todos estarão no mesmo barco — todos enfrentarão os mesmos voos e as mesmas dificuldades.”

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Retorno à Australia demoraria cerca de 16 horas

“Não descartamos nada”, diz organizador do Giro

Mauro Vegni, diretor da RCS Sport, foi questionado sobre o rumor e não negou. “Não descartamos nada”, disse. “É difícil do ponto de vista prático e logístico, mas não dizemos não a ninguém antecipadamente.”

Vegni pondera que ainda é necessário analisar o interesse da UCI (União Ciclística Internacional), verificar como será o novo calendário da modalidade e entender quais regras estarão em vigor nos próximos anos. “Temos muitos pedidos do exterior e avaliamos todos. Estamos preparados para conversar com todos. Depois disso, pode começar todo um processo que possivelmente levará a uma Grande Partenza.”

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