Após polêmica com Jonas Vingegaard no Tour de France, diretor da Visma propõe cobrança para acesso a subidas decisivas, assista o vídeo

O ciclismo de estrada é um dos poucos esportes globais que permite o acesso gratuito aos espectadores, o que significa que os torcedores podem acompanhar as etapas de forma livre especialmente nas subidas decisivas dos Grand Tours.

Essa característica garante um espetáculo vibrante, com grandes multidões e fãs entusiasmados, mas também cria desafios significativos de segurança.

Apesar da presença de seguranças e policiais em pontos estratégicos, o controle se mostra ineficaz diante de aglomerações de milhares de pessoas. Isso obriga os organizadores a recorrerem constantemente à mídia para pedir que os torcedores se comportem de forma respeitosa e esportiva.

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“As condições estão se tornando cada vez mais perigosas”

Richard Plugge, diretor da Visma-Lease a Bike, alertou recentemente para os perigos enfrentados pelos ciclistas, especialmente após a linha de chegada. Em muitos casos, não há espaço suficiente no topo das montanhas para acomodar os ônibus das equipes.

Assim, os atletas, exaustos após a etapa, precisam descer até os pontos onde os veículos estão estacionados, muitas vezes enfrentando por vários quilômetros em meio à multidão.

“As condições estão se tornando cada vez mais perigosas para os ciclistas”, lamentou Plugge durante sua participação no programa Vive le Vélo. “Eles têm que descer entre espectadores que também estão de bicicleta ou carro, e não estão acostumados a essas condições”, explicou, destacando o risco após as etapas mais exigentes.

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Richard Plugge

Jonas Vingegaard e Adam Yates parados pela polícia

No Tour de France, os ciclistas usaram apitos para alertar os espectadores durante a descida do Col de la Loze. Plugge também criticou a atuação das forças de segurança, por vezes mal informadas, o que leva a situações absurdas, como a abordagem aos ciclistas que, sem os uniformes de prova, deixam de ser reconhecidos.

Um dos episódios mais simbólicos da falta de organização ocorreu na etapa do Col de la Loze. Jonas Vingegaard e Adam Yates foram parados pela polícia enquanto desciam da linha de chegada, gerando indignação entre os atletas.

O tratamento rude revoltou os ciclistas, que atribuíram a responsabilidade à ASO (Amaury Sport Organisation), organizadora do Tour de France.

“Poderíamos cobrar 4 ou 5 euros pelo acesso à subida”

Diante das dificuldades enfrentadas, várias equipes vêm pressionando os organizadores a melhorar a segurança. No entanto, o desafio está em encontrar um equilíbrio entre o espírito popular do ciclismo e as necessidades logísticas das equipes.

Para Richard Plugge, uma possível solução seria restringir o acesso às subidas por meio da cobrança de uma taxa. “Deveríamos tentar fazer com que as pessoas e os turistas permaneçam na subida o máximo de tempo possível. Ou poderíamos cobrar 4 ou 5 euros pelo acesso à subida. Dessa forma, haveria muito menos espectadores”, sugeriu.

Segundo ele, mesmo uma taxa simbólica já desencorajaria parte do público. Ainda assim, Plugge reconhece o valor do ambiente criado pelos torcedores: “Gostei muito da atmosfera nas subidas. Foi um verdadeiro prazer para o público, mas a descida das equipes para o vale precisa ser melhor organizada”, finalizou Richard Plugge.

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