“A equipe me deixou fora, o ciclismo é desumano” Rei da Montanha da Vuelta a España encerra carreira
Após 14 temporadas no pelotão profissional, o espanhol Omar Fraile (INEOS Grenadiers) decidiu colocar ponto final em sua trajetória no ciclismo.
Bicampeão da Classificação de Montanha da Vuelta a España em 2015 e 2016, o atleta recapitulou sua carreira ao canal Marca, revelando seu desapontamento por não ser escalado para a Vuelta a España em seu ano de despedida.
Em meio a esse balanço de jornada profissional, o basco também voltou a criticar a crescente exigência do ciclismo moderno, que considera “muito desumano”.

“A equipe decidiu me deixar de fora“
Aos 35 anos, Fraile, que havia anunciado sua aposentadoria em abril revelou ao MARCA que nutria o desejo de encerrar sua trajetória na Vuelta a España.
“Sim, logicamente sim”, afirmou quando questionado se a ausência na Vuelta 2025 ainda o incomodava. “No fim, devido a circunstâncias da minha equipe, não pude estar lá e ficou essa ‘pequena coisa’. Não dava para acontecer e pronto, não precisamos pensar muito mais nisso.”
O ciclista confirmou que havia solicitado participar da prova: “Sim, de fato, eu estava me preparando e me sentia bem. Mas, bem, a equipe decidiu me deixar de fora e foi uma decisão deles.”

“O ciclismo hoje é muito desumano“
Com vitórias no Tour de France 2018, no Giro d’Italia 2017 e o título de Campeão Espanhol em 2021, Omar Fraile acumulou 15 participações em Grand Tours e 8 vitórias na carreira. Apesar desse currículo sólido, o basco reconhece que o ciclismo mudou drasticamente desde que estreou.
“Vejo isso do ponto de vista de alguém que começou há 15 anos. Vi três modalidades de ciclismo e, como já disse em outras ocasiões, o ciclismo hoje é muito desumano e muito exigente”, afirmou.
“Isso vai tornar muito difícil para um ciclista ter uma carreira esportiva de 15 anos, porque gera muita fadiga mental e física”, complementa Omar Fraile.

“Eu já deveria estar treinando, é muito estranho“
Agora aposentado, Fraile está aproveitando o tempo com a família e tentando se acostumar com uma rotina sem treinos e competições. “No momento, não tive muito tempo para me imaginar como um ciclista aposentado. Tenho aproveitado a família”, explicou.
“Parece muito estranho para mim. Eu já deveria estar treinando, é muito estranho não estar fazendo isso. A vontade de voltar a pedalar não para, até comecei a correr e ainda ando um pouco de bicicleta.”
Ao falar sobre como espera ser lembrado pelos fãs, o espanhol demonstrou simplicidade: “Como um ciclista que soube atacar e que os fez se divertir, que guardem essa boa lembrança. Saio com o sorriso de ter me divertido e aproveitado o momento.”

Planos futuros ainda indefinidos
Sem pressa para definir seus próximos passos, Fraile encerrou revelando que deseja um período de tranquilidade após tantos anos no ciclismo. “Neste momento, quero tranquilidade, aproveitar minha família e ter um pouco de tempo livre. Quero fazer coisas que não pude fazer antes”, disse.
“Acho que seria um erro decidir às pressas o que fazer no futuro. Depois de tantos anos fazendo a mesma coisa, preciso ver onde quero chegar e, acima de tudo, ter tempo“, finalizou Omar Fraile.