“A tática de Tadej Pogacar se voltou contra ele” vencedor de etapa do Tour de France analisa derrota de Pogacar
Tadej Pogacar e seus companheiros de UAE Emirates XRG, aceleraram forte logo após a largada da Paris-Roubaix no último domingo, repetindo uma tática que tem se mostrado efetiva nas clássicas em que o Pogacar participa.
No entanto, a estratégia agressiva de desgaste, utilizada pelo esloveno, que finalizou a prova na 2ª posição ao ser batido por Wout van Aert, pode ter tido um efeito contrário desta vez, acredita o vencedor da 5ª etapa do Tour de France 1987, Marc Sergeant, que analisou a corrida para o Het Nieuwsblad.

“Pela primeira vez, a tática de Tadej Pogacar se voltou contra ele”
“Pela primeira vez, a tática de Tadej Pogacar se voltou contra ele”, iniciou Sargeant. “Ele gosta de transformar cada corrida em uma guerra de desgaste. Normalmente, isso joga a seu favor. A UAE repetiu essa tática desta vez”, complementou o belga.
“A maneira como impuseram um ritmo muito forte quase desde o início foi típica da UAE. Mas o que eles claramente não levaram em consideração é que Pogacar também pode ter azar em um momento inoportuno.”

“A UAE Emirates já tinha desgastado muitos ciclistas“
Para Sergeant, o desenrolar da corrida expôs os riscos da abordagem adotada. “De repente, tudo deu errado e ficou claro que a UAE Emirates tinha jogado de forma arriscada com sua estratégia”, analisou o belga de 66 anos.
Segundo ele, o furo de pneu de Tadej Pogacar teve impacto direto no desempenho do líder da equipe. “No momento do furo no pneu do Pogacar, a UAE Emirates já tinha desgastado muitos ciclistas”.
“Isso significava que o próprio Pogacar teve que se esforçar muito para conseguir se juntar ao grupo antes do jogo em Forest. Não me surpreenderia se ele acabasse ficando sem energia na final.”
“Ele teve que pedalar mais uns 7 km numa bicicleta Shimano azul“
Outro ponto destacado por Sergeant foi o esforço adicional enfrentado pelo ciclista após o incidente mecânico com a bicicleta do serviço neutro.
“Principalmente porque ele teve que pedalar mais uns 7 km numa bicicleta Shimano azul ao longo do caminho”, explicou. “Mesmo que a bicicleta estivesse ajustada para ele, acredite, isso não é bom para as pernas. É bem possível que essa tenha sido a causa do acidente.”

“Para ser franco: aquilo foi no limite”
Por fim, Sergeant também comentou a rápida intervenção do carro de apoio da equipe. “Pogacar teve ‘sorte’ de deixarem o carro da equipe UAE passar muito rapidamente, permitindo que ele voltasse para sua própria bicicleta. Para ser franco: aquilo foi no limite.”
O ex-ciclista ainda criticou a situação, alertando para os riscos da situação em um terreno tão técnico quanto os paralelepípedos da clássica francesa.
“Em paralelepípedos, normalmente nunca se deixa um carro de equipe ultrapassar um pelotão. O comissário da prova que permitiu isso deveria se considerar sortudo por não ter ocorrido nenhum acidente”, finalizou Marc Sergeant.
